Tiago Silva: “No nosso entender esta será a segunda maior festa do concelho de Gondomar”

Tiago Silva é um dos membros da Comissão de Festas de São Roque, lugar de Gens. Neste grupo não há cargos, apenas a entrega de cada um para o bem comum, como faz questão de sublinhar antes da nossa conversa sobre a edição deste ano das festas.

O cartaz deste ano apresenta algumas surpresas, fale-nos um pouco do que serão estes dias de festa.

Este ano apresentamos um cartaz um pouco diferente do que é habitual, um objetivo que traçamos logo quando começamos a trabalhar nesta organização. Tivemos algumas condicionantes na realização das festas nos dois anos anteriores, este ano queremos de facto dar ao povo a festa que ele merece.

No seguimento disso quisemos ir além do que é tradicional e penso que conseguimos diversificar abrangendo um público mais alargado, em especial um público mais jovem, que era o nosso objetivo.

A festa arranca no dia 14, quarta-feira, que é desde logo uma novidade com a adição deste dia, com quatro grupos de dança, todos eles do concelho de Gondomar sendo um inclusivamente aqui do lugar de Gens. Será um dia a pensar quase exclusivamente aos jovens apesar de que é aberto a toda a gente que se queira juntar à festa.

No dia 15 é um dia mais dedicado ao culto religioso com a Procissão das Velas, como é tradicional, ficando para a noite seguinte, dia 16, a também já tradicional Noite de Fados, este ano com quatro artistas que nos irão trazer quatro géneros de fado distintos, entre eles um mais humorístico e o tradicional, por exemplo.

No sábado, dia 17, voltamos a apostar na diversificação, iniciando bem cedo com a habitual entrada de um grupo de bombos que irá percorrer as ruas do lugar, um momento mito esperado por todos. Ao início da noite teremos a atuação de dois ranchos folclóricos, entre eles o Rancho Folclórico de Gens, para fechar esta noite e novamente a pensar nos mais novos, teremos três djs, dois deles bem conhecidos daqui da nossa zona.

No domingo voltamos a ter um dia mais tradicional com as habituais bandas de música, a fanfarra de Gondomar, a missa e a procissão solene que percorrerá as ruas de Gens. À noite as bandas têm uma surpresa preparada para quem assistir à sua atuação, um momento que decidimos nomear como “Notas Soltas” e que pretende atrair mais público do que aquele que normalmente assiste a este género de espetáculos.

Este dia de domingo não podia encerrar sem o nosso fogo de artifício, esperamos conseguir fazê-lo. Nos últimos dois anos não obtivemos licença para o lançamento de fogo, este ano temos esperança que as coisas sejam diferentes.

Na segunda-feira teremos então a estrela maior das festas deste ano, o Michael Carreira, antecedido por um grupo que irá surpreender todos os presentes, preparando o público então para a festa que será o concerto do Michael.

Para o encerramento das festas e continuando nesta senda de proporcionar espetáculos diferentes para o nosso povo, teremos um espetáculo surpresa que acreditamos que irá surpreender toda a gente e que nas redondezas não foi ainda estreado. É algo diferente, com uma dinâmica única, tal como o povo merece porque é o povo quem paga esta festa.

Referiu que nos últimos dois anos a organização deste evento se deparou com algumas dificuldades, que problemas foram esses?

Essencialmente prende-se com a questão do fogo de artifício que nos últimos dois anos não nos permitiram lançar. Temos muita dificuldade em entender esta proibição. Nós aceitamos as condicionantes que levaram a essa proibição embora para nós nunca fosse plausível até porque em tantos anos nunca tivemos aqui algum incidente ou incêndio provocado pelo lançamento do fogo.

Contudo o pior é que, no dia em que nos é proibido lançar o fogo de artifício, basta olhar para o outro lado do rio e ver uma situação oposta que não é feita à revelia mas sim com todas as autorizações devidamente passadas.

Acredito que o nosso prejuízo tenha acontecido por excesso de zelo, daí termos a expectativa que este ano a situação seja diferente. Nós cumprimos com todas as exigências legais a este nível.

Esta preocupação de preparar um cartaz que contemple os jovens é resultado também do número alargado de membros jovens desta comissão?

Obviamente que somos todos bastante jovens, independentemente do número da idade, temos todos um espírito bastante jovem.

Aquilo que nós sentimos é que há uma lacuna na projeção do programa que é o de ficarmos muito presos ao tradicional, este ano o objetivo era o de diversificar respeitando o nosso orçamento.

Em Gens existe diversificação de faixas etárias, felizmente temos muitos jovens aqui no lugar e o que sentimos é que eles muitas vezes se sentem à parte das festas, não se sentem identificados com estas celebrações.

Por exemplo, no domingo é muito difícil ver jovens no recinto da festa, ficam pelos cafés, não participando da festa, que é o mais importante.

Portanto, esta decisão não se prende com os elementos da comissão mas sim com o facto de querermos envolver toda a gente nesta celebração.

Refere muitas vezes que é o povo que paga esta festa e que é para ele que estas festas se realizam. Sente essa envolvência das pessoas aqui do lugar com a vossa organização?

Sem dúvida. Eu repito muitas vezes esta ideia porque é algo que nós não nos podemos esquecer. Nós trabalhamos aqui, como voluntários, ao longo de 10 meses para preparar esta festa e ao longo desse tempo estamos aqui com a responsabilidade de gerir o dinheiro que as pessoas e os patrocinadores nos dão.

No nosso entender esta será a segunda maior festa do concelho de Gondomar e isso percebe-se quando vemos que, ano após ano, o seu orçamento cresce, muito por responsabilidade dos donativos que recebemos, em especial por parte do povo.

Se o povo não se envolver desta forma bairrista, como acontece em Gens, não conseguimos ter o financiamento que temos. 70% do financiamento desta festa, ou mais, vem exatamente dos donativos do povo. Os braços que fazem o trabalho são os nossos mas por trás de nós está todo o povo deste lugar.

Qual é o orçamento da organização para a edição deste ano?

São ainda números provisórios porque há algumas despesas que ainda não estão completamente fechadas, mas andará na casa dos 50, 55 mil euros.

A vinda do Michael Carreira é a vossa grande aposta?

A vinda do Michael foi suportada em dois fatores: a diversidade, por agradar a públicos distintos, e ser um artista de renome, como este povo merece.

Podíamos pensar no orçamento de uma forma diferente, contratando um artista mais barato e pensando noutra situação para o cartaz mas consideramos que essa não era a melhor aposta porque íamos estar a encher ainda mais os dias que já têm uma programação muito completa.

Este é o dia que atrai mais gente e já é habitual ser preenchida com artistas de renome nacional, por isso a nossa escolha acabou por ser esta.

Especialmente para aqueles que são de fora do lugar de Gens, e mesmo do concelho de Gondomar, que argumentos utilizaria para os convencer a vir a Gens participar nestas festividades?

É muito difícil escolher um momento ou um dia para destacar, em especial para nós que organizamos o cartaz.

Como me lançou esse desafio eu vou destacar um momento de cada um dos dias, começando desde logo pelo dia 14 com os grupos de dança que serão uma ótima atividade em especial para os amantes do fitness.

Na sexta feira a Noite de Fados será muito interessante pela diversidade dos estilos de fado que serão apresentados e no sábado, destaco os djs porque são uma novidade no nosso cartaz.

Na segunda-feira obviamente que destacamos o Mickael Carreira mas a surpresa que temos preparada para o encerramento das festas deste ano será um momento único que aconselhamos todos a assistir.

Para finalizar pedia-lhe uma mensagem da Comissão para o povo de Gens.

Para o nosso povo fica o mais importante, o nosso agradecimento. Agradecimento pela ajuda que nos dão e pela sua presença nos diferentes espetáculos.

É para eles que trabalhamos e as pessoas sabem disso, demos o nosso melhor deixando muitas vezes de lado a nossa vida pessoal.

Esperamos que esse trabalho e o cartaz que escolhemos sirva para premiar esse apoio que sentimos.

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