Paulo Ferreira: “Não me considero o melhor do mundo, mas sei que estou entre os melhores”

Entrevista Paulo Ferreira - dezembro 2016

Paulo Ferreira foi premiado pelo trabalho “Nordly’s”, filmado na Noruega / Foto: Direitos Reservados

Paulo Ferreira, 46 anos, foi premiado com o “Óscar dos documentários curtos em timelapse”, em Hollywood, Los Angeles. O gondomarense divide-se entre a engenharia e o design, mas é na fotografia que encontra a sua paixão e retrata fenómenos naturais através da técnica de timelapse. “Nordly’s”, o último trabalho realizado, valeu-lhe o reconhecimento internacional.

Como surge a sua paixão pela fotografia?
Sempre tive uma grande ligação à fotografia. O meu pai tinha uma coleção de máquinas fotográficas antigas e isso ligou-me à fotografia desde pequeno.

Contudo, a sua formação profissional não está ligada à fotografia…
É verdade [risos]. Sou formado em engenharia e sou técnico de informática e design. Sempre trabalhei com modelação em 2D e 3D ligadas à engenharia civil.

Curiosamente, um dia pediram-me para simular num computador as sombras causadas pelo movimento do sol num edifício e acabei por encontrar aí uma primeira ideia entre a fotografia e a utilização da técnica de timelapse. Por brincadeira decidi fazer experiências fotográficas em espaços naturais e achei aquilo fantástico.

Foi o início da sua aposta profissional na fotografia?
Julgo que sim, mas tive que tornar-me autodidata e perguntei tudo ao Google [risos]. Há 10 anos as ligações à internet eram muito lentas e eu tinha cada vez mais necessidade de procurar vídeos e materiais utilizados fora de Portugal. Foi dessa forma que fui aperfeiçoando a minha técnica.

Hoje é um dos melhores fotógrafos a utilizar a fotografia em timelapse…
Não me considero o melhor do mundo, mas sei que estou entre os melhores. O timelapse é uma técnica específica que requere ultrapassar alguns problemas.

O timelapse surge originalmente através da fotografia e não do vídeo, correto?
Sim. O timelapse diz respeito à fotografia. Hoje em dia os telemóveis também têm a capacidade de gravar um vídeo e acelerá-lo, mas isso não é o verdadeiro timelapse porque a base da técnica é a fotografia, sobretudo após o aparecimento das máquinas digitais.

Nos seus trabalhos procura sempre retratar fenómenos naturais. Porquê esta forte ligação à natureza?
Fiz sempre caminhadas pelas serras e a natureza dá-nos sempre bons motivos para fotografar. Foi a caminhar em espaços naturais que a técnica de timelapse acabou por despertar em mim.

Como tem conjugado a fotografia com a vida pessoal e profissional?
Comecei a levar a sério a fotografia quando percebi que o timelapse era uma técnica que me cativava e que me permitia obter rendimento financeiro. Existe necessariamente uma conjugação entre a vida pessoal e profissional com a fotografia e, à medida que os meus trabalhos foram sendo mais divulgados, tive mais ânimo para continuar a apostar nesta arte.

Qual foi o prémio mais significativo que recebeu?
Foram sem dúvida os prémios do Hollywood International Independent Documentary Awards, considerados os “Óscares dos documentários curtos em timelapse”. Fui receber o prémio a Hollywood e marcou-me muito, além de ter catapultado os meus trabalhos para outro nível.

O prémio resulta da curta-metragem “Nordlys”, que surge a partir de uma campanha de crowdfunding…
… que teve teve um grande sucesso [risos]. Antes dessa experiência já tinha realizado o trabalho “Portugal Night Skies”, que foi publicado na revista National Geographic, em Itália. Após esse trabalho surgiu a ideia de fotografar as auroras boreais na Noruega, sempre com o objetivo de documentar esse fenómeno e alertar para a preservação ambiental do nosso planeta.

O que sentiu ao receber o prémio?
Quando recebi o e-mail a dizer que tinha vencido o prémio nem quis acreditar. A ansiedade é tanta que nem queria acreditar no que tinha conseguido.

Tem sentido o impacto e reconhecimento desse galardão?
Tenho sentido com o maior número de solicitações de trabalhos. Tenho realizado trabalhos para instituições, autarquias, empresas, entre vários pedidos.

Qual será o seu próximo trabalho?
Estou neste momento a desenvolver um novo projeto na Pantagónia. Vou apostar novamente no crowdfunding e neste momento estou a iniciar contactos. Será um trabalho para publicar em abril ou maio do próximo ano.

Fotografar em Gondomar é especial para si?
É uma honra muito grande e faço-o com grande carinho. Nasci no Porto mas passei a minha infância em Medas, daí gostar do contacto com a natureza e espaços livres.

Qualquer momento pode dar uma boa fotografia?
Sim, basta saber enquadrar os momentos e olhá-los de forma diferente.

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