Marco Martins: “Tivemos que adotar uma Comunicação de Choque” para sensibilizar os Gondomarenses

Marco Martins e Cláudia Vieira
> Vereadora Cláudia Vieira com o Presidente Marco Martins

Devido à situação epidémica que Gondomar está a viver, a Câmara Municipal de Gondomar teve que implementar medidas para assegurar a segurança de todos os cidadãos. O VivaCidade esteve à conversa com o Presidente Marco Martins e com a Vereadora Cláudia Vieira

Como vê o desempenho das autoridades Gondomarenses no combate ao COVID-19?

Na minha opinião, Gondomar começou a preparar-se muito antes, nós quando tomamos conhecimento das consequências que este vírus poderia ter para a população, a 8 de março, começamos a delinear um plano para assegurar a segurança da população. E, logo a 13 de março, encerramos todos os equipamentos e suspendemos algumas atividades não urgentes, tivemos também o cuidado de reunir com as Juntas de Freguesias (um parceiro muito importante nesta matéria), com a proteção civil, com os bombeiros, a polícia e com outras instituições de Gondomar. Portanto, fizemos um trabalho muito atempadamente, o que nos permitiu estar preparados e ter uma melhor capacidade de resposta perante a situação. Posso dizer que, até ao dia 18 ou 19 de março reunimos com todo o pessoal e planeamos, como por exemplo, o encerramento dos ATL, das creches, dos centros de dia, e preparamos as medidas de apoio às famílias que estavam sem retaguarda e contactamos telefónicamente um a um os 18 500 idosos do programa Idade D’Ouro. Como já referi, toda esta situação foi tratada com muito planeamento e com muita antecedência. As respostas foram dadas em articulação com os serviços de saúde, com as forças de socorro e segurança (PSP, GNR, Polícia Municipal e as Corporações de Bombeiros). Nós quando vimos que íamos precisar tratamos logo de comprar, por volta do dia 12 ou 13 de março tudo o que havia no mercado de equipamento de proteção individual. Chegamos a contactar empresas em Santarém para comprar material para as IPSS’S, para as Forças de segurança e de Socorro e até para os Centros de Saúde, já doamos muito material aos Centros de Saúde. Repare bem que, mesmo à pouco a Vereadora Cláudia foi comprar sacos para os centros de saúde colocarem os testes. Se não fosse as Autarquias de Portugal esta situação teria sido muito mais grave e difícil de controlar, porque os serviços do estado não conseguem ter capacidade de resposta operacional direta. O trabalho que foi até agora realizado tem sido muito grande e permitiu resolver muitas situações. E apesar de já ter mencionado isto que vou passar a dizer várias vezes, faço questão de voltar a repetir: Eu vi muitos Presidentes de Câmara a aproveitar esta situação para aparecer na televisão e a fazer espetáculos onde reclamavam coisas, que apenas eram da sua competência. Por exemplo, aqui em Gondomar, nós tivemos um caso muito sensível e que já é público da Fundação Nuno Silveira, onde teve 28 infetados em 32 utentes, e como puderam constatar, na altura, não apareceu uma única linha nos jornais ou nas televisões, não nos pusemos em bicos de pés, isto porque resolvemos internamente todo este problema fruto de um trabalho em rede e bem articulado. Apenas uma semana e tal depois, surgiu a notícia no Correio da Manhã, porque alguém decidiu fazer queixa. O trabalho que foi realizado para ajudar a instituição foi efetuado por mim e, em especial, pela Vereadora Cláudia Vieira. Com um acompanhamento permanente, conseguimos fazer os testes no fim de semana e todos os utentes e funcionários foram testados e separamos os casos positivos, dos negativos. Doamos material à Fundação e a equipa especial da GNR foi ao estabelecimento realizar uma desinfeção rigorosa de todo o espaço. Tudo isto, porque estávamos muito bem preparados. Fizemos ainda questão de montar os Centros de Acolhimento Temporário que, felizmente, até hoje, não foi necessário utilizar nenhum. Portanto, é minha obrigação realizar um agradecimento público a todos os que estiveram envolvidos neste planeamento- Agentes de socorro e segurança, IPSS, às Juntas, aos centros de saúdes, ao ACES de Gondomar- todos eles foram e continuam a ser inexcedíveis nesta articulação. E, também, um agradecimento que é devido a muitas Empresas que fizeram questão de apoiar com aquilo que podiam em materiais de proteção e bens alimentares. Também estamos a fornecer, cerca de 112 refeições por dia às famílias que mais necessitam, através das cantinas das escolas e com a colaboração das Juntas de Freguesia.

Qual foi o momento mais difícil que teve que enfrentar enquanto Presidente de Câmara neste período?

Foram muitos os momentos difíceis. Mas penso que o que marcou mais foi quando tive que fazer o “grito do Ipiranga” em que tive que reclamar com a falta de testes em Gondomar. E, só após de esgotar os mecanismos normais, que passou pelo contacto com o governo, com a Ministra e com o secretário de estado, tive que fazer “um grito” e dizer que Gondomar e o Norte de Portugal estavam prejudicados e, felizmente, valeu a pena, porque à data de hoje, estamos a realizar 250 a 300 testes por dia. As pessoas tinham a necessidade e precisavam de acabar com a ansiedade de saber se estavam negativos ou positivos, após terem a prescrição pelo médico. Portanto, houve aqui várias situações complicadas. Depois do “grito que dei”, criamos, para além do Multiusos de Gondomar que neste momento vão aumentar mais 150 testes por dia, um novo local no SASU, que é o local de atendimento ao doente com COVID-19 feito pela equipa do ACES que é feito no Centro de Saúde de Gondomar. Em simultâneo, estamos desde a semana passada com uma equipa móvel que têm o apoio da Câmara e com técnicos do ACES a realizar testes em todos os lares de idosos e fazemos quer funcionários, quer utentes e, apesar dos casos darem negativos, não podemos baixar a guarda nesta situação. E, a Autarquia teve o cuidado de abastecer desde o início desta epidemia todos os lares solidários de Gondomar com equipamentos de Proteção individual, o que foi extremamente relevante para os resultados que negativos que foram anunciados.

Sentiu o apoio de todos os partidos com as medidas que foram implementadas pela Câmara e pelo Governo?

Sim, posso dizer que sim. Obviamente que nós fomos informando os vereadores da Câmara tudo aquilo que estava a acontecer e, portanto, fui dando nota e fui recebendo mensagens de apoio e suporte, nomeadamente da CDU e do grupo Valentim Loureiro. Quando realizamos a primeira reunião de Câmara, porque houve uma que não conseguimos realizar porque estávamos completamente saturados de trabalho, as medidas do Gondomar Protege foram aprovadas por unanimidade. Portanto, houve um grande consenso e partilha de informação, com um espírito de abertura sempre presente caso, alguém quisesse sugerir alguma medida eu estava à distância de um telefonema ou de um email.

Quanto a tudo o que foi solicitado ao Governo central as coisas foram chegando?

É mais ao contrário, o Governo é que ia solicitando às Câmaras, na prática os pedidos de ajuda eram mais decorrentes de cima para baixo. Tudo o que foi implementado e disponibilizado foi graças à proatividade e ao orçamento da Câmara de Gondomar. A única coisa que veio do Governo e da ARS foi a contratação do laboratório para realizar os testes no Multiusos.

De todas as medidas que foram implementadas, sentiu o respeito e cumprimento por parte dos Gondomarenses? Nomeadamente, as medidas de confinamento.

Nas primeiras duas semanas, houve uma altura em que tivemos de realizar vários apelos porque as pessoas não estavam bem sensibilizadas com a gravidade da situação e desrespeitavam as medidas. Já não me recordo ao certo a data, mas tivemos que encerrar os passadiços numa terça feira, quando só íamos encerrar no domingo seguinte, porque as pessoas não respeitavam. Então, tivemos que adotar uma Comunicação de Choque, que passou por mostrar os números de casos que estavam a subir diariamente em Gondomar e, que ainda hoje há em Gondomar, como em todo o país, para que, assim as pessoas pudessem ficar assustadas e começar a cumprir as normas. A verdade é que na primeira vez que foi implementado o Estado de Emergência o incumprimento foi melhorando significativamente.

E, quanto às medidas de apoio que irão fornecer as Coletividades de Gondomar? O que nos tem a dizer sobre o assunto?

Nós por norma abrimos em abril, o programa do movimento associativo em que, a Coletividade se candidata seja no setor cultural, recreativo, desportivo e ou social, dizendo todo o programa que pretendem realizar durante o ano. Depois em junho realizávamos uma cerimónia no auditório e entregávamos os protocolos. E, o que é que nós achamos? Que não era altura para a Câmara estar a pedir papeis e as pessoas entregarem e andarem a se reunir, por um lado, mas por outra perspetiva a Autarquia não poderia virar a cara às Coletividades e, nem poderíamos estar a adiar isto para depois do Verão. Assim, pegamos no valor monetário e, com base no que foi entregue no ano passado, demos um adiantamento. Esses 350 mil euros, foram divididos. E o adiantamento que foi realizado foi de 50% para as Coletividades da área desportiva e socio educativa, ou seja, para o desporto e para as Associações de pais, porque são por época ou ano letivo e terminavam em junho deste ano. Já as Associações culturais, recreativas e sociais que são para o ano civil, demos já um terço do valor, cerca de 33%. Portanto, uma Associação que no ano passado recebeu de apoio 1000 euros, respeitante aos doze meses de atividade devidamente justificada, vai receber um adiantamento de 300 euros ou 500 depende do setor em que se insere como já expliquei.

Gondomar desde o início desta pandemia encontra-se a oscilar entre o quarto e o sétimo concelho com mais números de infetados, consegue explicar o porquê?

Primeiramente, os números que nós temos são diferentes quanto aos números que são disponibilizados pela Direção Geral da Saúde, nunca batem certo. Mas é fácil perceber o porquê. Em primeiro lugar, Gondomar é um concelho com uma grande mobilidade pendular, ou seja, muitos Gondomarenses ainda se encontram a trabalhar e com um grande movimento nos transportes públicos, posto isto, é normal que os números sejam significativos. Obviamente que, preferia que fossemos o último, mas devido a proporção e escala do número de habitantes do Município já era previsível.

Ficou surpreso com os atos solidários que os Gondomarenses têm vindo a demonstrar nesta fase?

Muitas empresas e particulares disponibilizaram os seus recursos e casas para ajudar. Temos um exemplo de um cidadão que é Polícia, mas que se encontra em Lisboa contactou a Câmara para informar que tinha um apartamento vazio e que poderíamos realojar no local algum profissional de saúde que assim necessitasse. De forma geral, esta situação demonstrou a solidariedade das pessoas e, como autarquia, percebemos que muitos cidadãos têm ajudado e colaborado com o que podem. Nota-se a existência de uma sintonia entre todas as entidades, bem como entre a população de Gondomar.

A Câmara vai apoiar de alguma forma o comércio local?

Como já foi divulgado, nós isentamos por três meses as taxas correspondentes à publicidade, à ocupação de via pública, às esplanadas, entre outras, assim, todas as taxas que os empresários pagam diretamente à Câmara Municipal foram extintas durante este período. Assim como isentamos durante três meses as rendas das habitações sociais, as feiras, os mercados, as empresas situadas no Gold Park e os bares que a Câmara possui. Tudo aquilo que estava ao nosso alcance para isentar já o fizemos. Há uma coisa que nós queríamos ter isentado, que não depende de nós, mas que não tivemos recetividades que era as Águas de Gondomar. Nós insistimos e propusemos à empresa que durante este tempo que isentassem a taxa de disponibilidade, quer da água quer do saneamento e não houve recetividade da empresa para o fazer. A proposta que nos fizeram para ajudar os Gondomarenses era miserável, era dar 75 000 euros de escalão social que dava para uma pequena percentagem (cagagésimo) na fatura dos Gondomarenses. Nós tentamos e pedimos, mas infelizmente, não obtivemos a validação da empresa.

E qual foi o argumento da empresa para não aceitar a vossa proposta?

Foi que a empresa também tem financiamento e quebra da receita.

Para terminar, quanto é que a Câmara já disponibilizou e quanto já perdeu com esta epidemia?

Em equipamento de proteção a Câmara já disponibilizou cerca de 300 mil euros, tudo suportado pelo Município, sendo que, este valor poderá aumentar. Tudo somado, entre quebras de receita e despesa direta e indireta com o Covid-19 a autarquia já gastou cerca de 3 milhões de euros.▪

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Um comentário em “Marco Martins: “Tivemos que adotar uma Comunicação de Choque” para sensibilizar os Gondomarenses
  1. O Presidente Marco Martins fala, fala, mas é conversa para enganar o povinho.
    Não conseguiu convencer as Águas a isentar a água e o saneamento, porque nao depende dele. Aliás parece que rejeitou 75.000 euros, que para ele é um cagagésimo mas para quem precisa era uma ajuda.

    Mas então se é assim tão amigo dos gondomarenses porque nao isentou as tarifas de resíduos sólidos? Essa só depende da Câmara. Ou seja, no que depende dele nem sequer um cagagésimo para ajudar a população.

    Mas para as coletividades dos amigos que ajudam nas camopanhas eleitorais e arranjam os votos deu 350.000 euros.

    UMA VERGONHA!

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