Obras necessárias para a Obra ABC

A Obra ABC acolhe rapazes de famílias carenciadas que necessitem de um lar provisório / Foto: Rita Lopes

A Obra ABC acolhe rapazes de famílias carenciadas que necessitem de um lar provisório / Foto: Rita Lopes

A Obra ABC – Instituição Particular de Solidariedade Social situada em Rio Tinto – que acolhe rapazes de famílias carenciadas que necessitem de um lar provisório, tem vários projetos em mente para obras de remodelação nos vários edifícios da instituição. O objetivo passa sempre pela “melhoria da integração dos jovens.” O Vivacidade foi conhecer a realidade desta IPSS.

Por Rita Lopes

Inicialmente, o principal objetivo da Obra ABC passava por acolher rapazes e raparigas que tinham “capacidades intelectuais para estudar mas não tinham possibilidades financeiras.” Em conversa com José Camilo Neves, pároco responsável pela instituição, este revela ao Vivacidade que, ao longo do tempo, o objetivo inicial foi-se alterando. “Nos anos 90 optámos só por ficar com rapazes, tendo mudado mesmo o âmbito do acolhimento que temos. De momento só acolhemos rapazes, que são retirados através do Tribunal de Família e Menores ou das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens de Risco que nos são entregues, de quem cuidamos”, explica.

José Camilo refere também que, com uma IPSS a caminho dos 52 anos de existência, a capacidade de integração dos jovens na Obra ABC obteve melhorias nos últimos anos. “Vai sempre melhorando e vai-se sempre reajustando ao trabalho que temos a nível institucional. O objetivo, a maioria das vezes, é esse. O tipo de resposta que damos hoje não pode ser o tipo de resposta que dávamos há cinco anos, nem certamente será o mesmo que se dará daqui a cinco anos. Temos muito que nos ir adaptando à lógica envolvente”, afirma Camilo.

Para melhorar a capacidade de integração dos jovens existe um acordo de cooperação com a Segurança Social, de onde se retira a maior verba. “Mas necessitamos de outros apoios, nomeadamente financeiros, para podermos existir e aqui passa pelas pessoas amigas, pelos benfeitores. Nós temos pessoas que colaboram connosco há mais de 40 anos”, acrescenta o padre.

Redes Sociais ajudam na promoção da Obra ABC

Segundo José Camilo, a IPSS procura apresentar, desde sempre iniciativas para obter fundos que ajudem na subsistência da Obra. “Atualmente estamos a preparar o calendário do próximo ano, que é uma das fontes de receita da instituição, a venda do calendário anual”, divulgou. Na prática, a Obra ABC produz, com o apoio de artistas locais, um calendário que depois vende com o único objetivo de recolher fundos para a instituição. Existem também outras formas de divulgar o trabalho deste centro de acolhimento e a Obra fá-lo, através do Facebook, como por exemplo com a utilização de fotografias de pessoas com cartazes, com as frases de apoio à instituição: “Eu apoio a Obra ABC” e “Eu ajudo a fazer sorrir”. “Estou convencido de que, com isto, mostramos a instituição e as pessoas interessam-se um bocadinho por conhecer o nosso trabalho, a nossa problemática de todos os dias e também estão muito mais predispostas a colaborar connosco, quer seja na divulgação da nossa instituição, seja mesmo a nível de apoios concretos. Nós dependemos muito dos apoios que as pessoas nos dão”, lembra o pároco.

José Camilo com projetos de remodelação em mente

Para o responsável pela IPSS, todos os apoios contam e, para além do aspeto financeiro, é necessário construir e remodelar o espaço físico da instituição. Existem também, segundo o padre, empresas de remodelações que ajudam na melhoria dos espaços da instituição. “A última esteve cá num projeto que envolveu mais de 100 pessoas de todo o país. Eles vêm e fazem algumas alterações no espaço, normalmente com a duração de um dia. Uma dessas intervenções esteve durante uma semana aqui e interveio num dos espaços porque perceberam as nossas necessidades e quiseram colaborar connosco”, afirma Camilo. Relativamente às obras recentes, os jovens da Obra ABC têm uma opinião unânime: “foram inovados bastantes espaços, os espaços passaram a ter melhores condições, passaram a ter uma estética mais apelativa aos nossos olhos”, dizem.

Neste momento estão institucionalizados na IPSS riotintense 18 jovens, sendo o número mais baixo com que se depara a instituição. “A Segurança Social ‘obrigou-nos’”, lamenta o padre Camilo. “Temos de fazer uma remodelação dos espaços ao nível dos quartos dos rapazes. Os quartos ainda estão muito numa espécie de camaratas à moda antiga, e temos que construir quartos com casa de banho própria, uma espécie de quartos individuais, triplos ou duplos”, revela Camilo Neves. E é este o grande projeto para o Verão que está agora no pensamento do responsável pela Obra. “Nós calculamos que deve rondar os oitenta mil euros [a obra] e estamos à espera de aprovações a nível camarário, para depois termos as aprovações da Segurança Social e o projeto final para podermos construir”, afirma José Camilo que espera ver o projeto realizado em breve. “Temos outro projeto que nos candidatamos há pouco tempo, numa das casas aqui perto que é nossa e que gostaríamos de remodelá-la, para que os nossos rapazes tenham uma vida quase independente, governem a sua casa, tratem da sua comida e da sua roupa”, acrescenta o pároco. “É apenas outro projeto [que rondará os setenta mil euros], que gostaríamos também de avançar brevemente para que, nessa casa, possamos ter esses rapazes num caminho de pré-autonomia”, finaliza José Camilo Neves.

Fundada a 8 de dezembro de 1963, pelo Padre Ivo Tonelli, a Obra ABC iniciou-se na zona da Boavista, no Porto, passando depois para Ermesinde. Após várias mudanças, a IPSS acabou por se fixar em Rio Tinto.

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