Nelo Silva: “Gondomar devia apostar mais nos músicos da terra”

Nelo Silva, músico riotintense / Foto: Ricardo Vieira Caldas

Nelo Silva, músico riotintense / Foto: Ricardo Vieira Caldas

Com o mais recente álbum “Nossos Momentos”, Nelo Silva, de Rio Tinto, dá início a uma nova fase da sua vida artística. Conhecido pela sua fase ‘de ouro’ com a Dupla “Nelo Silva e Cristiana” que durou 15 anos, o cantor dedica-se agora à sua carreira a solo. Uma “viagem ao passado e ao futuro, retratando as influências do artista, com vários sons e ritmos, não esquecendo o estilo romântico” é o que caracteriza o último disco do artista com 40 anos de carreira. O Vivacidade quis saber mais do músico riotintense autor de vários temas como “Felicidade”, “Ela”, “Um beijinho não se nega” e a “canção da família”.

Quando começou o seu gosto pela música?
Começou quando era muito jovem. Primeiro, aos 14 anos, formei um grupo de baile com uns amigos – aqueles grupinhos de garagem – e aquilo começou a resultar muito bem. Eu era o vocalista principal. Não tocávamos só música popular portuguesa. Começamos logo a tocar músicas que estavam muito na moda, como os Beatles. Aliás, a música popular portuguesa, ainda hoje, não continua a ser a minha principal ação a nível de canto. Canto música ligeira mas sempre romântica. São músicas com ritmo, com balanço.

Se tivesse que se comparar com algum artista português da atualidade com quem é que se identificava?
Talvez, por exemplo, Marco Paulo ou Toy.

Desde muito pequeno que convive com Rio Tinto. A freguesia diz-lhe muito?
Sim, apesar de não ser natural de Rio Tinto, esta é a freguesia onde eu cresci, onde fiz todo o meu percurso e onde me tornei homem. Depois casei e fui viver para o Porto mas as saudades eram mais fortes e por isso voltei para Rio Tinto e agora estou a viver a um minuto de distância. Portanto, fui criado cá.

No contacto que tem mantido com o concelho, pensa que o têm acolhido da melhor forma?
Eu costumo dizer que santos da casa não fazem milagres e neste caso isto assenta como uma luva. Mas não é só comigo, é com quase todos os artistas que vivem por aqui. Não vejo os meus colegas artistas daqui a terem muitos concertos pela zona de Gondomar. É uma pena porque já tenho feito alguns espetáculos na periferia e têm provocado autênticas enchentes. Ainda no ano passado estive no Centro de Ciclistas e tiveram que cortar a avenida. E penso “que Diabo! Se apostassem mais nos músicos da terra!” Aqui fazem-se umas festas muito bonitas, como o S. Bento das Peras e S. Cristóvão e, por incrível que pareça, mesmo no auge da minha carreira, cheguei a ser contactado pela Comissão de Festas e reduzi os custos a mais de metade do preço e mesmo assim não aceitaram. Foi uma coisa inacreditável.

Vir cantar “à sua terra” é um dos seus objetivos futuros?
No fundo, por um lado, estou a ser um pouco injusto naquilo que disse anteriormente. Ao longo destes últimos 10 anos, o anterior presidente da Câmara de Gondomar de alguma maneira reconheceu alguns artistas e eu fui duas vezes fazer dois grandes concertos às Festas da Nossa Senhora do Rosário. Tive também a honra de fazer um espetáculo na inauguração do Pavilhão Multiusos, quando foi aberto ao público. Portanto, de quando em vez sou chamado, não vou pintar o quadro todo de negro. Acho é que deviam apostar mais.

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