“Hoje em dia, estamos à distância de um clique para vermos quem mais gostamos, mas a 1800km ou 2:15h para os abraçar”

>Na foto, Jorge Almeida e Rosana Gomes

Jorge Almeida e Rosana Gomes são naturais de Gondomar e emigraram para a Suíça à procura de um futuro melhor. Decisões tomadas e a vida deste casal nunca mais foi a mesma. Ao VivaCidade, recordam a nostalgia da sua terra Lusitana e os que por aqui deixaram.

Contem um pouco da vossa história, como é que se conheceram?

Jorge Almeida: Tudo começou com um convite de aniversário por mensagem do Facebook, para todos os amigos virtuais e não virtuais. Ao qual a Rosana não compareceu, mas ficamos de combinar outra saída, que se realizou e a partir daí se desenrolou uma relação.

Qual foi a formação académica que tiveram em Portugal?

JA: Tenho o Nível 4 académico, terminado no ISMAI com 2 cursos de Especialização tecnológica, desenvolvimento de produtos multimédia, e produção gráfica.

Rosana Gomes: Tenho o nível 3 académico, terminado na Escola secundária de Valbom com o curso de Ciências Sociais e Humanas.

O que vos levou a emigrar de Portugal?

RG: A estabilidade que poderíamos atingir e o Jorge trabalhar com uma carga horária excessiva, (turnos com 36 horas, mais que uma direta por semana, etc.).

Porquê a Suíça?

JA: Tenho cá um amigo de infância que na altura nos ajudou com a procura de trabalho. Depois foi um pouco de sorte sermos selecionados para uma vaga. (risos)

O que vos passou pela cabeça na primeira vez que saíram do avião e chegaram à Suíça?

JA e RG: Nós a primeira vez viemos de carro.

JA: A sensação ao passar a fronteira de Portugal-Espanha foi de aperto e saudade, mas ao passar a fronteira França Suíça foi de alívio e determinação.

No início, qual foi a maior diferença que sentiram? A adaptação foi fácil?

JA: Para mim a maior diferença foi sem dúvida a comida. A adaptação, ainda hoje estamos a ter. A língua é um dos maiores desafios.

RG: Para mim foi igualmente a comida, é totalmente diferente a sua confeção. A adaptação não foi fácil, uma simples ida ao supermercado torna-se difícil devido à língua, pois no local turístico onde começamos, muitos não falam outras línguas que não a sua materna.

Contem-nos alguma história que vos tenha marcado na Suíça.

RG: Um acontecimento que me marcou foi conseguirmos arrendar a nossa 1ª casa, até lá estávamos num alojamento providenciado pelo empregador.

JA: Algo que me marcou foi a superação pessoal perante a contínua negatividade dos colegas de trabalho com a mudança de posição de trabalho.

Qual a vossa profissão? A vida na Suíça é mais vantajosa?

JA: SpezialReiniger- Empregado de limpezas especiais. RG: Unterhaltsreinigerin- Empregada de Limpeza geral.

JA e RG: A vida na Suíça não é bem mais vantajosa, é mais estável. Enquanto no nosso país tínhamos de apertar o cinto, aqui dá um conforto e estabilidade financeiramente melhor.

Qual o conselho que dariam a quem pretende emigrar para outro país?

JA: O maior conselho que posso dar é vir em casal se possível, para se apoiarem mutuamente e virem com algo na mão, contrato ou ajuda de amigos\família e venham com a mente aberta para engolir muitos sapos.

RG: Arrisquem, sejam fortes e guardem o melhor para vocês.

Sentem que o facto de estarem juntos facilitou na adaptação a um novo país?

JA e RG: Sim, sem dúvida.

Ambos são naturais de Gondomar, como é deixar os amigos e a família para trás? Como é lidar com a saudade?

JA e RG: É difícil, doloroso e triste. A saudade é enorme e cada ida\partida é marcante. Perde-se o crescer das crianças da família, perde-se aniversários, natais, mas, por outro lado ganham-se os verdadeiros amigos, ganha-se uma maturidade diferente, ganha-se uma maneira de pensar diferente, conhece-se pessoas novas, amigos novos, culturas diferentes, crescemos enquanto pessoas, ganhamse novas oportunidades profissionais. Hoje em dia, estamos à distância de um clique para vermos quem mais gostamos, mas a 1800km ou 2:15h para os abraçar.

Pensam um dia voltar a Portugal?

JA: Provavelmente na reforma.

RG: Não sei.

Qual é a maior saudade que têm do nosso país?

JA: Além da gastronomia, como é óbvio, as pessoas que ficaram.

RG: Da família e amigos.

Têm por hábito acompanhar as notícias de Portugal? Ou do vosso Município?

JA e RG: Sim, mais em particular do município.

Perante a situação epidémica mundial, como é que vêm esta situação que está a ser conduzida em Portugal e na Suíça?

JA e RG: Portugal, está segundo sabemos, a tomar medidas acertadas e nem toda a gente está a colaborar. No país que nos acolheu, as medidas são mais ou menos iguais e também nem toda a gente colabora. E depois existem pessoas, tal como nós, que não podem parar o trabalho. ▪

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