Miguel Gomes: “O meu objetivo é sempre voltar, infelizmente não vejo condições em Portugal para criar um futuro independente”

Natural de Soutelo Rio Tinto, Miguel Gomes, com 24 anos, decidiu deixar a sua terra Natal, em busca de um futuro melhor. Atualmente, com 27 anos, desvendou tudo sobre a sua aventura ao Vivacidade.

Qual a tua formação académica?

Após terminar o ensino secundário, ingressei no ISEP, no curso de engenharia química, no entanto, desisti após alguns anos quando decidi ir para Inglaterra.

O que é que te levou a emigrar?

O facto de não me ter relacionado muito com as disciplinas do meu curso fez com que, em certo momento, me sentisse um pouco perdido, sem grandes perspetivas para o futuro. Foi aí que decidi emigrar quando surgiu a oportunidade através de um amigo. As condições de trabalho eram aliciantes relativamente ao que se vive em Portugal. Não pensei duas vezes.

Porquê Inglaterra?

Inglaterra porque as condições de trabalho oferecidas, inclusivamente para trabalhos não qualificados, são bastante superiores em relação a Portugal. Também se vive com uma mentalidade mais aberta e isso reflete-se na progressão pessoal e profissional.

Quais as diferenças que encontraste nos primeiros meses? A cultura é muito diferente? A tua adaptação foi fácil?

As diferenças mais evidentes são claramente o clima e a gastronomia, que é inexistente. É um país muito cinzento na maior parte do ano, e a nível de alimentação o melhor é mesmo habituarmo-nos a cozinhar em casa, senão corremos o risco de praticar uma alimentação só ao nível de feijões e bacon. Outra diferença notória é a educação e abertura de mentalidades dos britânicos, são um povo bem-educado e disponível. Aqui não há espaço para preconceito ou discriminação. A nível cultural há algumas diferenças. Aqui tomam-se as refeições mais cedo e a nível de diversão noturna tudo termina bem mais cedo em relação a Portugal. A alimentação baseia
se muito em fritos e gorduras e não há muito a cultura de comer peixe. Também não podemos esquecer o típico chá das 5, e claro está, o Pub. A minha adaptação foi relativamente fácil já que as diferenças não são tão extremas quanto isso.

Atualmente, qual é a tua profissão?

Sempre estiveste ligado à área? Fala-nos um pouco sobre isso. Atualmente sou coordenador de operações no maior armazém de distribuição da Europa, na cidade de Reading. É a primeira experiência na aérea da logística e transporte que estou a ter. Comecei como simples operário de armazém, um trabalho puxado fisicamente, três anos depois trabalho em frente a um computador e sou responsável pelo bom funcionamento das operações no armazém.

Continuas a seguir as notícias em Portugal?

Sim, tento acompanhar a atualidade portuguesa, quer através da Internet ou através da família e amigos, e pelo que tenho visto, não voltarei tão cedo, infelizmente.

Diz-me uma diferença que gostarias de implementar em Portugal que consideres relevante em Inglaterra?

Em Portugal muito dificilmente se arranja trabalho decentemente remunerado sem qualquer diploma ou curso e mesmo experiência. Aqui em Inglaterra mais que tudo valoriza-se muito a atitude e vontade de aprender, o que abre muitas portas nas mais diversas áreas sem ser necessário altas qualificações.

Porque é que te vais mudar para Escócia?

A mudança para a Escócia prende-se principalmente com a diferença no preço das rendas. Em Inglaterra o mercado imobiliário no geral é muito inflacionado. Outro ponto em consideração é o facto de a Escócia ser um país com uma belíssima arquitetura paisagística e com um estilo de vida menos acelerado quando comparando com Inglaterra. E não esquecer, o Brexit, claro!

Sentes falta dos teus? O contacto é fácil?

Sim, sempre fui muito ligado aos meus amigos e família, com o tempo torna-se mais fácil suportar a ausência deles, até porque o contacto é diário, quer através de mensagens ou videochamada. Tento sempre visitar com frequência.

Pensas um dia voltar? Se sim, quando?

Sim! O meu objetivo é sempre voltar, infelizmente para já não vejo condições em Portugal para criar um futuro independente. Quem sabe dentro de uns aninhos!

O que é que te causa mais nostalgia do nosso país?

Sair à noite para o café com os amigos, ouvir asneiradas típicas, discutir futebol com paixão, passear na baixa com todo aquele mar de gente, a vizinha do lado a espreitar pela janela… Enfim, podia estar aqui o dia todo!

Já que estamos na época natalícia? Como é o Natal em Inglaterra? É muito diferente do nosso português? Costumas passar o Natal em Portugal?

O natal em Inglaterra é semelhante, menos o bacalhau e as rabanadas! Infelizmente desde que emigrei não passei nenhum natal em Portugal por motivos profissionais. No próximo ano será diferente! ■

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