Pai e filho cultivam terreno de 10 hectares em Rio Tinto

Albano Pinto e David Pinto - setembro 2016

Albano Pinto e David Pinto têm à sua responsabilidade um terreno de 10 hectares / Foto: Pedro Santos Ferreira

Albano Pinto, 67 anos, e David Pinto, 31 anos, têm à sua responsabilidade um terreno de 10 hectares para cultivo, junto à Rua da Castanheira, em Rio Tinto. Em época de vindimas, já se colhem as uvas no Lugar da Quintã.

Albano Pinto e David Pinto, pai e filho, são responsáveis por uma exploração agrícola no centro da cidade de Rio Tinto. O terreno com cerca de 10 hectares, quatro de vinha, fica delimitado pelas ruas da Varziela, da Castanheira e de Rebordãos.

“Este terreno faz parte de uma casa secular que veio parar a mim e ao meu filho David. Temos aqui uma exploração agrícola pouco comum, mesmo no centro da cidade, e temos procurado preservar esta superfície através da agricultura. Começamos com a produção de hortículas, entretanto já tivemos pecuária e tentamos ter novos tipos de cultivo, porque a agricultura tem esta necessidade de adaptação permanente”, afirma Albano Pinto, responsável pelo terreno do Lugar da Quintã.

O agricultor veio de Marco de Canaveses para Rio Tinto com 12 anos e tornou-se proprietário dos 10 hectares em 2000, por cedência dos anteriores donos do terreno.

“Temos quatro hectares de vinha e, este ano, também decidimos apostar no cultivo de limoeiros, porque o milho tradicional já não rende tanto como antigamente”, explica ao nosso jornal.

Todos os anos Albano e David contam com a ajuda de amigos para iniciar a vindima. A colheita dá origem aos vinhos rosé e branco da marca “Paúlo”. “Eu e o meu pai decidimos lançar uma marca de vinho produzida e engarrafada por nós. Entramos bem no mercado e estamos otimistas em relação ao futuro. Este projeto levou algum tempo a ser concretizado, obrigou-nos a investir na adega, mas conseguimos o que queríamos. Temos aqui uvas que atingem os 10 a 11 graus e são uvas de grande qualidade. Muitos ficam admirados com a qualidade da nossa vinha”, diz David Pinto ao nosso jornal.

O jovem produtor agrícola lamenta, contudo, a falta de mão de obra qualificada. “Infelizmente há pouca gente disponível para trabalhar na agricultura. É um trabalho muito exigente a nível físico”, acrescenta.

Para acompanhar as exigências do setor agrícola os responsáveis pelo Lugar da Quintã têm contado com fundos comunitários do PRODER – Programa de Desenvolvimento Rural da União Europeia.

“É difícil sobreviver da agricultura em Portugal. Felizmente a mentalidade tem mudado e os agricultores têm-se apoiado mais. Só dessa forma é que podemos tirar mais proveito da nossa união. No entanto, se não existir paixão pela agricultura é muito difícil continuar a trabalhar neste setor. Seria interessante relacionar mais o turismo com a agricultura, talvez através da criação de quintas pedagógicas. Para isso, era necessário investimento e um projeto sustentado”, conclui Albano Pinto.

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