História escreve-se no feminino

A palavra história tem origem no grego “história”, (exame, pesquisa, estudo, ciência) através do latim “história”, tendo a forma estória entrado através do inglês “story”. Um substantivo feminino que se traduz numa narração escrita dos factos notáveis ocorridos numa sociedade em particular ou em várias. E foi isso mesmo que aconteceu na cidade de Roterdão. Longe das tartes de maçã no Dudok e dos brownies no Markthal, foi no “Sparta Stadion” que tudo aconteceu. Porque não basta dizer que o futebol feminino evoluiu e recomenda-se. É preciso demonstrá-lo. E as nossas guerreiras estão a fazê-lo da melhor forma possível em terras holandesas. Apesar da derrota inaugural frente à Espanha, a segunda jornada tinha uma surpresa reservada para todos os portugueses. Carolina Mendes – que trocou o hóquei em patins pelo futebol – marcou o primeiro golo de Portugal num Europeu feminino. Embora sejam as palavras de Carolina que alimentam a sua paixão pela escrita, foi com o pé direito que, no dia 23 de julho, fez história e colocou o país inteiro a vibrar. A Escócia ainda empatou o jogo por intermédio de Erin Cuthbert. Porém, Ana Leite, um minuto após ter entrado em campo, envergou a raça do povo lusitano e embarcou sozinha para uma viagem de longos metros, coroada com um bonito golo de pé esquerdo. Um momento de inspiração por parte da número 10 nacional, que nos ofereceu a primeira vitória de sempre em campeonatos da Europa.

A nova época está também prestes a arrancar. Os grandes palcos vêm novamente à ribalta, os craques apertam as botas e os verdadeiros adeptos são atingidos por emoções que somente o desporto proporciona. Numa altura em que os casacos ficam em casa e o sol brilha na relva, os resultados dos jogos da pré-temporada começam a assustar ou a entusiasmar, embora nada representem, senão um indicador de performance individual e coletiva que permitirá ao treinador ajustar o plantel com maior critério. Quanto a investimentos, o Sporting lidera. O clube leonino tem, de facto, investido muito. Nas modalidades (o sucesso está à vista de todos) e no futebol, onde os resultados teimam em não aparecer. Mathieu, Coentrão, Bruno Fernandes e Acuña são quatro reforços de enorme qualidade e que se centram nos dois pilares do futebol: equilíbrio e desequilíbrio. O novo FC Porto de Sérgio Conceição tem mostrado dinâmica e competência, com Óliver Torres a assumir-se como o motor de um processo equilibrado, onde se privilegia o ataque posicional. Ricardo é a nova seta da formação portista e tem muita qualidade, permitindo que o jogo entre numa dimensão superior de qualidade. Os laterais marcam a diferença no futebol moderno e quem o entender está mais perto do sucesso. Que o diga Pep Guardiola, que gastou perto de 140 milhões de euros em três laterais: Kyle Walker, Danilo e Benjamin Mendy. Já o SL Benfica continua a vender muito, confiando na arte de Rui Vitória para colmatar as ausências com a prata da casa.

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