Helena Martins Pinto: “Uma experiência que me abriu os olhos para as possibilidades que moram longe da zona de conforto”

Helena Pinto - junho 2018

Helena Pinto em Alesund / Foto: Direitos Reservados

Helena Martins Pinto é natural de São Cosme, tem 27 anos, e as ciências farmacêuticas são a sua grande paixão. Como não há lugar para acomodação no setor farmacêutico, Helena vai provando, em território norueguês, que é necessário estar em constante evolução e aprendizagem.

Como surgiu a tua paixão pelas ciências farmacêuticas?
Desde pequena que sempre tive grande curiosidade por medicamentos. Sempre gostei de saber que medicamento se tomava quanto se tinha febre, ou tosse, ou dor de barriga. Lembro-me de chatear a minha mãe com perguntas de “para que se usa isto?”, apontando para todos os medicamentos que tínhamos em casa. Mas, curiosamente, durante a minha adolescência nunca pensei na profissão farmacêutica, a ideia só surgiu na hora de me candidatar à faculdade. Na altura pareceu-me um excelente curso, com imensas saídas profissionais e achei que era uma boa aposta, visto que ainda não sabia muito bem o que queria ser. O resultado final foi excelente, dado que percebi realmente a minha vocação.

Entretanto foste para o mercado de trabalho e como foi o feedback em Portugal?
Eu fui uma daquelas pessoas que começou por um estágio profissional. Queria trabalhar em farmácia comunitária e as oportunidades na zona do Porto não eram muitas e as que existiam eram estágios profissionais. O salário era muito mais baixo comparado com os outros colegas farmacêuticos, embora as horas e as funções fossem as mesmas, com a desvantagem de eu ter de trabalhar todos os domingos – coisa que só os “estagiários” faziam e não os “farmacêuticos”. Posso dizer que a experiência não foi positiva e a vontade de sair do país foi crescendo.

Mas trabalhar fora do nosso país sempre foi um dos teus objetivos?
Eu fiz Erasmus numa farmácia hospitalar, em Itália, e já nessa altura o fiz a pensar na possibilidade de emigração. Enquanto os meus amigos combinavam aquilo a que se iam candidatar de maneira a poderem ficar no mesmo país, eu candidatei-me sozinha. Queria ver se era capaz de me orientar, adaptar e de aprender uma língua diferente em pouco tempo. E o resultado foi fantástico e muito enriquecedor. Foi, sem qualquer dúvida, uma experiência que me abriu os olhos para as possibilidades que moram longe da zona de conforto. Por isso diria que sim, desde essa altura que pensei sempre que queria experimentar trabalhar noutro país.

E qual a pior parte de trabalhares a milhares de quilómetros dessa zona de conforto?
A pior parte são as saudades da minha família, sem dúvida alguma. 

Mas foste bem recebida na Noruega?
Sim, fui extremamente bem recebida na Noruega e tive a sorte de conhecer pessoas fantásticas. 

Viver em Trondheim assume-se como uma experiência muito diferente daquilo que é viver no Porto?
Trondheim tem uma universidade que está na lista das melhores do mundo. É, por isso, uma cidade com muitos estudantes e com cerca de 200 mil habitantes. É bastante diferente do Porto e bastante mais pequena, mas também tem o rio e várias pontes, o que dá um cheirinho a casa. Para além disso, devo dizer que é bastante mais frio nos meses de inverno, algo que implicou uma adaptação muito grande.

Dentro das várias peripécias que já colecionaste nesta tua aventura norueguesa, podes contar-nos uma delas?
Por motivos de sigilo profissional, não há muito que possa contar, mas especialmente nos meses iniciais, quando ainda não falava bem norueguês, aconteceram alguns mal-entendidos muito cómicos. O melhor de todos, que ainda hoje me faz rir, foi quando uma senhora foi à farmácia comprar algo para o cão e eu entendi que era para o marido. Passei uns bons 15 minutos a dar-lhe conselhos antes de me aperceber que era um animal que ia usar o produto e nada do que eu estava a dizer fazia sentido. Felizmente, a senhora achou imensa piada à situação [risos].

Sei que, recentemente, assumiste a direção técnica de uma nova farmácia. O que está na origem desse salto na tua carreira?
O meu objetivo sempre foi esse. Até porque investi num MBA quando cá cheguei e ficou claro para os meus superiores que eu queria progredir na carreira. Há cerca de um ano, surgiu a proposta para ser diretora técnica de uma nova farmácia e aceitei de forma imediata.

Que conselho darias aos atuais estudantes de farmácia?O conselho que eu posso dar aos futuros farmacêuticos é este: aproveitem todos os estágios, todos os congressos, todas as oportunidades, aprendam línguas novas, não se limitem a ser “só” estudantes de farmácia.

Está nos teus planos um regresso definitivo a Portugal?
Eu sou uma pessoa que nunca digo “nunca”. Todavia, regressar a Portugal não está nos meus planos.

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