“Somos muito acarinhados pelos visitantes [da Medieval de Rio Tinto] e gostamos desse retorno do público”

Entrevista Onofre e Isabel - junho 2019

Onofre Varela, Isabel Andrade e Nuno Fonseca / Foto: Pedro Santos Ferreira

Pelo sexto ano consecutivo, a dupla Onofre Varela e Isabel Andrade vai regressar às personagens fictícias rei D. Afonso Tremoço e rainha Dna. Constança Surbia, o casal real que durante quatro dias [12 a 15 de setembro] anima a Medieval de Rio Tinto, na Quinta das Freiras. Em entrevista ao Vivacidade, ambos mostram-se orgulhosos do sucesso deste casal e do crescimento do evento.

Como começou a estória do Rei D. Afonso Tremoço e da Rainha Dna. Constança Surbia?
Onofre Varela (OV) – Eu inventei este casal pelo facto da lenda do rio Tinto ser anterior à dinastia de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. Como uma feira medieval sem rei é como um jardim sem flores, considerou-se que devia existir um casal real. Contudo, tinha que ser um casal real fictício, por isso decidimos brincar com isso e criamos o casal D. Afonso Tremoço e Dna. Constança Surbia com a sua filha, a princesa Amendoim, para assumirmos a brincadeira.

Há quanto tempo dão vida a estas personagens?
Isabel Andrade (IA) – Esta será a 10ª Medieval de Rio Tinto, por isso já fazemos este casal há cinco anos. Este será o sexto ano consecutivo. Nós já nos conhecíamos do grupo de teatro Sururus, por isso foi tudo mais fácil.

Imaginavam que estas personagens chegariam até aos dias de hoje?
OV – Tem funcionado muito bem. Durante a Medieval sentimos o carinho do público e dos próprios comerciantes. Existe uma boa cumplicidade entre nós que torna tudo mais simples. O retorno que recebemos tem sido muito positivo. As pessoas dizem-nos que gostam da nossa informalidade e alguns vêm para nos ver. No entanto, há um visitante que nos considera uma nódoa como casal real, mas é apenas um, por isso a estatística continua a ser positiva (risos).
IA – Este ano vamos procurar ser uns reis um bocadinho mais sérios, sem perdermos a nossa identidade. Somos muito acarinhados pelos visitantes e gostamos desse retorno do público.  

Como são as vossas vidas nesses quatro dias de Medieval?
OV – A minha mulher empresta-me durante quatro dias à rainha Dna. Surbia (risos). São quatro dias completamente dedicados ao evento.
IA – E eu cuido bem dele e deixo-o dormir a sesta. De vez em quando tentamos contactar com a nossa família, mas não é fácil porque os telemóveis estão absolutamente proibidos.

De que forma avaliam o crescimento desta Medieval?
IA – Tem sido muito positivo para todos: organização, comerciantes e público. Também temos um sentimento de orgulho por ver a Medieval a crescer e somos reconhecidos depois, fora do evento, que é um sinal que isto deixa a sua marca.
OV – O que importa é termos gente a visitar-nos.

Há algum momento caricato que vos tenha ficado na memória?
OV – Temos vários momentos e é o conjunto desses momentos que se torna engraçado recordar. Por exemplo, na edição anterior, durante “A Hora do Conto”, eu estava a fazer um desenho para os mais novos e um fulano da minha idade chama por mim e diz: “ó Onofre, tu és o Onofre, não és?” (risos). Ou seja, fui reconhecido, anos depois, pelos meus desenhos.
IA – No ano passado também tivemos vários momentos de improviso com os cavaleiros, que se meteram com as nossas meninas. Teve que ser o rei a acabar com aquele conflito.

Nuno Fonseca: “Podem não ser os reis mais rigorosos e históricos, mas são certamente aqueles que mais interagem com os visitantes”

Que mais-valia traz o casal real, Rei D. Afonso Tremoço e Rainha Dna. Constança Surbia, à Medieval de Rio Tinto?
Temos que ser bons no nosso campeonato, quando não é assim, mais vale não tentarmos imitar os outros e dedicarmo-nos ao que fazemos bem. Por isso, não adianta imitarmos uma Viagem Medieval (Santa Maria da Feira), porque esse não é o nosso campeonato, como também não nos adianta estar sempre a revisitar as nossas figuras locais da lenda do rio Tinto ou da Infanta Dna. Mafalda, porque também são anteriores ao reino português.

A Feira Medieval de Rio Tinto nasceu e cresceu com este casal real, dois reis “sui generis” e divertidos que outros eventos não têm e queremos que eles continuem a distinguir-nos de outras feiras medievais. Podem não ser os reis mais rigorosos e históricos, mas são certamente aqueles que mais interagem com os visitantes.

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