Jerónimo de Sousa: “Nas autarquias a CDU é uma força que se distingue pela sua proximidade às populações”

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do partido comunista/ Foto: Direitos Reservados

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do partido comunista/ Foto: Direitos Reservados

Membro do PCP desde 1947 e secretário-geral do partido comunista desde 2004, Jerónimo de Sousa volta a candidatar-se ao cargo de primeiro-ministro. Segundo o deputado da Assembleia da República, eleito desde 2002,  a CDU está pronta para assumir responsabilidades governativas.   

Que balanço faz destes quatro anos de mandato da coligação PSD/CDS-PP?

Um mandato em que a coligação PSD/CDS acelerou, o processo de destruição dos direitos laborais, roubo nos salários, privatização dos serviços públicos e procurou salvar a banca, o sistema financeiro e os grandes grupos económicos. Um período marcado pela aplicação de um conjunto de medidas extraordinárias gravosas para os trabalhadores e a população em geral, que nós caracterizamos como pacto de agressão, legitimado pela troika nacional – PSD, CDS e também PS – com a presença e ingerência da troika estrangeira – UE, FMI e BCE. O povo perdeu com este mandato.

O que podem esperar os portugueses que decidam votar na CDU?

Uma outra política, que valorize o trabalho e a produção nacional, que defenda os direitos de quem trabalha. Uma política patriótica e de esquerda, que defenda os interesses e soberania nacionais e que esteja sempre do lado de quem menos tem e pode. Mas a CDU  não se distingue apenas pelos objetivos e soluções que propõe; a verdade e a honestidade no exercício da política é também uma característica que nos distingue.

Tem vindo a apelar ao voto útil. A CDU quer ser mais oposição? Sente essa vontade por parte dos portugueses?

A CDU terá a força que o povo quiser. Estamos disponíveis e preparados para assumir todas as responsabilidades que nos queiram atribuir, incluindo no Governo do País. Os votos da CDU nunca serão utilizados para uma política de direita, mas sim para dar soluções e respostas à aspirações do povo. No terreno sentimos descontentamento com esta política de direita, disponibilidade para a mudança, confiança e apoio. Temos de transformar todos estes sentimentos em votos concretos. Só assim será possível uma outra política. Não há politica de esquerda sem a CDU.

Ao longo dos anos, desde que assumiu a liderança do PCP, tem estado muito próximo de Gondomar, mais concretamente de S. Pedro da Cova (agora uma agregação de freguesias). O que o motiva a vir várias vezes ao concelho?

Procuramos percorrer o país, contactando com os diferentes problemas das população. De Bragança a Faro, procuramos sentir o pulsar, as angústias e os problemas das populações. Naturalmente que São Pedro da Cova é uma freguesia com históricas tradições de luta, na qual o PCP intervém desde os anos 40 junto dos mineiros, e onde a população tem depositado a sua confiança na CDU. Foi o prestígio de anos de trabalho que também contribuiu para o crescimento da CDU na freguesia de Fânzeres, após o processo de agregação das freguesias. Quando estivemos em Fânzeres, na última campanha autárquica e já depois das eleições, senti um grande apoio a esta força.

Considera o trabalho desenvolvido pela CDU, em Gondomar, um exemplo do que pode ser feito pelos comunistas a nível nacional?

Valorizamos muito o nosso projeto autárquico, um projeto que se distingue pelo trabalho, honestidade e competência. Nas autarquias a CDU é uma força que se distingue pela sua proximidade às populações, pela defesa intransigente dos serviços públicos. A governação da CDU nas autarquias é a prova da vitalidade do nosso projeto.

O que o fez despertar para a política?

A ida muito cedo para a fábrica, o contacto com a realidade da vida do trabalho, uma realidade de exploração e de falta de direitos, a consciência social e política que fui ganhando transmitida pelos operários mais velhos foram responsáveis pela vida e pela luta que fui assumindo e tomando também nas minhas mãos. Cedo tomei contacto com o Partido (era assim que justamente nos referíamos ao PCP – o Partido!), com a leitura do «Avante!» e com a luta sindical. Aliás, foi já como dirigente sindical que aderi ao Partido.

Que personalidades o motivam diariamente a ser político?

Existem duas pessoas que são referências incontornáveis na minha vida e, como tal, também o são nas responsabilidades políticas que assumo. Se num plano mais pessoal a minha mãe é uma referência na minha vida e na minha formação, Álvaro Cunhal, num plano mais político, é um exemplo e referência que tenho sempre presente.

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