João Cottim Oliveira: “Queremos a internacionalização da APPC nos PALOP”

João Cottim Oliveira - agosto 2017

João Cottim Oliveira na “Villa Urbana” de Valbom / Foto: Pedro Santos Ferreira

João Cottim Oliveira foi eleito presidente da direção da Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) em finais de 2016 e lidera agora uma das maiores associações do país dedicada à paralisia cerebral. Ao Vivacidade, o dirigente aponta à internacionalização do projeto.

Comece por falar-nos do projeto APPC. Quando surgiu e com que objetivo?
O projeto surgiu no Hospital Maria Pia, em 1974, quando um grupo de pais que tinham filhos com paralisia cerebral pensaram em fundar a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC). Ao longo do tempo a associação foi sofrendo algumas contrariedades. O conceito inclusivo, tal como o conhecemos hoje, só aparece nos anos 90, porque a primeira preocupação deste projeto foi tentar encontrar soluções para os filhos daquele grupo de pais fundadores.

O projeto tem sede no Porto e chega a Valbom (Gondomar) em 2003. O que permitiu essa expansão e porquê Gondomar?
Não foi uma questão de preferência em relação a outros concelhos da Área Metropolitana do Porto. Gondomar surgiu como uma oportunidade, numa junção de vontades entre a Segurança Social – que é detentora do terreno – da APPC e do Município de Gondomar.

A construção deste espaço [Valbom] começou em 2000 e, a 28 de novembro de 2003 foi inaugurado.

Neste momento a APPC tem a Villa Urbana de Valbom, o Centro de Reabilitação, a Unidade Residencial Temporária e o edifício-sede, no Porto. Para a sede existe um projeto de reabilitação e uma candidatura a fundos comunitários. Como está esse processo?
Neste momento estamos em negociações com a Câmara Municipal do Porto e com entidades privadas, porque esse projeto tem que avançar este ano. A Câmara do Porto já aceitou uma das soluções propostas que prevê a cedência de um imóvel para construirmos uma sede com melhores condições.

Vão contar com algum apoio estatal para essa mudança?
Eu acho que o Estado não deve fazer tudo. Demos conhecimento do nosso problema e contamos com o seu apoio que é muito importante, mas achamos que as entidades privadas também têm que ser chamadas a intervir.

Além disso, com esta reabilitação, queremos adaptar a nossa sede a outros serviços, tais como uma residência universitária para estudantes que tenham paralisia cerebral.

Qual é o orçamento para esta intervenção?
Estamos a falar de um investimento avaliado em milhão e meio de euros.

Na Villa Urbana as instalações têm correspondido às necessidades?
Têm correspondido, mas a manutenção do equipamento começa a preocupar-nos. Queremos que a manutenção seja planeada para não esgotarmos o orçamento que temos.

Também estamos a tentar renegociar o protocolo que temos com a Segurança Social, que prevê a existência de quatro camas de prevenção para casos de emergência social. Não faz muito sentido porque a taxa de ocupação está lotada e já existe uma grande lista de espera.

Será uma das suas prioridades para este mandato?
Sim. Ainda estamos no início e queremos resolver esta situação.

Também queremos reformular o posicionamento da associação perante as cidades, neste caso Gondomar e Porto.

Outra questão que queremos procurar é a internacionalização da APPC nos PALOP. Queremos levar e trazer conhecimento e experiências. Queremos aprender com eles.

A internacionalização do projeto já tinha sido tentada?
A APPC está representada em vários fóruns internacionais, mas o nosso objetivo é alargar essa experiência à prática, sobretudo em novos territórios onde ainda não tínhamos chegado até agora.

Na Villa Urbana são também desenvolvidas outras atividades: ATL, Jardim-Infância… São respostas importantes para a comunidade?
É um apoio à comunidade e à própria cidade. Torna-se uma experiência enriquecedora para nós e funciona na nossa lógica de integração.

Gondomar ainda coloca entraves à deslocação e à mobilidade dos utentes da APPC?
Gondomar é um concelho rural, apesar de ter um lado mais urbano, por isso é natural que ainda existam muitos entraves à nossa deslocação. Os acessos não foram pensados para nós. Temos que ser capazes de exigir a intervenção dos poderes públicos nesta matéria.

Em Gondomar, a APPC integra a Rede Social do concelho. Esta parceria é estratégica para a associação?
É fundamental. Temos, por exemplo, a Fundação Nuno Silveira, que é um equipamento diferente do nosso e de referência, que presta serviços de qualidade. A integração na Rede Social de Gondomar permite-nos manter contacto com essa e outras associações e IPSS, o que só nos enriquece.

Num futuro próximo, a APPC poderá ter novos polos?
Existem outras associações como nós em vários distritos do país e, nesse sentido, não temos essa ambição.

Têm aqui a treinar dois medalhados paralímpicos. É um orgulho para a APPC?
É, sem dúvida. É resultado de um trabalho começado há muitos anos e é sempre positivo ter esse reconhecimento. Para nós é um orgulho acolher estes campeões.

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