Pedro Miguel Vieira: “Sabemos que a CDU tem tradição no poder autárquico e queremos honrar essa história”

Pedro Miguel Vieira - novembro 2017

Pedro Miguel Vieira foi eleito presidente da União das Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova / Foto: Pedro Santos Ferreira

Pedro Miguel Vieira é o sucessor de Daniel Vieira na presidência da União das Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova. Ao Vivacidade, o autarca garante que irá dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela CDU no mandato anterior e espera ter um território melhor em 2021. 

De que forma a candidatura da CDU viveu o período de campanha eleitoral e que ilação tiram dos resultados das últimas eleições autárquicas?
Vivemos com grande tranquilidade. Tínhamos noção do trabalho feito nos últimos quatro anos e procuramos estar sempre na dianteira. Fomos os primeiros a apresentar os sete candidatos e os 38 membros da lista. Estivemos sempre um passo à frente da oposição, mesmo não tendo os meios que as outras forças políticas têm. Este é o segredo do nosso trabalho, bem como a envolvência de todos os militantes da CDU e independentes que se juntaram a nós.

Sabíamos que a população ia ser justa com a CDU, sempre tivemos essa sensação.

Houve um reconhecimento do trabalho desenvolvido no anterior mandato?
Sentimos isso, claramente. Apesar do distanciamento aos nossos eleitos, fruto da União das Freguesias, sentimos que estávamos a ser honestos com as pessoas, que sabiam das dificuldades financeiras que atravessamos.

Neste contexto, destacamo-nos com a aposta na Cultura, onde tivemos uma grande dinâmica.

É possível explicar a menor votação em Fânzeres e maior número de votos em São Pedro da Cova?
Os resultados provam que aumentamos 900 votos em Fânzeres, face a 2013. Há um reconhecimento do trabalho desenvolvido e ficou provado o resultado desse trabalho. Em São Pedro da Cova, o fundamental era segurar a votação. Conseguimos isso em Fânzeres e passamos a ser a segunda maior força política.

Estamos a falar num contexto em que a candidatura do PS não estava dividida, como aconteceu em 2013. Por isso, os resultados foram claros.

Na tomada de posse a presidência da Assembleia de Freguesia foi entregue à candidata do PS, Sofia Martins. Foi fácil chegar a esse entendimento?
Quero deixar claro que falamos com todas as candidaturas e todas mostraram-se disponíveis para validar um executivo inteiramente da CDU. Neste quadro decidimos chegar a acordo com o PS para a presidência da Assembleia de Freguesia, mas estiveram muitas hipóteses em cima da mesa.

Esta União das Freguesias passa a ser a única, em Gondomar, que não é governada pelo PS. Acredita que este cenário vem alterar o poder de reivindicação desta autarquia?
Ainda é cedo para avaliar. Naquilo que é o essencial, estamos em perfeita sintonia com a Câmara Municipal de Gondomar. Acima de tudo temos que respeitar os resultados eleitorais e vamos trabalhar para ter uma boa relação com a autarquia para resolver os problemas do dia a dia.

Sucede no cargo a Daniel Vieira. É uma herança difícil?
Eu acredito que acima dos autarcas estão os projetos políticos, sobretudo na CDU. A partir daí fazemos o nosso trabalho, cada um com as suas particularidades e forma de estar. Nesse sentido, o Daniel Vieira marcou uma rutura com a tradição dos autarcas da CDU, que não retira competência a todos os outros, mas marcou de facto a diferença.

Relativamente ao nosso projeto, sabemos que a CDU tem tradição no poder autárquico e queremos honrar essa história.

Quais foram as primeiras medidas após a tomada de posse?
Até terminarmos o ano vamos dar continuidade ao programa que já estava elaborado. No início do próximo ano, queremos reforçar a nossa ação na rua. Sabemos que temos necessidades de recursos humanos, mas queremos melhorar a nossa capacidade de resolver os problemas do dia-a-dia. Queremos fazer esse trabalho de forma equilibrada entre as freguesias.

Além disso, vamos continuar com uma forte dinâmica cultural. Achamos que todas as pessoas devem ter a possibilidade de aceder à cultura e queremos diversificar o leque da oferta cultural, sempre de uma forma gratuita.

A CDU sempre foi contra a agregação das duas freguesias. Durante este mandato vão tentar trazer novamente essa discussão para a ordem do dia?
Sempre fomos claros: esta agregação prejudica as duas populações. Temos uma posição firme e sabemos que o Governo ficou de rever esta reorganização administrativa. Não quiseram resolver antes das eleições mas prometeram voltar a analisar este processo durante este mandato.

Não vemos um dado positivo nesta agregação.

Acredita na reversão?
Acredito. Há casos onde se nota que a agregação é prejudicial e este é um desses casos.

Há também o processo de remoção integral dos resíduos perigosos de São Pedro da Cova. Que papel terá a autarquia?
Neste momento aguardamos a remoção total dos resíduos. Sabemos da perigosidade dos resíduos que ali estão depositados e aguardamos a resolução mais breve possível.

A par disso, sabemos que a Câmara adquiriu parte do Complexo Mineiro de São Pedro da Cova e esperamos que torne aquele espaço num museu que retrate o processo industrial que aqui vigorou durante 170 anos.

A CDU tem vindo a alertar também para a poluição do rio Ferreira. O que propõem para aquele recurso hídrico?
É um rio inserido no Parque das Serras, passa no seio desse espaço, e queremos que o integre, a par da reabilitação de toda aquela zona. É necessário criar condições de limpeza e lazer e que não se promova a monocultura do eucalipto. O rio ficará a ganhar muito com isso.

O que espera dizer em 2021, no final deste mandato?
Gostava que a freguesia estivesse melhor do que está. Essa seria uma grande vitória. Um território sem resíduos perigosos, com um complexo mineiro recuperado, com melhor qualidade de vida e onde a recolha de lixo funcione melhor.

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