Leonor Rolla: “Ainda não tive a oportunidade de ter um trabalho profissional em Gondomar, mas claro que gostava muito. É a minha cidade e sempre fui bastante ligada a casa”

Leonor Rolla - abril 2017

Leonor Rolla, 25 anos, é atriz desde pequena / Foto: Direitos Reservados

Leonor Rolla, 25 anos, atriz gondomarense, desde cedo percebeu quão sábias foram as palavras de Confúcio. “Escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”. Assim fez Leonor e vai continuando, de palco em palco, até que o sonho da televisão se torne realidade.

Como surgiu a paixão pelo teatro e pela dança?
Vem de muito pequenina. Em criança tinha demasiada energia e estava sempre a fazer espetáculos para os meus pais e para toda a gente. Quando tive a experiência dos espetáculos de ballet, a partir dos 4 anos, fiquei apaixonada pelo palco. Esses momentos tornaram-se os mais felizes da minha vida, até aos dias de hoje. Aos 7 anos, a minha professora de canto, Maria Manuel Monteiro, levou-me até à final do concurso televisivo infantil “Os Principais” e isso trouxe-me também a paixão pela performance em frente ao ecrã.

Relativamente à tua formação específica, tiveste que passar por várias etapas?
Sim, comecei com o ballet desde os 4 anos, bem como o canto e o piano. No

secundário juntei o teatro a tudo isto​​. Estudei as três componentes do teatro musical em separado. Em 2009, fui fazer um curso de verão e no final atribuíram-me o “Class Prize” de melhor aluna do curso, aumentando a minha esperança. Em setembro desse ano, decidi candidatar-me à Licenciatura de Teatro Musical na Universidade em Londres.

Já no terceiro ano escolh​í​amos para que companhia íamos: de ballet, de contemporâneo, de jazz ou de teatro musical (a que eu escolhi). Tínhamos todas as semanas coreógrafos/encenadores a dar-nos​ workshops dos musicais​ do WestEnd​ em que trabalhavam. No final do curso, assinei com a agência Jaffrey Management. Em 2014, voltei para Portugal e fiz a pós​-​graduação em estudos músico​-​teatrais na ESMAE, durante a qual fiz vários espetáculos, incluindo a “​Ó​pera dos 3 Vinténs”. Em 2015, fiz também o mestrado em canto, enquanto dei sapateado no ensino articulado em São João da Madeira. ​No verão de 2016, decidi fazer um curso intensivo​​ de “Camera Acting for TV and Film”, na American Academi​y​ of Dram​atic​ Arts, que marcou o novo rumo do meu percurso.

Qual o professor que mais te marcou durante a tua longa caminhada?
​Inicialmente, a minha professora de dança moderna na Escola de Dança de Ermesinde, Joana Pinto, foi quem me deu o empurrão para ir estudar para Londres, onde ela também tinha estudado. Entretanto, durante a licenciatura em Londres, a​s​ minha​s​ professora​s​ de Drama, Jane Atkinson e Clare Calder, diziam-me constantemente que eu devia apostar em televisão, o que, de certa forma, influenciou o percurso que agora estou a tomar – incluindo a minha decisão de ir fazer o curso a Los Angeles. Tenho também de mencionar o diretor da companhia de TM do 3.º ano da licenciatura, Matthew Shaw, que preparou a turma como se já fosse profissional, dando a oportunidade de trabalhar com pessoas da área e habituando-nos a nunca dar menos do que o máximo.

Como te sentiste ao trabalhar com pessoas como​ o realizador Scott Reiniger e Dan Shane, o diretor de casting da série “Casos Arquivados”?
​Foi fantástico! O curso em Los Angeles foi das melhores experiências da minha vida. Os três professores deram-me um feedback fantástico, motivando-me a seguir com a carreira de representação para o ecrã. O​ Scott até me escreveu uma carta de recomendação. Com ele pude experienciar o verdadeiro trabalho em estúdio, como se estivesse mesmo nas gravações de uma série. Com o Dan, treinei “Audition Technique” e ele é uma pessoa implacável, diz exatamente aquilo que um júri pensaria da nossa prestação. 

E com Ivar Brogger, ator da “Anatomia de Grey”, o que aprendeste?
Com o Ivar Brogger pude esclarecer todas as dúvidas sobre trabalhar em séries e filmes em Los Angeles, desde o momento em que se é selecionado até ao trabalho “on set”, algo que não é mesmo nada fácil.

Já tiveste formação ou algum trabalho no concelho de Gondomar?
​As minhas primeiras experiências em todas as áreas foram em Gondomar. Em dança foi no Externato de Santa Margarida, em canto foi na Escola de Música Pausa e em teatro​ foi no grupo de teatro da Escola Secundária de Gondomar, que, atualmente, se transformou nos In Skéne. Ainda não tive a oportunidade de ter um trabalho profissional no concelho de Gondomar, mas claro que gostava muito. Trata-se da minha cidade e sempre fui bastante ligada à minha casa.

Atualmente, o que estás a fazer dentro desta área?
Tive a excelente notícia de que a ​“B​​​​​ela e o ​M​onstro” ia entrar em digressão em 2017 e pediram-me para aprender um novo papel, a i​rmã maléfica da Bela, o que foi um desafio, porque tive​ apenas​ uns dias para decorar o papel ​e​ apenas dois ensaios antes da digressão. Já fomos a Anadia e ​às ​C​aldas da ​Rainha e em junho vamos a Faro e Setúbal. Estamos ainda à espera da confirmação para mais locais​, quem sabe até Gondomar​. Neste elenco houve pequenas alterações e agora trabalho com os atores Carla Salgueiro, Elsa Galvão e Kapinha, entre outros. Entretanto, em Lisboa, fui selecionada para dobrar uma série infantil​, mas ainda não ​estou autorizada a​ dizer qual é. Vai passar na Netflix​.

A nível de futuro, o que auguras para a tua carreira nos próximos anos?
​É difícil prever o futuro nesta carreira. Prevejo muita luta, incluindo a capacidade de lidar com rejeições que estão sempre presentes na vida de um ator, e uma inevitável instabilidade – porque tanto se tem um trabalho fantástico durante três meses, como depois se pode passar outros três sem que apareçam audições. Daí ser muito bom ter os cursos de professora de moderno e sapateado, para poder trabalhar noutras áreas um pouco mais estáveis.

Mas o que é que verdadeiramente desejas?
Desejo continuar a fazer musicais, visto que conjugar o teatro, o canto e a dança é o que mais me faz sentir preenchida. Pretendo também fazer trabalhos para televisão e para o grande ecrã. Tenho a sorte da minha agência estar a conseguir arranjar-me algumas audições nesta área e continuar a ter trabalhos de dobragem, até porque foi uma nova área pela qual me apaixonei.

, , ,