Isabel Queirós – 106 anos de história, 106 anos de vida. Conheça a história da mulher mais velha de Gondomar

Apelidada carinhosamente de Rosa Mota ou Pepe Rápido, Isabel Queirós é a mulher mais velha do concelho de Gondomar com 106 anos. Doméstica, passou a sua vida a fazer aquilo que mais amava que era cuidar da sua família. Atualmente, possui dois filhos, dois netos e dois bisnetos, sem contar com os genros e as noras.

Mulher de forças, de guerra, trabalhadora, determinada, independente e dinâmica são muitos os elogios que caracterizam a avó Isabel. A filha Helena Queirós e a nora Delmira Queirós descrevem-na como um doce de mulher e apontam, apenas, um único defeito que é a teimosia, são elas que nos descrevem a mulher que hoje elas tanto admiram.

Natural de Penafiel, passou parte da sua vida em Angola e voltou para Gondomar, mais concretamente para Baguim do Monte para passar o resto da sua vida. Sempre tratou da família e Helena conta que uma das histórias que mais a marcou que a sua mãe contava era “que muitas vezes quando eram pequenos uma sardinha tinha de dar para quatro com um bocadinho de broa”, isto porque Isabel Queirós com 106 anos viveu “a primeira guerra mundial” um período difícil da história da humanidade. Para Delmira Queirós o que leva de Isabel “é a sua força de viver, a sua alegria, acho muito engraçado o facto de que ela sempre dizia às pessoas que o seu segredo era o trabalho”. Delmira descreve-a como uma pessoa muito independente revela até que “foram várias as vezes que ela ia para o Porto já com os seus 90 anos” e não dizia nada a ninguém, “ela gostava muito da sua independência”, de ir ao café com as amigas e de dar os seus passeios. Delmira e Helena revelam “algo curioso para uma senhora desta idade” é o facto de que ela gostava de ir ao McDonald’s.

Em conversa com o neto Paulo Dias o mesmo revela que é um “privilégio ter uma avó com esta idade, é um orgulho, uma honra acima de tudo”, o neto explica que a avó foi como uma segunda mãe na sua vida que acompanhou todo o seu crescimento. “Foi uma avó extremamente presente e sempre me ajudou no que podia”, Paulo afirma que a avó teve um papel crucial na parte emocional e construtiva nos valores dele enquanto pessoa. “Tenho tantas histórias, que escolher só uma é difícil, uma historia interessante é quando muitas vezes passava o fim de semana aqui em casa da minha mãe, pode ser um pormenor, mas quando era pequeno e passava aqui os fins de semana, um dos pormenores que achava interessante era o pequeno almoço servido com a minha avó era uma coisa simples que era nestum, mas as vezes são aqueles pequenos toques que, no final, faziam toda a diferença”. O neto revela ainda que para além de avó, Isabel foi madrinha do seu casamento.

A neta Sandra Queirós refere que “tenho muitas experiências com ela, porque, basicamente, quem me criou foi ela, nasci em Luanda e ela sempre ajudou a minha mãe a criar-me”. A neta revela que aprendeu muita coisa com ela, coisa básicas, mas que fizeram muito a diferença. Sandra constata que “foi uma avó e bisavó muito presente na minha vida e na dos meus filhos, foi ela que ajudou a tomar conta deles, a Marta e o Diogo e também lhes ensinou muita coisa” valiosa. “Sempre foi uma pessoa muito carinhosa e devo-lhe muito”, a neta explica que o que mais a caracteriza era o ser amor incondicional que sempre deu aos seus “ela será para sempre a nossa heroína e se houvesse uma medalha era para ela que ia”.

Por fim, foi a vez de conversarmos com os Bisnetos Diogo Queirós e Marta Caldas. “Nós sempre fomos criados com ela, tanto eu como o meu irmão”, os bisnetos explicam que a reação que tem com a bisavó é de grande afinidade, uma relação que não dá para explicar ou transcrever em palavras. Os netos recordam com um sorriso quando a avó decidia fazer ginástica pelos corredores da casa e dizia que o intuito era para não ficar ‘’perra’’. Ambos evidenciam com saudade a excelente cozinheira que era Isabel e relembram com saudade a feijoada, que era obrigatória na altura do carnaval, e os famosos rissois à dona Isabel. Os bisnetos explicam que uma das razões para esta bonita idade “é a sua vitalidade e força de viver”.

Isabel deixa aos leitores do VivaCidade um conselho: “Para os mais novos quero dizer que tenham juízo e que cumpram o seu dever que não devam nada a ninguém. E para os mais velhos que trabalhem e que não sejam mal-educados com ninguém”. ▪

 

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