Melo Marques: “Há uma dialética entre o espírito mais-que-perfeito, Deus e o seu papel”

Entrevista a Melo Marques - março 2016

Melo Marques, autor do livro “A Ponte sobre o Rio Mandovi” / Foto: Pedro Santos Ferreira

Melo Marques, 70 anos, portuense e residente em Gondomar, lançou em novembro o livro “A Ponte sobre o Rio Mandovi”, o mais recente romance do autor. O livro foi apresentado no dia 26 de fevereiro, na Biblioteca Municipal de Gondomar.  

O que o motiva a escrever novos livros?
Melo Marques (MM) – Absolutamente nada em especial. Faço-o espontaneamente. As histórias que escrevo surgem com naturalidade, sem propósito predefinido para escrever. Provavelmente não irei escrever um quarto livro.

Quando é que sente que tem uma história para contar?
MM – Não sei, escrevo por impulso. Gostaria de escrever um livro sobre o fenómeno da aparição de Fátima aos pastorinhos, mas julgo que não o farei. Essa obra obrigar-me-ia a uma pesquisa muito apurada e provavelmente isso não irá acontecer.

Considera-se um escritor ou um contador de histórias?
MM – Nem uma coisa nem outra [risos]. Não tenho jeito para nenhuma delas, faço isto para meu prazer pessoal. Evidentemente gosto que me façam críticas positivas mas escrevo para ter o prazer da escrita e da história.

Há uma continuidade nas suas obras ou todas são independentes?
MM – Os livros são independentes mas há um tema transversal que se prende com as questões: quem somos, de onde vimos e para onde vamos? Este último livro é mais apurado nessa matéria.

O que podemos esperar deste livro?
MM – Há uma história sobre uma ideia que pode chocar a maioria das pessoas. Este livro fala do princípio, da evolução e do final do espírito. Além disso, há uma dialética entre o espírito mais-que-perfeito, Deus e o seu papel. Há uma abordagem romanceada sobre essa questão.

A história começa em 1964, em Vila Nova de Gaia…
MM – Exatamente, e traz muito do cenário que existia naquele momento. O livro também nos fala do 25 de Abril e vai até 1981. O personagem principal é advogado e a história gira em torno dele.

Sendo o autor advogado e de Vila Nova de Gaia, podemos afirmar que há uma ligação à sua vida?
MM – Sim. Os livros anteriores também contam com um advogado como personagem principal.

Quanto tempo demorou a preparar este livro?
MM – Entre o início do livro e o seu final passou cerca de meio ano.

No processo criativo conta sempre com um trabalho de investigação…
MM – Houve necessidade de investigar o processo espiritual. Tenho alguma intuição para determinado tipo de fenómenos mas gosto sempre de procurar mais informação. A nível histórico também contei com alguma pesquisa que me permitiu recordar alguns pormenores esquecidos, nomeadamente de Vila Nova de Gaia.

Como autor qual é o maior elogio que lhe podem fazer?
MM – Se disserem que gostaram dos meus livros fico todo satisfeito [risos]. Reconheço que os temas dos meus livros podem ser polémicos e pouco usuais, daí que os leitores possam gostar ou não.

Os seus leitores podem contar com um quarto livro?
MM – É difícil que venha a escrever um quarto livro.

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