Rui Correia: “Queremos inverter a tendência de desertificação na Lomba”

Rui Vicente, presidente da Junta da Lomba

O autarca ouve as preocupações da população / Foto: Pedro Santos Ferreira

Rui Correia, presidente da Junta de Freguesia da Lomba, é o responsável pela gestão diária dos destinos da freguesia situada na margem esquerda do rio Douro. Ao Vivacidade, o autarca aponta como principal luta deste mandato a necessidade de reverter a “tendência de desertificação” da freguesia.

O Largo José Saramago, local central da Lomba, é o ponto de encontro com o presidente da Junta de Freguesia, Rui Correia, 36 anos. O autarca chega por volta das 9h e começa o dia no edifício que está a ser alvo de uma intervenção de remodelação. “Este edifício é antigo e tinha alguns problemas estruturais como, por exemplo, o balcão de atendimento, que era muito alto e a degradação das paredes. Decidimos realizar esta intervenção e os materiais são facultados pela Câmara Municipal de Gondomar”, começa por explicar ao nosso jornal.

A par destas obras, na parte superior do edifício está também a decorrer uma intervenção de forma a “valorizar o salão nobre da Junta e a criar salas de formações, salas de reuniões, um espaço de arquivo morto e um gabinete para o presidente da Assembleia de Freguesia”, refere.

Após visitar os espaços intervencionados o presidente da Junta, segue-se uma visita à obras da freguesia. “Todos os dias visito as obras todas para verificar o andamento e preparar novas intervenções”, afirma Rui Correia.

Na rua, o presidente da Junta é abordado por vários fregueses que cumprimentam e solicitam novas reparações. Um dos principais problemas da freguesia são as ruas estreitas, com cerca de quatro metros de largura, “desajustadas da atualidade”. Desde o início do mandato socialista, em 2013, esta tem sido uma das preocupações da autarquia que já procedeu ao alargamento de várias ruas de quatro para seis metros de largura.

A medida está também a ser acompanhada pela construção de passeios, decisão que o autarca considera “fundamental para a segurança das pessoas”.

Ao final da manhã, tempo ainda para uma visita ao cemitério da freguesia onde está a ser reformulada a organização das sepulturas. Rui Correia considera a obra “delicada” mas necessária para colmatar “a falta de planeamento existente”. “Até aqui as pessoas andavam por cima das sepulturas, umas das outras”, recorda o autarca.

Rui Vicente, presidente da Junta da Lomba

O autarca assumiu o primeiro mandato como presidente de Junta / Foto: Pedro Santos Ferreira

“Lomba está a perder muitos habitantes”

A tarde começa com uma visita dos idosos do Centro Social de Soutelo ao gabinete do presidente. O grupo canta as Janeiras e faz votos de um bom ano para o autarca e funcionários da Junta. Rui Correia mostra-se agradado com a visita e junta-se ao coro, num momento de festa.

Na Lomba a população é maioritariamente envelhecida e os jovens fogem cada vez mais da freguesia, realidade que o autarca considera “o maior problema da localidade”. “A Lomba está a perder muitos habitantes. É urgente pensar nisto porque hoje é a Lomba que tem este problema mas julgo que, mais tarde, poderá afetar todo o Alto Concelho”, assume o jovem autarca.

Para inverter a tendência atual, Rui Correia deposita esperança num projeto que prevê a construção de seis lotes para habitações unifamiliares num terreno da autarquia, que serão posteriormente vendidos a preço de saldo. Com esta medida o presidente da Junta espera atrair casais jovens naquele que considera ser “um possível primeiro passo para combater a desertificação”. A Junta está já a contactar outros proprietários de terrenos na freguesia para “conseguir novas oportunidades”.

De acordo com o autarca, a mais recente alteração do Plano Diretor Municipal (PDM) colocou “grandes entraves à Lomba, que tem várias limitações legais que não permitem a construção”. As normas definidas prendem-se sobretudo com a área ardida nos últimos 10 anos, condição que impede a possibilidade de construção em grande parte do terreno da freguesia. Contudo, Rui Correia refere, “o PDM não é o problema, o problema é a falta de organização e planeamento do território que não existiu”.

Atualmente, a freguesia da Lomba está a cumprir “um rigoroso plano de prevenção de incêndios” para assegurar “novas oportunidades de construção nos próximos anos”.

Rui Vicente, presidente de Junta da Lomba

Rui Correia avalia projeto da casa mortuária / Foto: Pedro Santos Ferreira

Centro Integrado vai transformar-se em espaço de lazer

No lugar de Labercos, o Centro Integrado – edifício que custou cerca de 400 mil euros – está “ainda por concluir”. Rui Correia, em visita ao local, dá a conhecer a intervenção que está a ser realizada no local. “Tínhamos aqui um conjunto de sobreiros que tapava a visão às habitações. Deitamos os sobreiros abaixo e vamos colocar aqui um espaço de lazer com mesas. Este espaço pode também servir para as coletividades da freguesia organizarem iniciativas”, revela o autarca.

No edifício do Centro Integrado da Lomba, poderão voltar a realizar-se aulas de zumba e outras iniciativas da Junta.

Construção da casa mortuária avaliada em 1,5 milhões de euros

A próxima grande obra na Junta de Freguesia da Lomba foi apresentada aos moradores do lugar da Lomba a 29 de novembro. O projeto que prevê a construção de uma nova casa mortuária no Largo de Santo António, está avaliado em 1,5 milhões de euros e teve já o aval do presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins.

Freguesia da Lomba:

A freguesia da Lomba conta com cerca de 2000 habitantes e é a única freguesia de Gondomar situada na margem esquerda do rio Douro. No século XX, a Lomba foi um dos principais portos fluviais e daqui se exportava, para a cidade do Porto, madeira, lenha, carvão e urge. Pertenceu à vila de Melres até 1807, altura em que passou a ser considerada uma freguesia. Atualmente, a praia fluvial da Lomba é um dos locais mais frequentados pelos turistas que visitam o Município de Gondomar durante o Verão.

, , , ,