Investigador descobriu novo género de planta fóssil em São Pedro da Cova

Descoberta Pedro Correia - setembro 2018

O investigador Pedro Correia é o responsável pela descoberta / Foto: Pedro Santos Ferreira

“Douropteris Alvarezii”, assim se designa o novo género de planta fóssil descoberto em São Pedro da Cova. A investigação é da responsabilidade de Pedro Correia, 38 anos, natural de Valongo e residente em Rio Tinto.

A descoberta de três fragmentos de rocha fossilífera da “Lesleya iberiensis“, em São Pedro da Cova, deu origem à descoberta de um novo fóssil com mais de 300 milhões de anos, descoberto pelo paleontólogo Pedro Correia

Intitulado “Douropteris Alvarezii, o novo género e nova espécie foi encontrada em 2010, durante uma escavação efetuada pelo investigador do Instituto de Ciências da Terra da Universidade do Porto.

“Este fóssil reúne características de diferentes géneros [Pteridófitas e Pteridospérmicas]. Foi um trabalho longo e envolveu uma ida à República Checa, onde fui rever toda a literatura produzida sobre as espécies fósseis conhecidas, com o objetivo de perceber se esta seria inédita”, começa por contar Pedro Correia.

O trabalho foi publicado na revista científica “Geological Journal” e contou com as participações de Artur Sá, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Zbynĕk Šimůnek, da República Checa, e Christopher Cleal, do Reino Unido.

Alvarezii” consiste numa homenagem ao geólogo americano Walter Alvarez, autor da teoria da extinção dos dinossauros causada pela colisão de um asteroide, há cerca de 65 milhões de anos. “Douropteris” homenageia a importância de São Pedro da Cova para a paleobotânica.

“Infelizmente, o local onde foi encontrado este exemplar está em vias de desaparecer, porque o terreno vai servir para construção. Tudo farei para tentar impedir que isso aconteça, porque está provado que existe interesse científico naquela zona”, aponta o jovem investigador.

Pedro Correia já contabiliza várias publicações do mesmo género e foi também responsável pela descoberta da “Aphantomartus pustulatus“, uma aranha fóssil da região de São Pedro da Cova.

“Esta espécie teria um corpo curto com pernas fortes e longas e uma carapaça blindada com uma densa tuberculação dorsal que a protegia contra possíveis predadores”, caracteriza.

Ao Vivacidade, o investigador garante que na sua profissão “é essencial ter paixão pelo que se faz” e mostra-se orgulhoso com os contributos que tem dado ao conhecimento e à ciência. “Infelizmente sou o único a fazer investigação na paleobotânica no Carbonífero português, mas esta área é ótima para os jovens geólogos que agora se iniciam”, conclui Pedro Correia.

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