Sociedade Protetora dos Animais insiste na construção do canil em Baguim do Monte e quer indemnização

Da parte da Câmara, o presidente Marco Martins não compreende o porquê da presidente da SPAP não ter aceite a reunião com o vice-presidente. “Essa senhora pediu uma audiência sobre um processo de urbanismo e como para qualquer pessoa remeteu-se para o vereador do pelouro. A senhora tinha uma audiência e faltou. Se tem alguma questão judicial com a Câmara tem que a colocar, não colocou”, explica Marco Martins ao Vivacidade.

“Pode haver aqui uma bomba relógio”

Para Nuno Coelho, presidente da Junta de Baguim do Monte, a questão do canil pode ser vista de três vertentes diferentes: a técnica, a do cidadão e a do autarca.

“Tecnicamente o processo teve um determinado andamento, umas determinadas tomadas de decisão pelos serviços municipais, com maior ou menor transparência. Acho que foi com muito pouca transparência. Este processo foi todo gerido num gabinete, na parte do urbanismo, e havia uma sintonia muito direta com o anterior vice presidente da Câmara. Questiono a falta de transparência e a falta de poder de consulta quer da Junta de Freguesia quer do cidadão”, começa por explicar Nuno Coelho. “A visão do cidadão e baguinense que sou, é que eu não sou minimamente contra os animais. Aliás, sou um acérrimo defensor dos animais. Mas há uma coisa pela qual também sou defensor. A minha terra e a qualidade de vida da minha terra. E isso leva-me a que tenha que questionar uma sadia convivência entre eventualmente 2000 cães ao lado de eventualmente 2000 humanos e se não vai haver contrariedades e conflitos no dia a dia. Eu acho que sim enquanto baguinense”, acrescenta. “Enquanto presidente de Junta compete-me pôr as duas visões de lado. Compete-me defender acima de tudo a população e a sua qualidade de vida. Fico estupefacto com a falta de transparência que existiu no processo. Várias vezes tentei consultar o processo na Câmara e nunca consegui. Não tenho o processo comigo, tenho cópias que arranjei por vias travessas e só depois deste executivo entrar é que comecei a ver exatamente como está o processo. A falta de transparência veio dar naquilo que a população e os autarcas na Câmara e Freguesia temiam. Pode haver aqui uma bomba relógio. E a bomba relógio não é boa para a população nem para os animais”, esclarece o autarca.

Projeto com interesse mas “nunca naquele sítio”

Planta do Projeto para Canil em Baguim do Monte / Direitos Reservados

Planta do Projeto para Canil em Baguim do Monte / Direitos Reservados

Ainda durante o seu último mandato como presidente da CMG, Valentim Loureiro referia que caso a Sociedade Protectora dos Animais consiguisse “assegurar que pode ultrapassar todos os possíveis problemas de ruído” a situação poderia “ser revista”. Para o atual presidente, Marco Martins, “o que existe é um processo que foi indeferido de licenciamento e está arquivado”. “O projeto poderia ter interesse mas nunca naquele sítio”, conta. Nuno Coelho partilha da mesma opinião. “Eu gostaria de ver essa estrutura num sitio que não viesse a provocar, mesmo que ao de leve, questiúncula entre os animais e os seus direitos e os humanos e os seus direitos”, explica. “Se eu acho que a Quinta da Missilva é a melhor localização? Acho que não. É um erro tremendo colocar ali um equipamento projetado com a dimensão do canil mesmo ao lado de moradias”, acrescenta o presidente de Baguim.

No entanto, o autarca admite que “pode haver desenvolvimentos em todos os sentidos” e por isso mesmo já tentou “averiguar a disponibilidade da SPAP de poder fazer a construção noutro local, com boas acessibilidades” mas, diz Nuno Coelho, “há falta de propensão para o diálogo e isso não é bom para ninguém.” “Já propus uma localização atrativa na freguesia à volta dos 40 mil metros quadrados”, conta ainda. Ermelinda Martins diz que o presidente da Junta “só pode estar a brincar”. “Falou-me como se não tivéssemos direitos adquiridos e não tivéssemos um terreno já nosso”, afirma. “Isto é um processo político. Não há vontade política para resolver isto”, insiste. “Durante muitos anos, aguentámos e ficamos calados. Isso vai acabar. Estamos a criar uma plataforma de divulgação da Protectora para breve”, conta ao Vivacidade a presidente da SPAP.

Nuno Coelho, por sua vez, explica que “insistir nesta guerra teórica e no ‘quero, posso e mando’ só dá chatices para todas as partes.” “Quero sentar-me à mesa com a Câmara, com a SPAP e com representantes dos moradores e ver uma alternativa viável que não incomode ninguém. Apelo à senhora presidente da SPAP que se sente connosco”, acrescenta. Uma coisa é certa, garante o autarca, “eu estarei sempre ao lado da população.”

A voz do povo

Quando tiveram conhecimento do que se poderia passar no seu bairro, os moradores da Quinta da Missilva uniram-se e criaram uma comissão contra a construção do canil. Chegaram inclusive, a organizar uma manifestação. Atualmente, Aníbal Queijo e Simão Sousa assumem-se como porta-vozes desse grupo criado.

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