Maria de Lurdes Delgado: “Há pessoas que não estão dispostas a assumir responsabilidade pelos animais”

> Lurdes Delgado na companhia da cadela Kika.

Em 2005, nasceu o projeto os Animais da Quinta, em que um grupo de voluntários apaixonados pelos amigos de quatro patas decidiram criar esta associação. O VivaCidade esteve à conversa com Maria de Lurdes Delgado, presidente da Associação Animais da Quinta, para perceber o legado da instituição.

Como é que surgiu esta associação? Conte-nos a vossa história.

A associação inicialmente estava situada em Melres, era mais pequena, tinha menos boxes, mas depois houve alguns problemas com a antiga direção e tivemos de sair do antigo local. Viemos parar a este terreno, em Covelo, emprestado por um familiar de uma voluntária e instalamo-nos aqui, temos um contrato comodato e já cá estamos há 13 anos. É uma zona bastante sossegada e nunca tivemos problemas. Entretanto a outra direção saiu, houve várias direções a seguir e agora estou eu, vamos ver até quando…

Atualmente, temos 15 boxes e normalmente não excedemos os 30 animais, não vou dizer que não haja mais 2 ou 3, se se derem bem conseguimos encaixar mais animais, mas nunca muito mais do que 30, até porque depois falta-nos verba para tratar, os animais. Precisamos de ter consciência que não podemos dar um passo maior do que a perna.

Como é que conseguem os fundos? Têm a ajuda de instituições ou entidades?

Não, não temos ajuda de instituições nenhumas, as pessoas podem fazer-se sócias, temos um grupo de sócios, temos padrinhos para alguns animais e depois fazemos dinheiro das mais diversas formas, organizamos eventos, por exemplo no nosso aniversário fazemos um evento com comidas e bebidas e as pessoas compram-nos artigos que fazemos como canetas e outros produtos de merchandising. Fazemos feiras de usados, aceitamos coisas usadas e depois vendemos, também fazemos recolha de sucata, juntamos tudo o que é metal para vender para angariar dinheiro, realizamos uma serie de malabarismos. Muita gente também faz donativos porque gostam de animais e querem ajudar simplesmente.

O abandono de animais, hoje em dia, é ainda um problema recorrente?

É um problema muito grande que tem vindo a aumentar, este ano tenho notado muito e acho que em 2020 o número vai aumentar, ainda mais porque foi implementada aquela lei da obrigação de colocação de microship e as pessoas só com o facto de terem de colocar um microship vão obrigá-los a gastar algum dinheiro e há pessoas que ainda não estão capacitadas de ter um animal, porque têm as suas despesas e gastos, no entanto, também há casos em que as pessoas não estão dispostas a assumir responsabilidade pelos animais.

Qual é a sua opinião quanto ao processo de compra de animais em vez de adoção?

Eu sou contra. A associação também é contra à venda de animais, mas infelizmente há comércio de animais, no entanto para comprar e vender animais tem de haver uma regulamentação muito apertada entre os produtores. Há produtores bons, que vendem animais com todas as qualidades das raças, infelizmente, também há muitos produtores em que muitas são criações de garagem, muitas pessoas que acabam por fazer criação com os seu animais e vendem mais barato  no processo de compra e não estão a ver se o animal está saudável ou se é bem tratado.

Quando eles são “dispensados” das famílias, abandonados, muitos são mal tratados. Há alguma história marcante?

Sim, temos o caso da Mel, que foi atirada para o terreno esfaqueada, tinha 4 golpes penso eu, é uma cadela muito traumatizada, já esta muito melhor, mas não me parece que vá recuperar mais do que já recuperou. É uma podenga, talvez cão de caçador, presumo que não caçasse o que queriam e foi descartada e atirada para aqui. 

Qual é a vantagem de adotar estes animais?

Nós no abrigo não temos ninhadas porque isto é um terreno, é campo e sabemos que há doenças complicadas para os bebés, como a parvovirose, a leptospirose, todo tipo de doenças que uma zona rural pode trazer, por isso os bebés normalmente vão para casa de um voluntário ou para minha casa. Aqui no terreno só entram cães a partir dos 6 meses. As ninhadas normalmente são adotadas com alguma facilidade e rapidez porque as pessoas costumam pedir bebes pensando que se adaptam melhor e são mais fáceis de educar à sua maneira, o que é um erro, as pessoas educam à sua maneira, mas a vantagem de um cão adulto é que já passou a fase de roer, já passou a fase de fazer disparates, é um cão que normalmente já vem com regras e mesmo que não tenha muitas regras, aprende como um bebé, é um cão muito mais agradecido e calmo.

Como é que as pessoas podem entrar em contacto com vocês?

Temos o facebook da Associação Animais da Quinta, as pessoas normalmente mandam mensagens e quem lê as mensagens encaminha para os emails, temos o email de adoções, da direção, o geral e o do voluntariado. O António normalmente responde aos sócios, a Marlene a apadrinhamentos, temos outros voluntários que recebem os voluntários, eu normalmente respondo ao geral e ao da direção, mas independentemente do assunto, podem entrar em contacto para o facebook. 

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