“Quanto mais difícil for a prova, melhor é a minha prestação”

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Lucinda Sousa venceu o Madeira Island Ultra Trail (MIUT), que decorreu a 12 e 13 de abril

O que é o Trail e Ultra Trail Running? O Vivacidade foi tentar perceber junto dos atletas do Gondomar Futsal Clube e da vencedora da última prova na Madeira, Lucinda Sousa, o que é preciso para conseguir correr mais de 100 quilómetros seguidos, em condições adversas da natureza.

Já imaginou percorrer, interruptamente, 115 quilómetros no meio da serra? E se a partida começasse à meia noite e a temperatura ambiente oscilasse entre -2º centigrados e 20 graus? Lucinda Sousa, residente em Gens, Foz do Sousa, fê-lo na Madeira em apenas 20 horas e 18 minutos e alcançou o primeiro lugar, no sector feminino.
Na edição de abril do Vivacidade, noticiou-se que Lucinda Sousa vencera, ao serviço do Gondomar Futsal Clube, o Madeira Island Ultra Trail (MIUT), que decorreu a 12 e 13 de abril. No total, 13 atletas rumaram até ao arquipélago e apenas um não conseguiu terminar a prova. O objetivo desta modalidade é “testar a resistência humana” através da corrida, em provas de Trail e Ultra Trail que se desenham pelo meio da natureza.
Lucinda Santos Sousa concluiu o percurso entre Machico e Porto Moniz com 6600 metros de desnível positivo, ficando em 16.º lugar na tabela geral. A atleta, de 43 anos, conta ao Vivacidade que “tudo isto foi uma surpresa” para ela. “Sempre treinei ao fim-de-semana no monte e então inscrevi-me no Trail de Santa Iria [em Gondomar] há um ano e fiquei em primeiro lugar. Foi uma surpresa”, conta. Já para a Madeira, Lucinda explica que também “não estava à espera” de obter esta classificação. “Nunca fiz uma prova a pensar em ir ao pódio. Vou fazer a próxima sempre a pensar em dar o meu melhor”, refere.
A chegada à partida é, na sua opinião, “um misto de sensações”. “No final da prova é uma sensação indescritível. É um misto de satisfação e emoção. Na primeira vez que fiz uma maratona chorei no final”, afirma Lucinda.
Atualmente à frente na rede de Circuitos Nacionais de Trail Running, Lucinda Sousa, sabe que, se ganhar as provas seguintes, vai representar Portugal e entra no circuito mundial. No topo das provas mais difíceis está o “The North Face Ultra Trail du Mont-Blanc”, com um percurso de 306 quilómetros e com um máximo de 141 horas autorizadas, em equipas de duas e três pessoas.

Modalidade saudável?

LS4 “Temos consciência que não é saudável pôr um ser humano a correr 20h”, confessa ao Vivacidade Lucinda Sousa. Contudo, o gosto pelo Ultra Trail é maior e a próxima prova, a 17 de maio, já está agendada. No MIUT, a atleta da Foz do Sousa bebeu ao todo 11 litros de água e confessa que perdeu alguns quilos como, aliás, acontece várias vezes. “A prova em que mais perdi peso foi no Paleozoico, no ano passado. Perdi entre 3 a 4 quilos”, explica.

LS3A sua colega, Rosário Martins, não pertence ao Gondomar Futsal Clube mas treina com Lucinda e também participou na prova madeirense, alcançando o 77.º lugar na prova de 85 quilómetros. A desportista explica ao Vivacidade que “sabe os riscos que corre” e que não descora de uma “boa preparação”. “Fazemos muito ginásio, muita musculação e exercícios para aumentar a resistência. Uma prova como esta implica que estejamos preparados mentalmente. A parte mental complementa a parte física”, esclarece. Este tipo de provas exigem, segundo Rosário, uma “grande capacidade de sacrifício” por parte do atleta. “Uma das nossas preocupações era a noite. E se nos perdêssemos?”, questiona Rosário Martins. Lucinda Sousa também partilha da mesma opinião. “Estava ansiosa com o amanhecer porque estive grande parte da noite sempre sozinha. É mais fácil fazer a prova acompanhada. Em casa é uma agonia pensar que vou correr à noite sozinha”, confessa.

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