Lipor e Município de mãos dadas no combate à poluição no rio Tinto

A poluição por odores é a segunda maior razão de reclamações ambientais por parte dos cidadãos, é nessa linha que surge a aplicação “OdourCollect” que se encontra inserido no projeto D-NOSES. O intuito da app é que os cidadãos possam denunciar os maus odores provenientes da água do rio, identificando foques de contaminação. O VivaCidade esteve à conversa com o Vereador do ambiente, José Fernando e com a Técnica da Lipor Catarina Almeida.

O projeto D-NOSES consiste num projeto financiado pela União Europeia, no valor de 3 milhões de euros, no âmbito do H2020, lançado há dois anos, em abril de 2018, em Londres. O consórcio do projeto é coordenado pela Fundação Espanhola, a IBERCI-VIS, que por sua vez é composto por 15 parceiros a nível mundial.

É no âmbito deste projeto que a LIPOR, como parceiro e de modo a decidir qual o piloto a desenvolver, decidiu incluir potenciais propostas de problemas de odores que se verificam nos Municípios Associados, que correspondem aos quatro concelhos abrangidos pelo rio- Gondomar, Valongo, Maia e Porto. O projeto escolhido “Rio Tinto”, é segundo Catarina Almeida um caso piloto diferenciado que pretende proteger o rio Tinto e melhorar o ambiente.

> Catarina Almeida

Para o Vereador José Fernando, esta aplicação “é uma tecnologia de ciência cidadã, prática e versátil” que incentiva os cidadãos a denunciar possíveis focos de poluição tornando-os agentes ativos da sociedade. Catarina Almeida adianta ainda que “existem movimentos cívicos locais, cujos membros se tornam vigilantes do rio Tinto e que em muito contribuem para a melhoria do seu estado ecológico”.

Segundo Catarina, a exposição de odores pode ser responsável por alguns problemas de saúde e a sua in- comodidade, é um indicador de problemas ambientais maiores, como por exemplo a poluição dos cursos de água. Para a técnica da Lipor a falta de regulamentação nesta matéria leva a menos estudos técnicos e, consequentemente, a poucos dados sobre a poluição por odor.

No entanto reconhece, que é difícil a medição e a análise da incomodidade de odores, sendo assim importante a ajuda por parte da população, “os cidadãos podem ser uma força motriz para a mudança, participando ativamente na monitorização e no registo dos odores”, para a responsável “o melhor medidor de odores é o nariz humano”.

> Vereador José Fernando

O vereador responsável pelo ambiente da Câmara Municipal de Gondomar, acrescenta que com esta aplicação torna-se mais fácil uma “identificação e atuação mais célere pelas Entidades competentes no cumprimento das diretrizes da Diretiva Quadro da Água”. José Fernando adianta que “a breve prazo teremos outro painel na ribeira da Archeira, junto ao Rio Douro” e caso o aplicativo tenha adesão por parte dos cidadãos, “o município poderá equacionar a dispersão de painéis junto a outros rios ou unidades industriais, onde os odores possam ser sinónimos de falta de saúde e qualidade de vida”.

O Vereador acrescenta ainda que o Município e a Lipor contribuíram para a escolha técnica da área piloto para implementar esta experiência, tendo sido o critério de seleção o trabalho que tem vindo a ser realizado na “caracterização e requalificação” do rio Tinto, iniciado por ambas as entidades nos últimos anos.

Após a denuncia ser realizada, cada piloto consegue aceder ao BackOffice da APP para retirar os registos efetuados, tratá-los, analisá-los e validá-los. Realizada a denúncia, torna-se possível identificar um foco de odores e investigar até que ponto é um indicativo de poluição.

A APP OudorCollect é gratuita e encontra-se disponível no Portal da Lipor (www.Lipor.pt) ou na PlayStore para Android e na AppleStore para iOS. É necessário realizar um registo com um email e password, sendo atribuído um no de utilizador. ▪

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