Nelson Vidal: «A nível pessoal este país [Equador] tem-me dado muito»

Nelson Vidal e a sua mulher na Cascata de Paguche / Foto: Direitos Reservados

Nelson Vidal, arquiteto paisagista de 30 anos, resolveu deixar São Pedro da Cova em 2014, partindo à aventura pelo Equador. Numa história de sucesso, a sua zona de conforto passou a estar do outro lado do Mundo e o gondomarense revelou-nos o porquê.

O que te levou a ir trabalhar para o Equador?

Em 2014, Portugal vivia uma grande crise económica e social, sendo que o trabalho era escasso, sobretudo para alguém que tinha acabado de sair da Universidade. Durante o verão de 2014 surgiu uma proposta para trabalhar como Arquiteto Paisagista no Equador, em alguns projetos de consultoria de grandes parques e estudos de planificação territorial. Decidi aceitar, partindo um pouco à aventura.

Apesar da distância, continuas atento ao que se passa em Portugal?

Sim, estou sempre atento às notícias e vejo o telejornal todos os dias. É uma forma de estar atualizado relativamente àquilo que se passa em Portugal. Para além disso, a Internet permite um contacto constante com a família, algo que é bastante importante.

E no nosso concelho em particular?

Sim, também tento estar atento, sobretudo através das redes sociais e do Vivacidade que leio online quando tenho oportunidade.

Como foste recebido na tua aventura situada a milhares de quilómetros de casa?

Fui muito bem recebido. Não existiu qualquer dificuldade na adaptação e houve, tal como há hoje, um bom acolhimento aos estrangeiros, sobretudo europeus e norte-americanos, algo que me facilitou imenso.

Começaste a trabalhar em Cuenca como arquiteto paisagista. Quais eram realmente as tuas tarefas?

Como arquiteto paisagista trabalhei em várias consultorias, com projetos de parques urbanos, de parques regionais, estudos de impactos na paisagem, estudos de planificação territorial, entre outros.

E és, agora, diretor do departamento de áreas verdes da empresa EMAC-EP. O que está na origem deste salto?

Uma vez que terminaram as consultorias em que trabalhava, sobravam duas opções: mudar de cidade, para uma cidade na costa do Pacífico, e continuar como consultor, ou então procurar uma oportunidade aqui na cidade de Cuenca. Tentei e consegui uma entrevista na EMAC-EP (Empresa Pública Municipal de Aseo de Cuenca) como técnico de Áreas Verdes. Curiosamente, nessa mesma altura, o Diretor do Departamento de Áreas Verdes estava de saída e tendo em conta o perfil necessário para o cargo acabei por ser eu a pessoa selecionada. Estou neste cargo desde julho de 2017.

E estás realmente satisfeito com o cargo que assumiste?

Sim, por agora estou muito contente. É um cargo muito importante na cidade de Cuenca, uma vez que esta é a cidade mais bonita do país. A mais conhecida pela cultura e pelo centro histórico que é Património Mundial da UNESCO.

Viver na América do Sul assume-se como algo muito diferente comparando com o nosso país?

Este é um pais que se caracteriza pela diversidade. Diversidade de ambientes, entre a costa do Pacífico, os Andes e a Amazónia, mas também pela diversidade de culturas, tradições e pessoas. Obviamente com tanta diversidade dentro do mesmo país, não se pode generalizar sobre as vivências nas diferentes cidades da América do Sul. Na cidade onde eu moro, Cuenca, a vivência é totalmente ocidental e não muito diferente do que se poderia esperar em muitas outras cidades europeias.

Tem sido uma experiência marcante e enriquecedora?

Sem dúvida alguma. Tanto pessoal como profissionalmente, as coisas têm corrido bem. Se a nível profissional os objetivos de carreira vão sendo atingidos, a nível pessoal este país tem-me dado muito. Uma vez que aqui conheci a minha esposa e casamo-nos em abril deste ano.

Alguma vez pensaste em regressar a Portugal ou tencionas ficar em definitivo no Equador?

Tenho a ideia de que, hoje em dia, o mercado de trabalho funciona a uma escala global. E isto não permite ter ideias definidas sobre o amanhã. O meu futuro a curto e médio prazo passa pelo Equador. A longo prazo pode continuar pelo Equador, Portugal ou eventualmente outro local. Tudo dependerá das ocorrências e das oportunidades a nível profissional e obviamente pessoal, tendo em consideração que uma vez constituída a minha família, as mudanças auguram-se sempre mais complexas.

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