Manuel Rosas: “Os associados começam a regressar às nossas instalações”

Manuel Rosas, presidente do Clube Gondomarense

Manuel Rosas, presidente do Clube Gondomarense

O Clube Gondomarense viveu no final do ano passado uma das páginas mais negras da sua história secular. A anterior direção fechou as portas da coletividade que só reabriram a 31 de janeiro, com a tomada de posse de uma nova direção, liderada por Manuel Rosas. Ao Vivacidade, o novo presidente do Clube Gondomarense promete pôr ordem na casa e dar nova dinâmica ao Clube. Para concretizar esta missão, Manuel Rosas espera contar com o apoio de todos os sócios da associação.

A saída da anterior direção deixou o Clube Gondomarense numa situação muito complicada. Em que estado estava a associação quando tomaram posse?

Manuel Rosas (MR): A anterior direção não conseguiu encontrar substitutos para assumir a direção do Clube e decidiu entregar a chave desta instituição à Câmara de Gondomar. Bateram com a porta sem ter o cuidado de dar continuidade ao Clube e muitos sócios afastaram-se. Eu sou frequentador deste Clube desde pequeno e senti-me na obrigação de participar nesta fase difícil. Reuni sete pessoas e tomamos posse no dia das eleições porque era urgente resolver esta situação. Assumimos a direção e estamos a tentar dar solução aos problemas que ficaram por resolver. Entretanto desapareceram muitos sócios, quer pela indiferença com que foram tratados quer pela falta de carinho e sensibilidade.

Tiveram que lidar com uma situação difícil?

MR: Não tínhamos a noção se íamos conseguir um concessionário para o bar e não tínhamos bases para fazer um orçamento. Felizmente conseguimos.

O edifício do Clube Gondomarense esteve fechado durante cerca de um mês. Foi uma página negra na história da coletividade?

MR: O Clube esteve fechado desde 27 de dezembro até 31 de janeiro. Foi um período para esquecer da gestão do Clube Gondomarense. Ainda não encontramos a melhor forma de dinamizar a coletividade mas os associados começam a regressar às nossas instalações.

Quantos sócios tem atualmente o Clube?

MR: Esta coletividade tinha apenas 20 a 25% dos sócios que estavam registados. Esta casa é dos sócios e o espaço deve ser deles e para eles. Neste momento o clube tem cerca de 200 sócios a contribuir mensalmente, mas ainda estamos a avaliar este número.

Rejuvenescer o Clube Gondomarense é um dos objetivos?

MR: É um dos objetivos, mas é difícil de atingir. Temos que cativar os interessados. Agora temos uma página nova no Facebook e esperamos cativar mais pessoas.

Quais as principais obras que o Clube necessita?

MR: O nosso grande problema é a deterioração do nosso património. Ao longo dos anos surgiram várias oportunidades de arranjar o telhado mas pensou-se sempre numa obra de grande dimensão, que nunca foi feita. Esta casa precisa de ser redimensionada e não aumentada. Neste momento o importante é preservar o que temos e a nossa biblioteca, que é única em Gondomar. As nossas instalações têm uma localização fantástica e o nosso passado é histórico.

O edifício é uma das mais valias do Clube?

MR: Esta casa teve o primeiro teatro/cinema de Gondomar. O nosso salão tinha capacidade para 350 pessoas e chegou a ser cedido a coletividades do Porto que faziam aqui as suas iniciativas. Tínhamos condições fora do comum e estamos neste edifício à 105 anos.

Como conseguiram este edifício?

MR: O edifício foi conseguido com a contribuição dos sócios e muito amor à causa. Este era o local central da tertúlia e do debate político em Gondomar.

Neste momento estão a decorrer algumas obras de conservação…

MR: Exatamente, com o precioso apoio da União de Freguesias de Gondomar (S. Cosme), Valbom e Jovim.

Tiveram sempre a necessidade de servir a comunidade?

MR: Sentimos sempre esse apelo e estamos sempre empenhados em servir a comunidade e ser cívicos. Realizamos muitas atividades de apoio ao ensino e chegamos a ter uma escola com professores pagos pelos sócios. A nossa biblioteca era o principal atrativo.

A biblioteca é formada por livros cedidos pelos sócios?

MR: Temos muitos livros cedidos pelos nossos sócios. Grande parte da biblioteca não está ainda devidamente arrumado e preparado, mas temos obras riquíssimas e muito cobiçadas. Também temos jornais de Gondomar muito antigos e edições especiais de livros históricos.

Os livros estão disponíveis para consulta?

MR: Eventualmente podemos articular uma parceria com a Biblioteca Municipal de Gondomar, mas é uma questão que tem que ser levada à Assembleia do Clube Gondomarense.

Tem esse objetivo?

MR: Só com uma proposta bem estruturada é que podemos avaliar. Estamos disponíveis para avançar com um alargamento da utilização da nossa biblioteca.

Já estabeleceram parcerias com outras instituições e associações do concelho?

MR: Temos uma parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Também queremos ceder o nosso salão para aulas de música. Para nos tornarmos sustentáveis temos que criar um salão polivalente com atividades procuradas e que tragam rendimento para o clube, sem descurar o ensino e formação.

Há atividades planeadas para os próximos tempos?

MR: No mês de maio vamos ter várias iniciativas culturais. Desde o dia 3 de maio vamos celebrar mais um aniversário do Clube Gondomarense, com o hastear da bandeira. No dia 22 de maio realiza-se a sessão solene e no dia 31 de maio vamos ter uma sessão de poesia. Já não se faziam aqui eventos há muito tempo.

O que espera fazer até 2017?

MR: Não quero falar em 2017, prefiro pensar em 2015 que está a ser uma dor de cabeça muito grande. Para já queremos tornar o Clube sustentável e criar condições para atrair mais pessoas.

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