SC Montezelo: presidência no feminino apresenta resultados

Arminda Gomes - SC Montezelo

Arminda Gomes, presidente do SC Montezelo / Foto: Pedro Santos Ferreira

O Sport Clube Montezelo foi fundado em 1979 e, hoje, tem uma característica que o distingue dos restantes clube: Arminda Gomes é presidente, desde 2008, e tem vindo a alterar a realidade desta equipa.

Em conversa com a presidente da direção do SC Montezelo, Arminda Gomes, o nosso jornal ficou a perceber como funciona este clube. A presidente, uma figura incontornável desta associação, explicou-nos o motivo de ter começado esta aventura no clube. Apesar de, segundo a mesma, tudo ter começado numa brincadeira entre amigos, hoje, a dirigente assume o cargo de forma séria e veste a camisola do Montezelo todos os dias.

“Quando iniciei o meu percurso como presidente, há oito anos, o clube tinha cerca de 30 ou 40 atletas, nos escalões de juvenis e juniores. Passado pouco tempo tivemos uma proposta para criar uma academia e conseguimos reunir muitos miúdos. Isso fez com que tivéssemos a oportunidade e obrigatoriedade de criar mais escalões porque ficamos com muitos atletas de diferentes idades. No espaço de um ano passamos de 30 para 150 jogadores, o que obrigou a criarmos sete escalões”, explica Arminda Gomes, avançando ainda que a direção conseguiu criar condições para ter equipas técnicas a acompanhar cada escalão.

O Sport Clube de Montezelo, clube com 364 sócios, consegue conciliar duas realidades, que por vezes parecem incompatíveis na prática futebolística: a vontade de vencer todos os jogos, com o carinho por todos os atletas. “A mulher tem uma visão diferente. Os homens das equipas técnicas querem ganhar todos os jogos. Eu, se calhar, não vejo a coisa por aí. Eu quero é que os miúdos tenham lanche no final do jogo, que vão satisfeitos para casa e que no dia seguinte estejam cá para o treino. Sei que às vezes é muito difícil transmitir estes valores e isto não quer dizer que eu não queira ganhar os jogos. Claro que fico muito triste quando perdemos”, afirmou, especificando um pouco as vantagens de ter uma mulher como presidente um clube de futebol.

Apesar de ainda existirem pessoas que acham irreal ter uma mulher à frente de um clube, Arminda Gomes é a prova de que não só é possível, como benéfico. “Sempre fui muito respeitada. Quando não percebo, deixo falar quem percebe e quem sabe. Mas, por um lado, tento gerir este clube como uma empresa. Tem que ser. Por outro lado, tento profissionalizar o mais possível quem cá está. Cada vez mais tenho pessoas formadas à frente dos escalões. As exigências são cada vez maiores. No início, quando ia às reuniões da Liga Desportiva de Gondomar, as pessoas achavam piada. Havia sempre uma condescendência por eu ser a única mulher e eu deixava as pessoas falar. No entanto, não abdico dos meus princípios morais, daquilo que eu acredito e que acho justo. Tento sempre ser, tanto na minha vida profissional como pessoal, uma pessoa justa. Por aquilo que eu acho que não é correto ou que influencia o bom desenvolvimento do meu clube ou dos meus atletas, eu vou até ao fim. Atualmente tenho uma conotação negativa por ser do contra, o que se calhar associam ao facto de ser mulher”, admitiu a presidente.

Quanto ao futuro no Montezelo, Armida Gomes tem os objetivos bem definidos. Com a finalidade de continuar a evoluir e com a mira na rentabilização deste espaço durante o dia, a presidente pretende dar um passo em frente. “Há muitas necessidades na freguesia. Era um gosto meu ter aqui crianças com deficiências a jogar futebol em campeonatos inseridos dentro dos planos de estudo. E neste projeto também gostava de incluir uma equipa de futebol feminino federada, porque sei que temos mulheres com capacidade para dar o litro”, começou por apontar. “O principal objetivo para o futuro do clube é o relvado sintético, o resto vem por acréscimo. Com o sintético consigo criar emprego, ter aqui crianças com deficiência a jogar durante o dia, mulheres… E queremos finalmente federar a equipa sénior”, finaliza a dirigente.

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