Joana Amaral Dias: “Temos que refletir a necessidade de fazer um outro 25 de Abril” (c/ áudio)

Joana Amaral Dias abriu as "Conversas de Abril", promovidas pela Câmara Municipal de Gondomar

Joana Amaral Dias abriu as “Conversas de Abril”, promovidas pela Câmara Municipal de Gondomar

Joana Amaral Dias confessou, ontem à noite, ao Vivacidade, a “necessidade de se fazer um outro 25 de Abril”. A líder do grupo político “Agir”, que recentemente se coligou com o Partido Trabalhista Português numa candidatura às próximas eleições legislativas, abriu as “Conversas de Abril”, promovidas pelo Município de Gondomar, numa sessão que teve lugar na Casa Branca de Gramido. O debate foi moderado pelo jornalista Rogério Gomes.

“O 25 de Abril tem significado especial para os que nasceram depois da Revolução dos Cravos, especialmente para uma política que tem criticado muito estes 40 anos de democracia. A Revolução trouxe-nos a escola pública, o Sistema Nacional de Saúde e da Segurança Social e foi muito importante para o contributo dos partidos para a democracia portuguesa, sobretudo para nós que tivemos o privilégio de nascer em democracia”, refletiu Joana Amaral Dias na abertura da sessão. “Antes da Revolução o país estava muito atrasado face à Europa e por isso temos que agradecer aos capitães de abril e a todos os que lutaram por esse dia. No entanto, temos assistido a uma degradação das instituições e do espaço público. Na minha opinião tem havido um enfraquecimento da nossa democracia. As pessoas deixaram de ir votar e de participar na política do nosso país. Há partidos políticos que acham que são donos e senhores da democracia portuguesa. A democracia tem que ser uma via verde da participação das pessoas”, admitiu ainda a ex-deputada do Bloco de Esquerda.

À margem da iniciativa Joana Amaral Dias manifestou, ao Vivacidade, “a necessidade de fazer um outro 25 de Abril”. “Temos que devolver os instrumentos políticos às pessoas. Por exemplo, para propor um referendo à AR são necessárias 75 mil assinaturas, mas para ser candidato às eleições autárquicas da Câmara de Lisboa são necessárias 20 mil assinaturas”, explicou a comentadora política da RTP.

O presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins marcou presença na cerimónia inaugural das “Conversas de Abril” – onde também esteve presente o vice-presidente, Luís Filipe Araújo – e agradeceu a Joana Amaral Dias por abrir o evento. “É com muita honra que recebemos aqui a Joana Amaral Dias para nos falar da democracia. Esta é a segunda vez que se comemora o 25 de abril em Gondomar, nos últimos 20 anos. A expectativa é alta, tendo em conta o tema”, referiu Marco Martins.

Na próxima segunda-feira é a vez de Rui Rio “conversar” no auditório do Hospital Escola de Gondomar.

 

Para a líder do grupo político “Agir”, que assume coligação com o Partido Trabalhista Português na perspetiva das próximas eleições legislativas, o Serviço Nacional de Saúde, a democratização do acesso ao ensino e a Segurança Social constituem três boas heranças do 25 de abril que importa defender, por oposição ao “lado negro” em curso que retira direitos aos cidadãos e lhes impõe uma austeridade sem limite.

“É por isso que eu penso que é necessário um outro 25 de abril, uma rutura que tem de ser construída, de que não o sei o nome, de um momento-chave na vida das pessoas que precisam de três coisas: a subordinação ao poder político, o fim da corrupção que grassa e a defesa do Estado social” – afirmou Joana Amaral Dias, durante um colóquio moderado pelo ex-jornalista Rogério Gomes.

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