Gasómetro celebrou 20 anos com enchente

A realizar a sua 20ª edição, o Gasómetro é já um festival enraizado não só na freguesia de S. Pedro da Cova como no concelho de Gondomar. O Vivacidade esteve à conversa com João Martins, Presidente da Associação Social Estrelas de Silveirinhos com quem fizemos um balanço desta.

20 anos de gasómetro, peço-lhe antes de mais, para me fazer um balanço do que é que foi esta edição do 20º aniversário.

A 20ª edição acho que foi extraordinariamente positiva. Apesar do contratempo inicial, que foi a substituição do artista convidado para o sábado à noite, o cabeça de cartaz, que seria o Zé Amaro.

Fomos informados do cancelamento a 15 dias da realização do evento, um curto espaço de tempo que apesar disso nos permitiu trazer os “Diapasão” e anoite acabou por ser um sucesso com muita gente a assistir ao concerto. Em resumo eu diria que o 20º aniversário foi extraordinariamente positivo.

Tem mais ou menos ideia do número de pessoas que estiveram presentes no evento?

É difícil mas arriscaria dizer que estiveram 10 mil pessoas ali. Os dois recintos estavam completamente cheios.

Para uma freguesia como São Pedro da Cova é uma dimensão importante?

Muito importante. Eu diria que, de facto, o Gasómetro hoje tem um estatuto muito especial em São Pedro da Cova. Esta freguesia não tem nenhum evento relevante a não ser o Gasómetro. Tem as festas aos padroeiros, festas de aniversários das várias coletividades, mas algo de relevância que traga pessoas de fora, é de facto este festival.

Este é o evento mais marcante da freguesia e este evento tem sido marcante ao longo dos anos em que ele vai durando.

É importante para vocês associação que estão aqui sediados na freguesia de São Pedro da Cova, trazer essa gente de fora, como refere?

Não só para a instituição, mas também para a freguesia. Eu acho que, o facto das pessoas poderem vir a assistir a concertos de qualidade, espetáculos de qualidade, a eventos de qualidade serve para, que mais não seja, acabar com alguns estigmas que ainda possam subsistir relativamente à freguesia.

Eu acho que, o trazer as pessoas, mais importante do que a associação, eu diria que é mais no âmbito global, é importante para a freguesia.

E sente isso no contacto diário com as pessoas?

De facto, naqueles dias que se seguem à realização do evento, há vários contactos de pessoas que se nos dirigem, dando-nos os parabéns pela realização do evento e pelo facto até, da importância de ele continuar.

Nós temos dito, desde o ano passado, que iríamos fazer os 20 anos, esse estaria assegurado, mas não sei se seria assegurado as edições posteriores. As pessoas dirigem-se a nós na convicção de que as coisas devem continuar porque realmente é um evento de qualidade.

E está para continuar?

É difícil. De facto, há um interesse, quer da minha parte, quer das pessoas que me acompanham na instituição e na realização do evento, de que ele continue porque de facto há aquele bichinho, uma pessoa diz que quando acaba está ansioso que comece o próximo.

Agora as dificuldades são enormes, os apoios não são aqueles que nós gostaríamos que fossem. Eu acho que nós não recebemos os apoios que consideramos adequados à dimensão do projeto. Acho que estão muito aquém.

Particularmente até acho que os nossos autarcas têm apetências muito especiais para apoiar as festas religiosas, as festas aos padroeiros em deterioramento do Gasómetro, é essa a minha convicção. Por isso nós temos que ponderar se há condições ou não. Enquanto houver condições, ele vai realizando-se.

As pessoas, conhecendo-me, sabem perfeitamente que quando não houver condições pelo menos económicas, ele tem que parar. Não vou endividar a associação por causa do projeto, isso está fora de questão.

Com 20 anos, seria já um projeto completamente cimentado mesmo na cabeça dos políticos quer da freguesia, quer do concelho.

Deveria, só que os apoios nunca aumentaram. Têm-se mantido dentro dos mesmos valores de há muitos anos a esta parte e, de facto, falta-nos se calhar um grande patrocínio como acontece nos grandes festivais de verão, falta um grande patrocínio por trás para segurar este projeto.

De facto, os apoios que nós temos, quer da Câmara, quer da Junta e mesmo no IPJ, são muito limitados atendendo à dimensão do projeto. É essa a nossa ideia.

Como habitual também se associou o aniversário da elevação de S. Pedro da Cova a vila à edição deste ano do Gasómetro.

É habitual, já há uns anos a esta parte. Eu diria que já desde o mandato do presidente da Junta, Daniel Vieira, que começou a ser associado a elevação de São Pedro da Cova a vila que coincide as datas e, atendendo à referência deste projeto, nós aceitamos de bom grado e em boa altura o fizemos porque acho que fica bem associar uma festa à outra.

O facto de nós termos sido escolhidos para ser incluída a elevação de São Pedro da Cova no nosso evento, demonstra efetivamente a sua importância e isso claro que nos enche de orgulho.

Tirando “Diapasão”, que já percebi que foi o ponto alto da festa, quais foram aqueles momentos que destacaria do Gasómetro deste ano?

Há sempre espetáculos únicos preparados especificamente para o primeiro dia e este ano aconteceu a mesma coisa com um grupo de bateristas a acompanharem a abertura do evento.

Depois paralelamente, existem aquelas atividades que integram o cartaz, este ano também tivemos o teatro de marionetas que foi uma coisa diferente.

Depois destaco ainda as atividades do palco secundário que este ano contou com desgarradas, cantares ao desafio e capoeira.

O Gasómetro não se cinge apenas a atividades no palco principal. Há sempre um sem número de atividades paralelas que se desenrolam no recinto e às vezes ao mesmo tempo. Ou seja, é um evento diferente, é uma referência e por isso é que eu acho que, se ele um dia acabar, particularmente São Pedro vai ficar enfermo do seu maior valor.

Olhando nessa perspetiva, pode ficar aí uma lacuna cultural também para a população desta freguesia?

Sem dúvida. Eu acho que se houvesse um ano em que não se realizasse o festival, a população vai sentir seriamente esta lacuna, não tenho dúvidas nenhumas.

Criou-se um hábito tão grande, não só na população, não só na freguesia, que todos os anos as pessoas esperam pelo Gasómetro. Era importante que isso não acontecesse, mas é um facto que isso não depende só de nós. Eu disse no ano passado na abertura, e isso é um facto concreto, nós quando pedimos um apoio à população e quando eu digo pedir um apoio à população falo especificamente às vezes em alguns concertos pormos uma entrada simbólica de 1€, 1,5€, 2€, a população não adere, não participa.

Nós já tivemos bons concertos aqui, que só pelo simples facto de termos uma entrada simbólica, está lá pouca gente. A população também deveria colaborar mais, se quer manter o espetáculo deveria colaborar connosco e isso também não tem acontecido.

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