Passeio em Rio Tinto abate dois centímetros por ano Câmara, Junta e condomínio discutem responsabilidade no assunto

O abatimento do passeio é visível junto a entrada do edifício

O abatimento do passeio é visível junto a entrada do edifício

Parte da avenida Dr. Domingos Gonçalves de Sá, em Rio Tinto, está a ser alvo de análise pelo Município gondomarense. Em causa está um passeio que serve de entrada ao edifício Estrela d’Avenida que tem vindo a abater de ano para ano.

O condomínio quer apurar responsabilidades junto da autarquia e pede respostas. A Câmara e a Junta de Freguesia alegam que a empresa já foi notificada e o problema está na reparação do sistema de drenagem, responsabilidade do condomínio [ver caixa].

“Nos últimos anos houve muita construção na zona envolvente e houve uma grande impermeabilização dos solos envolventes. A terra foi mexida para meter as condutas e não acautelaram convenientemente a drenagem da zona envolvente”, queixa-se ao Vivacidade Paulo Ribeiro, responsável da empresa de condomínio do Edifício Estrela D’Avenida, em Rio Tinto. Na opinião do gerente da empresa, “as águas freáticas encontram [no subsolo] o prédio como obstáculo e desviam para a estrada. No passeio a Avenida começou a abater. No último ano o passeio abateu cerca de dois centímetros”, refere ainda Paulo Ribeiro. “Nos dias de chuva todos não há escoamento das ruas. Por norma a água vai pela Avenida porque isto está tudo entupido e os tubos estão partidas. Todas as condutas que andam ali estão a ficar sem sustentação. No dia em que decidiram repavimentar a avenida colocaram papéis a informar-nos nas caixas de correio e enviamos email para o presidente da Câmara e o presidente da Junta a dizer para não brincarem com o nosso dinheiro porque iam repavimentar uma avenida que está a precisar urgentemente de obras e que tem problemas graves por resolver. No entanto, a repavimentação avançou e mascararam estes problemas”, acrescenta o responsável.

A empresa, Nidus, confirmou ao Vivacidade que já reuniu com o presidente da Câmara, Marco Martins, numa audiência solicitada, e que o mesmo “ficou de dar uma resposta até hoje”. “Fomos recebidos pelo presidente que conhece bem o caso mas ainda não tivemos resposta. Também nos queixamos às Águas do Douro e Paiva que deram resposta imediata e enviaram técnicos para analisar esta situação. As Águas do Douro e Paiva garantiram que tinham feito recentemente uma análise mas também disseram que o meu problema não acabaria aqui. Disseram-me que se houvesse um problema da parte deles, assumiam a responsabilidade”, esclarece Paulo Ribeiro.

Questionado sobre a possibilidade de haver risco para o edifício, Paulo Ribeiro explica que “no imediato, não existe risco”. “O edifício está impecável. É feito em betão por isso aguenta com tudo. No entanto, já tivemos infiltrações porque uma das saídas da água passava por uma janela que foi tapada e nunca mais houve problemas”, conta.

Ao Vivacidade, o presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, Nuno Fonseca, explica que “o assunto tem sido motivo de conversa entre a Junta e a CMG.” “Os serviços técnicos da CMG já notificaram o condomínio sobre a responsabilidade do prédio sobre as águas pluviais do edifício. Terá que ser o condomínio a fazer a obra mas parece que o condomínio tem uma opinião diferente e não tem verba para fazer a obra. Independentemente disso a CMG não pode autorizar que esse problema se mantenha e já devia até estar resolvido. No entanto a responsabilidade é do condomínio e não do Município. A Junta é alheia a esse processo”, esclarece.

Marco Martins, presidente da Câmara Municipal de Gondomar

A Câmara Municipal está a acompanhar o assunto?

A Câmara Municipal de Gondomar tem acompanhado em permanência todos os casos de que tem conhecimento, independentemente da área em que se registam ocorrências. O caso do prédio na Avenida Dr. Domingos Gonçalves de Sá, em Rio Tinto, não é exceção.

Sobre este caso em específico, pensa que a zona em questão poderá estar em risco, no que diz respeito a um possível aluimento do piso ou rebentamento de uma conduta?
Não há risco. Ou melhor, há o mesmo risco que em qualquer outro local.

Confirma que a autarquia já reuniu com a empresa e foi alertada sobre isto?
Sim, eu próprio reuni com responsáveis pela empresa que gere o condomínio do prédio em causa.

O que está / poderá vir a ser feito em relação a esta questão?
A empresa em causa já foi notificada por duas vezes, pessoalmente e por escrito, de que tem de proceder à reparação do sistema de drenagem, que é pertença do condomínio e, portanto, é da sua responsabilidade a respetiva reparação. Apesar disso, o Município assumiu o compromisso de fazer uma inspeção do passeio, o que acontecerá por estes dias até porque sei que há contactos entre os serviços da Câmara e os gestores do condomínio.

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