Sobrinho Simões esgotou Auditório Municipal a falar de saúde e bem-estar com a doença

Conferências de Gondomar - novembro 2018

As Conferências de Gondomar contaram com a presença do médico e investigador Sobrinho Simões / Foto: Pedro Santos Ferreira

O Auditório Municipal foi pequeno demais para acolher a palestra de Sobrinho Simões nas Conferências de Gondomar. A iniciativa teve lugar no dia 15 de novembro e centrou-se no tema “Viver com saúde e estar de bem com a doença”.

Cerca de 400 pessoas marcaram presença na última edição das Conferências de Gondomar, que contou com Sobrinho Simões como convidado de honra. O conceituado médico e investigador trouxe a Gondomar, “terra de grandes amigos de há longos anos”, uma palestra esclarecedora e arrancou, por diversas vezes, sorrisos da plateia.

Subordinada ao tema “Viver com saúde e estar de bem com a doença” e moderada por Rio Fernandes, a intervenção de Sobrinho Simões procurou desmistificar alguns mitos da medicina moderna, sobretudo em Portugal.

“A primeira coisa que temos que perceber é que temos que apostar mais na doença, no sentido da prevenção, e não tanto na saúde”, começou por dizer o professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

“Portugal tem a mesma esperança de vida que os outros países europeus. Contudo, somos uma das populações que mais se queixa das doenças, porque exageramos na perceção da enfermidade”, acrescentou Sobrinho Simões.

Após a intervenção inicial, o público teve a oportunidade de colocar questões, muitas delas baseadas em casos verídicos. O convidado das Conferências de Gondomar respondeu a todas, sempre com uma perspetiva otimista sobre a doença.

“Julgarmos que somos imortais é errado. É importante percebermos uma coisa: temos que nos convencer que vamos envelhecer, mas também podemos equacionar envelhecer com saúde. Até porque está provado que as pessoas felizes vivem mais anos que o habitual”, fez notar o patologista.

No que diz respeito ao pedido de uma segunda opinião médica, Sobrinho Simões não se mostrou tímido e admitiu que também é “totalmente a favor” dessa prática. “Nem o doente deve esconder isso, nem o médico deve ficar ofendido. É dos comportamentos mais básicos da sociedade e é correto”, referiu.

A terminar, Sobrinho Simões admitiu que vivemos hoje “numa sociedade de medos, temendo tudo e todos”. No entanto, para o investigador português “é importante viver mais e pensar menos na doença.

Refira-se que em 2015, Sobrinho Simões foi eleito, pela revista britânica “The Patologist”, como o patologista mais influente do mundo.

A próxima edição das Conferências de Gondomar está prevista para fevereiro do próximo ano.

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