Renata Balonas: “Nunca me passou pela cabeça desistir deste grande sonho”

Renata Balonas - dezembro 2018

Renata Balonas esteve à conversa com o Vivacidade / Foto: Tiago Santos Nogueira

O sonho começou no Pavilhão de Fânzeres, com 10 anos. Nove anos mais tarde, Renata Balonas, atleta do ano para Gondomar, vai brilhando no Hóquei dos Carvalhos e na seleção nacional. Entre outras coisas, esta é uma entrevista que coloca a idade e a mentalidade nos pratos da balança.

Como surgiu a paixão pelo hóquei em patins?
Tudo começou no Pavilhão de Fânzeres, quando a minha avó e a minha mãe me levaram a um treino de patinagem artística, com 10 anos. No entanto, cheguei ao final do treino e disse-lhes logo que não gostei daquilo. Após o meu treino de patinagem vi os miúdos do hóquei a entrar em campo e disse ao meu pai que era aquilo que eu queria fazer [risos].

Sentes que essa passagem pelo Fânzeres foi importante para o teu percurso hoquista?
Sim, foi extremamente importante, até porque aí também tive a maior interação com rapazes no hóquei. E foi aí que existiu mais crescimento, devido ao ritmo e ao contacto. Foi crucial. Mesmo com treinadores com formas de pensar um pouco retrógradas, isso ajudou-me a crescer e fortaleceu-me. Nunca me passou pela cabeça desistir deste grande sonho.

E estiveste no Fânzeres seis anos…
Sim, estive no Fânzeres até aos 16 anos, depois fui jogar para o Vila Boa do Bispo e, agora, estou a jogar no Hóquei dos Carvalhos.

Começar a jogar hóquei com 10 anos não é um pouco tarde?
Num desporto em que a idade média de entrada são os três anos só posso dizer que entrei muito tarde. No entanto, julgo que aquilo que mais me ajudou a ter uma evolução acentuada, para além do apoio constante dos meus pais, foi uma determinação gigante e muito trabalho. No Fânzeres treinava mesmo muito e, quando era possível, chegava a fazer três treinos seguidos.

Quais os teus grandes objetivos nesta modalidade?
Aquilo que eu mais quero em Portugal é ganhar algo pelo meu clube. Somos vice-campeãs nacionais e acredito que temos uma equipa com muito potencial para conquistar algo. Juntar-me à equipa do SL Benfica seria mais fácil do que tentar derrotá-las, mas eu gosto de grandes desafios. A médio-longo prazo gostava de jogar em Espanha, têm outra mentalidade e são mais profissionais.

Quando dizes mentalidade referes-te a algo em específico?
Em Espanha, o hóquei em patins feminino é muito mais valorizado e isso faz toda a diferença.

Aqui em Portugal, ainda há um longo caminho a percorrer?
Sem dúvida, o hóquei em patins feminino tem imenso para crescer no nosso país. Estamos a evoluir aos poucos. Há pouco rigor e profissionalismo nos clubes e, por isso, não percebem que é necessário abdicar de muita coisa para alcançarmos outros patamares.

Tiveste vários treinadores ao longo do teu percurso. Há algum que te tenha marcado de forma diferente?
Existem vários. Mas, por exemplo, o João Truta foi excelente para mim. Quando estive com ele nos Iniciados B, fui capitã da equipa dos rapazes. O técnico Pires, também no Fânzeres, percebia muito de hóquei. Sinto que quando tive a maior evolução no meu jogo foi com ele a treinar-me. O Hélder Antunes, treinador da seleção distrital, também me ajudou muito no meu percurso hoquista. Os treinadores Gil Vicente e António Barbosa contribuíram, igualmente, para o meu desenvolvimento desportivo.

Consegues apontar o momento alto da tua carreira?
Tive vários momentos altos. Ser chamada à seleção pela primeira vez, aos 16 anos, foi uma alegria extrema e um orgulho enorme. Na última final-fourpelos Carvalhos, frente ao SL Benfica, senti a minha equipa muito unida e fomos muito fortes. Ainda só tenho vice-campeonatos a nível de clubes e seleções. Ainda assim, a nossa seleção feminina tem muita garra, nós somos portuguesas e temos a raça lusitana. Sinto que aquilo que nos falta não é na seleção, mas sim nos clubes ao longo do ano.

Representar a seleção nacional com tenra idade e ouvir o hino nacional são coisas que jamais esquecerás…
Não tenho palavras para descrever a sensação de ouvir o hino nacional com a mão ao peito. É indescritível, só mesmo vivenciando.

Qual a tua maior referência neste desporto?
Pedro Gil, que joga no Sporting. Apesar da idade que tem, ele joga muito. Muito mesmo. É um fenómeno. Ele às vezes é muito temperamental, mas a forma como encara o jogo fascina-me. Luta até ao último segundo e deixa tudo em campo.

E tu? És a típica universal no hóquei em patins?
Gosto de jogar mais atrás a receber e a transportar o jogo como também gosto de estar mais perto da baliza a fazer algo irreverente para desequilibrar. Sou universal. Cada atleta, durante o próprio encontro, tem que ir percebendo o que jogo pede. Esse é o verdadeiro desafio.

Recentemente, na Gala do Desporto, foste homenageada pela Câmara Municipal de Gondomar. Orgulhosa por seres a atleta do ano?
Muito orgulhosa. Foi espetacular, eu estava super nervosa, nem sabia o que dizer [risos]. Foi muito bom ver o reconhecimento da minha terra, é uma forma de saber que estamos a fazer bem aquilo de que tanto gostamos.

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