São Pedro da Cova volta a perder pela margem mínima

São Pedro da Cova - outubro 2017

O São Pedro da Cova foi derrotado em casa pelo Tirsense / Foto: Tiago Santos Nogueira

O Tirsense deslocou-se ao Estádio do Laranjal para defrontar o São Pedro da Cova e conseguiu a vitória por 1-0. Com nove jogos realizados na presente época, o São Pedro tem agora seis derrotas. Todas pela margem mínima.

Muito perto dos resíduos tóxicos, mora o Estádio do Laranjal. Os opostos de São Pedro da Cova situados, assim, lado a lado. A alegria de um povo ao fim de semana e uma tristeza que se vem arrastando ao longo dos últimos anos. Embora os mais recentes resultados não contribuam para a felicidade dos sampedrenses, quando a bola começa a rolar, a esperança da vitória e do bom futebol volta sempre a renovar-se.

Quanto ao jogo do último domingo, uma má entrada no jogo por parte da equipa da casa, com pouco critério na construção, frente a uma equipa experiente e com um bloco médio-baixo, está na origem de mais um desaire. O Tirsense aproveitou, com inteligência, a juventude da formação sampedrense e talvez até algum nervosismo devido àqueles que têm sido os últimos resultados. Num jogo muito físico, com pouca magia, o único golo da partida surgiu à passagem do minuto 25. Ricardo Fernandes colocou a equipa forasteira em vantagem no marcador, num remate de trivela fora da área, com a bola a entrar bem junto ao poste da baliza do São Pedro. De realçar que os locais reagiram bem ao golo sofrido. Já perto do intervalo, num livre lateral do lado esquerdo do ataque, muito perigo na área do Tirsense. Com os adeptos da casa a queixarem-se de uma grande penalidade por mão na bola. Francisco Pereira, um dos pontas-de-lança lançados por António Luís, entrega-se ao jogo de corpo e alma e tem bastante qualidade a jogar de costas para a baliza. Pese embora o facto de ter sido o autor da maior perdida do encontro. Chico, tal como é conhecido, na última jogada do primeiro tempo podia ter feito (muito) melhor. Sozinho na pequena área não conseguiu encostar para o golo que daria o empate. Atirou ao lado da baliza. Após o descanso, a segunda parte iniciou tal como encerrou a primeira. Com o São Pedro por cima do jogo. A equipa parecia mais intensa e esclarecida. Contudo, não conseguiu balançar as redes adversárias numa sequência de três oportunidades de golo.

Não seria justo terminar sem um destaque (merecido) ao lateral-direito do São Pedro da Cova. Francisco Mourão de seu nome. Que fez um belíssimo jogo. É usual que António Luís utilize o 1x4x1x3x2, mas talvez para tentar surpreender, começou o jogo de domingo com três pontas-de-lança. Fixando ainda mais a defesa adversária, com os laterais do Tirsense mais juntos aos centrais e, por isso, tentando aproveitar a largura e a profundidade nos corredores laterais. Mourão percorreu toda a faixa direita com grande velocidade e intensidade, conseguindo uma dezena de cruzamentos interessantes. E porque a equipa sampedrense não foge à regra do futebol moderno, depende muito da profundidade dos seus laterais, sendo que não foi por aqui, seguramente, que o problema se adensou.

A experiência de Zé Manel
No setor mais recuado da equipa visitante, atua José Manuel Lopes Ribeiro. Zé Manel no mundo do futebol. Com 41 anos e a contar, não perdeu um único duelo dividido. Um defesa-central duro e muito forte no posicionamento, esteve também perto de fazer o segundo golo da partida. Se não fosse a enorme defesa do guarda-redes Ricardo Martins. 

À conversa com António Luís:
“Julgo que o empate se ajustava mais tendo em conta aquilo que aconteceu no jogo. Foi um encontro muito mal jogado. Muito no contacto físico. Não foi, de facto, um grande espetáculo de futebol. Temos que render muito mais. Durante a presente época, já tivemos quatro derrotas nos descontos. A nossa juventude paga-se muito caro. Ainda assim, a experiência conquista-se desta forma. A nossa média de idades está nos 22”.

“Com os três pontas, ganhamos na profundidade, mas perdemos no jogo interior. Tentamos começar de uma forma diferente do que é habitual, com o objetivo de marcar um golo cedo. Pedíamos somente a um ponta para baixar, condicionando o médio-defensivo deles. Devo também dizer que andamos cinco semanas a treinar no pelado durante a pré-época. E isso roubou-nos velocidade e intensidade à nossa preparação”.

, , , ,