Município garante apoio financeiro à Fundação Júlio Resende

Guilherme Figueiredo, presidente do Conselho de Administração da Fundação Júlio Resende

Guilherme Figueiredo, presidente do Conselho de Administração da Fundação Júlio Resende / Foto: Pedro Santos Ferreira

A Câmara Municipal de Gondomar aprovou no dia 3 de fevereiro, por unanimidade, a celebração de um contrato-programa com o Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende. A medida visa o “apoio ao desenvolvimento das atividades culturais” da instituição.

De acordo com a minuta de contrato aprovada na última reunião pública realizada no edifício da Junta de Freguesia de Covelo, o objetivo do Município e da Fundação Júlio Resende, sediada em Valbom, assenta na promoção de “sinergias que em tudo contribuam para o engrandecimento cultural da comunidade municipal”. Assim sendo, a autarquia compromete-se a potenciar as atividades desenvolvidas pela instituição que tem vindo a debater-se, nos últimos anos, com dificuldades económico-financeiras.

O problema pôs em causa o cumprimento dos objetivos estatutários da fundação, onde se prevê, também, que a Câmara Municipal de Gondomar esteja representada no Conselho de Fundadores.

A Fundação Júlio Resende tem como objetivos a manutenção e divulgação do espólio de desenhos doados pelo pintor Júlio Resende, reunidos ao longo da sua vida; contribuir para dar ao “desenho” o relevo que o pintor e o grupo de fundadores lhe atribuem no conjunto das artes plásticas e constituir um polo dinamizador da vida cultural e artística da região e no país, tendo como referência a figura de Júlio Resende.

O contrato-programa foi celebrado a 17 de fevereiro.

Assinatura contrato-programa CMG/Fundação Júlio Resende

O contrato-programa foi celebrado a 17 de fevereiro / Foto: DR

“Vamos convidar a CMG a nomear um representante que será integrado no Conselho de Administração”

Ao Vivacidade, Guilherme Figueiredo, presidente do Conselho de Administração, admite a possibilidade de vir a integrar um representante do Município no Conselho de Administração da fundação. “O presidente Marco Martins já disse que iria indicar o vice-presidente Luís Filipe Araújo para ocupar esse cargo e queremos abrir aqui uma nova etapa de vida da relação entre a Fundação e a Câmara”, diz ao nosso jornal.

O responsável pelo Lugar do Desenho lamenta, contudo, o afastamento da autarquia no passado e considera a solução “tardia e limitada, apesar de ser importante”. “A Câmara afastou-se e olhou para nós como um centro de custos e não como um centro de participação e desenvolvimento. No entanto, foi-nos dito que a Câmara estava disponível para ser parceira e para incluir a fundação como elemento fundamental da comunidade. Este protocolo visará isso mesmo e representa um ponto de partida”, afirma Guilherme Figueiredo.

O problema financeiro da fundação chegou a levantar a hipótese da instituição suspender a atividade e sair de Gondomar. “Essa possibilidade chegou a estar em cima da mesa até percebermos que existia uma mudança de paradigma da parte do Município”, refere o presidente do Conselho de Administração.

O contrato-programa celebrado com a autarquia prevê um apoio anual de 36 mil euros, além da manutenção dos jardins e potenciação das atividades culturais promovidas pela fundação.

Até à data, segundo Guilherme Figueiredo, o Lugar do Desenho “não era considerado como parceiro do Município”. O responsável recorda o incumprimento do protocolo celebrado com o Município, em 2005, “que só foi liquidado pelo executivo liderado por Marco Martins”. Em causa estaria uma verba de 125 mil euros que cobria “as despesas do mestre Resende com a construção das oficinas artísticas”.

Em 2017, o Lugar do Desenho comemora o centenário do nascimento do pintor Júlio Resende.

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