Nuno Santos: “A Autarquia tem que fazer a parte dela e neste caso tem ficado muito atrás, no que diz respeito ao que tem de ser feito para a proteção e defesa animal”

>Foto: VivaCidade

Em março do ano passado, Nuno Santos, decidiu fundar os Animais de São Pedro- Movimento de Defesa Animal. Com esta oficialização do Movimento, Nuno conseguiu a oportunidade de que mais pessoas ficassem a conhecer o seu trabalho e o ajudassem a atingir o seu objetivo principal, que passa por auxiliar os amigos de quatro patas que se encontram em situações de risco.

Como é que surgiu esta iniciativa de criar este Movimento aqui em S. Pedro da Cova? Esta iniciativa abrange outras zonas do concelho? E como é que funciona?

Este Movimento surge de uma vontade individual. Quando o fundei pretendia dar mais credibilidade e visibilidade à causa em que já trabalhava individualmente e assim conseguir mais apoios. A zona de maior incidência é São Pedro da Cova. Quanto ao nosso funcionamento, no caso dos gatos, a maior parte das capturas, têm sido a pedido. Como pela nossa parte há um maior acompanhamento na zona, obviamente que as pessoas conhecem-nos e sabem o trabalho que é feito. Em simultâneo, as pessoas no Facebook vêm a publicação da colónia X que foi esterilizada e contactam-me a pedir ajuda para outra colónia. Nem sempre dá para ajudar toda a gente. Eu sou só um, nem é pela questão financeira, porque o movimento tem vendido merchandising para conseguir ter verbas para esterilização, às vezes é mesmo a questão de tempo e disponibilidade dos veterinários.

Sente que em Gondomar esta situação dos animais de quatro patas é negligenciada? Há falta de atenção para este sector ou acredita que comparando a outros concelhos, a situação é boa?

Nós não somos um concelho que está bem. Uma das razões pela qual não estamos bem é a mentalidade de sermos um concelho com uma população muito rural. Temos muita zona de floresta, isso também tem influência. Acho que a mentalidade em Gondomar tem de evoluir, tanto por parte dos cidadãos como da própria Autarquia. E, ao meu ver, falta muito. As Associações de Gondomar, bem como os cuidadores informais como eu, tentam fazer aquilo que podem, mas não conseguem tapar os buracos todos porque não dá. A Autarquia tem que fazer a parte dela e neste caso tem ficado muito atrás no que diz respeito ao que tem de ser feito para a proteção e defesa animal.

Na sua opinião, o que é que é necessário fazer para que as coisas comecem a mudar?

Eu acho que passa muito pela sensibilização e pela aplicação das leis. Muitas vezes vemos casos gravíssimos de maus tratos a animais com penas suspensas. Eu já fiz até com um amigo, trabalhos de sensibilização nas escolas. Nós nos últimos tempos não temos feito, porque o covid assim não o permite. No entanto, notei neles uma desconfiança nas autoridades, os próprios miúdos resgatam o animal e não têm aquela coisa de fazer queixa ou de achar que é o canil que os vai ajudar. Enquanto as entidades não começarem a mostrar que de facto estão empenhadas em resolver este problema grave que existe em Gondomar que é o abandono e os maus tratos, a situação não vai melhorar.

Em Gondomar temos a vereação do ambiente que está responsável por essa área, vocês tem uma boa comunicação com esse setor Camarário?

Eu sinto que muitas vezes não há essa iniciativa própria de querer ajudar. Considero que a Autarquia faz, mas no sentido de faz porque quer aparecer. Passaram oito anos deste mandato e não se vê nenhumas alterações no que diz respeito aos animais. O canil continua a ser muito pequeno para aquilo que o concelho precisa. Há o gatil que também é minúsculo, é basicamente uma boxe de cão. Agora a Câmara resolveu finalmente avançar com a construção de um canil. Eu compreendo que haja muito trabalho para fazer, mas a maior parte dos cidadãos e a maior parte das pessoas como eu, da causa animal, olham para o canil e veem uma empresa. Chega um animal e vai logo para a adoção, sem primeiro haver uma sensibilidade de análise da situação.

Para além disso, há ainda essa situação das pessoas pensarem de forma egoísta e de acharem que o problema dos animais abandonados é só das Associações. Uma das coisas que mais irrita é ver as pessoas a exigir tanto das Associações, mas depois tal exigência não é feita com as Entidades. As Associações são cidadãos como qualquer um, não têm ajudas do estado. É rara a Associação que tenha ajuda do estado, muitas vezes vivem de donativos de privados ou dos próprios voluntários. Os Municípios é que recebem o dinheiro do estado, não são as Associações. Nós não podemos exigir a uma Associação o que exigiríamos à Autarquia. Obviamente que ninguém está à espera que a Câmara resolva todos os problemas no concelho, porque não consegue. Acho que isto tudo tem de ser um esforço conjunto, mas a Autarquia deve ser um exemplo.

Caso alguém queira de alguma forma contribuir para o vosso Movimento, como é que o pode fazer?

Eu tenho feito calendários solidários desde 2018. Este ano é o quarto ano que estou a fazer e têm sido um sucesso. Denotamos que tem havido um aumento das vendas. Tenho vendido também umas fitas e uns autocolantes. Esse dinheiro é mais utilizado para material que necessite. Como sou um Movimento, normalmente quando preciso de ajuda monetária, peço em nome pessoal. No ano passado tive quase quatro mil euros em donativos. Eu não conheço nenhuma pessoa individual em Gondomar que tenha tido esse valor de ajuda, isto para dizer o quê? As pessoas confiam em mim e quem me conhece sabe que agradeço a ajuda que me dão. Tenho uma conta criada que só uso para donativos, consigo justificar todo o dinheiro que me deram e dizer quando é que entrou, quando é que não entrou e em que é que foi gasto. ▪

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