Nelo Silva: “Gondomar devia apostar mais nos músicos da terra”

No panorama nacional, como está o mercado da música?
A situação não está fácil. As Comissões de Festas têm cada vez mais dificuldades porque não há dinheiro. As Juntas e Câmaras começaram a cortar nos orçamentos e as Comissões começam a servir-se da “prata da casa”. Vou de vez em quando aos programas da televisão, quando me convidam através da minha editora mas às vezes faço questão que não me convidem para ir a alguns programas. Porque há alguns programas que não vêm trazer nada de especial ao bom nome que o artista tem, antes pelo contrário. São programas demasiado popularuchos.

Nelo Silva, músico riotintense / Foto: Ricardo Vieira Caldas

Foto: Ricardo Vieira Caldas

Que temas considera mais marcantes na sua carreira?
O meu último álbum [Nossos Momentos] está a funcionar muitíssimo bem. Em termos contabilísticos, a editora dá um ano para aferir se o disco funcionou bem e a indicação que eu tenho é que o disco está a vender muito bem. Relativamente aos temas mais marcantes, ao longo destes anos todos é difícil enumerar um. Mas posso por exemplo falar de um tema que gravei para o Festival da Canção da RTP [“Entre Céu e Mar”], em 1985, que ainda hoje canto. Há um outro muito marcante que se chama “Teu Corpo Mulher” em que ganhei vários prémios. Depois já com a minha filha Cristiana há um “Como estás amor” que de facto, a nível popular, foi “uma bomba”.

Falou já por diversas vezes que se desloca a outros países, como França e Austrália para atuar. Para a sua carreira, as comunidades de emigrantes são tão ou mais importantes do que a portuguesa?
Sim, mas já tudo isso já foi melhor. Houve alturas em que ia a França com muita frequência e os emigrantes vinham todos pedir autógrafos, com lágrimas nos olhos e saudades do país. Hoje isso já não acontece porque há uma proximidade muito maior. As pessoas vêm com muito mais facilidade a Portugal. E depois também há um outro fator a considerar. Hoje os filhos dos emigrantes portugueses – uma nova geração – já não se revêm muito na música e tradições portuguesas. Têm outras tendências e até já se torna um pouco difícil chamá-los a alguns eventos que vamos lá fazer.

Já tem data marcada para o término da carreira ou nunca pensou nisso?
Sinceramente não pensei nisso. Enquanto eu tiver um aspeto que não dê a imagem que estou em decadência, um aspeto jovial, e enquanto a voz e as cordas vocais me permitirem chegar a um espetáculo e fazer uma hora e meia de concerto, não vou estabelecer uma meta para deixar de cantar.

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