José Sócrates lamentou o “estado da justiça” em Gondomar

José Socrates discursou no auditório do Hospital-Escola / Foto: Direitos Reservados

José Socrates discursou no auditório do Hospital-Escola / Foto: Direitos Reservados

No dia 30 de abril, o auditório do Hospital-Escola da Universidade Fernando Pessoa (HEUFP) recebeu o ex-primeiro-ministro José Sócrates, numa palestra organizada pelo Movimento Cívico Gondomarense – Liberdade e Cidadania. A iniciativa centrou-se no debate sobre o “Estado democrático e os direitos individuais”.

O Movimento Cívico Gondomarense (MCG) – Liberdade e Cidadania começou uma série de encontros para debater temas da atualidade. O representante do movimento, Fernando Duarte, abriu a palestra prometendo que continuará a “trazer grandes palestrantes a Gondomar”.

O primeiro encontro recebeu José Sócrates em clima de euforia. Convidado a falar sobre justiça, o antigo primeiro-ministro aproveitou para começar o discurso prometendo que não ia calar-se, mesmo que incomodasse muita gente. “Vou continuar a falar”, declarou.

Confrontado com o tema “O Estado democrático e os direitos individuais”, José Sócrates afirmou que faria a conferência “por legítima defesa” e para “denunciar todas as ilegalidades cometidas”, não só com ele mas com muitos outros. Ao longo do seu discurso, Sócrates deixou inúmeras críticas à forma como foi detido, considerando mesmo que se tratou de um “espetáculo de abusos”. “A prisão preventiva só é possível com provas fundadas”, começou por afirmar. “As provas não foram apresentadas porque nunca as tiveram. O que contaram aos portugueses foi uma monstruosa mentira”.

Após abordar o seu caso, José Sócrates não deixou de comentar a atualidade mundial. Relativamente a Dilma Roussef, o antigo primeiro-ministro considerou o ‘impeahcment’ um “golpe de justiça sem tanques contra a presidente, que não cometeu nenhum crime”. Paralelamente, não deixou de comentar que a situação europeia é “desoladora” e, desde 2011, tem vindo a tornar-se cada vez pior. Para terminar, Sócrates atravessou o Atlântico e criticou Donald Trump, candidato republicano à presidência americana.

Em conversa com o Vivacidade, Fernando Duarte declarou que a escolha de José Sócrates prendeu-se por este ser “um homem de referência que deu muito ao concelho”. Em relação aos futuros participantes, o MCG tem planos para outros encontros. “Queremos trazer um tema importante e atual a debate: os refugiados. Com esse intuito, vamos convidar o engenheiro António Guterres. Queremos ainda trazer outros convidados de diferentes áreas, como a cultura e a ciência. Este ano, contamos fazer mais quatro palestras”, anunciou o representante do movimento.

“Este movimento surge para debater ideias, promover a participação dos jovens na vida política e a cidadania ativa em Gondomar”

Fernando Duarte, fundador do movimento cívico, considera necessário preencher “um espaço vazio” no concelho. De acordo com o promotor do MCG, o movimento – atualmente composto por 15 elementos – visa “debater ideias, promover a participação dos jovens na vida política e a cidadania ativa em Gondomar”. “O projeto deverá tornar-se uma associação em breve, eleger corpos sociais e dar continuidade às conferências com convidados de renome”, acrescenta Fernando Duarte. As palestras promovidas pelo MCG terão uma periodicidade mensal.

“O nosso objetivo é realizar iniciativas em vários locais do concelho. Temos bons espaços e iremos solicitar a cedência dos mesmos, inclusive nas escolas”, conclui o promotor do movimento.

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