A ambição dos “appSound” não conhece limites

Formada em março de 2014 no âmbito dos Centros de Atividades Ocupacionais da Associação do Porto de Paralisia Cerebral, a banda dos “appsound” integra elementos com e sem paralisia cerebral. Com ensaios semanais na “Villa Urbana” de Valbom contam já com um disco/pen de originais editados.

Na “Villa Urbana” de Valbom, uma das três unidades da Associação do Porto e Paralisia Cerebral (APPC), podemos assistir aos ensaios dos “appSound” todas as quinta e sextas-feiras. Desta banda fazem parte o vocalista Bruno Francisco, Pedro Castro nas teclas, nos dispositivos eletrónicos iPad e Makey Makey está Paulo Fonseca e o professor de Expressão Musical Indalécio Paiva, sendo que a estes nomes ainda se junta o pianista Filipe Paiva em várias atuações.

Indalécio Paiva, professor de Expressão Musical e membro da banda, clarificou o principal objetivo dos “appsound”. “Queremos promover a autonomia dos elementos da banda, apelar à sua criação artística e, principalmente, desmistificar a errada ideia que as pessoas com paralisia cerebral não conseguem fazer de tudo”. Pedro Castro, Paulo Fonseca e Bruno Francisco concordam com o professor, sendo que este último ainda acrescenta. “Podemos ter limitações, mas não somos incapazes”.

O processo musical da banda passa pela aposta na criatividade e imaginação dos seus elementos para “fazerem música”, sendo que primeiro compõem as suas letras e só depois elaboram a respetiva musicalidade. “Aproveitam-se as capacidades específicas de cada um deles”, refere Indalécio Paiva, professor de Expressão Musical da APPC a quem cabe a tarefa final de “apenas limar arestas… ou sugerir alguns caminhos…”

Os elementos da “appSound”, além de comporem e produzirem temas originais, fazem também recolha de repertório adequado às diferentes apresentações para as quais são convidados. A banda já atuou um pouco por todo o país e o teclista Pedro Castro, destacou as atuações no Instituto Politécnico de Bragança, Casa da Música, nos “Campus Artísticos” da APPC ou em Faro nas comemorações do Dia Nacional da Paralisia Cerebral, em 2018. Em julho deste ano, num concerto na Ribeira do Porto, fizeram a apresentação do novo disco de originais. Intitulado “inspiraSom”, tem como tema de destaque o “Não há problemas, há soluções”. A tal lógica de “fugirem” à quase eterna imagem de “coitadinhos” … “Que não sou!”, diz Paulo Fonseca (que utiliza tablet e software de voz para comunicar). Em relações a projetos futuros, os “appSound” marcarão presença em setembro na Noite Branca de Gondomar.

A dinâmica e postura da banda traduzem, também, a filosofia desde sempre implementada na intervenção da Associação do Porto de Paralisia Cerebral e para Abílio Cunha, presidente da Direção da instituição, o objetivo é a afirmação “como pessoas capazes e que gostam de ser parte ativa da sociedade”. “Não são as nossas eventuais limitações que nos impedirão de participar, o que acontece, por vezes, é que é a sociedade fecha-nos algumas portas”. Por isso mesmo, e como fazem questão de destacar, a “Villa Urbana” de Valbom ou qualquer outra das unidades da APPC “são projetos de portas abertas, integrantes, desafiadores e que querem envolver toda a comunidade”.

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