Um ato heroico, um ato cívico, um ato que salva vidas

É com a premissa de salvar vidas que muitos cidadãos portugueses se voluntariam diariamente a doar sangue para os hospitais de Portugal. No concelho a associação responsável pela recolha é a Associação de Dadores de Sangue de Gondomar.

É por pessoas como Miguel Santos que muitas vidas conseguem ser salvas diariamente. Tem 66 anos é natural do Taralhão, São Cosme e, no dia 6 de novembro doou a sua última dádiva na Associação de Dadores de Sangue de Gondomar, somando ao todo a impressionante quantia de 111 dádivas doadas ao longo dos últimos anos.

Após doar por mais de 20 anos, ao VivaCidade revela que o sentimento presente é de muita tristeza porque ‘’gostava de doar mais sangue enquanto tivesse saúde e, hoje é o último dia e sinto-me realmente muito triste, porque não vou poder ajudar a salvar mais vidas’’.

Ao fim deste tempo, Miguel Santos descreve este ato como um contributo que fazemos com o próximo ‘’ao fim destes anos sinto-me bem em saber que contribui para salvar vidas’’, o que começou como brincadeira para o doador, hoje é um gesto que tenta incutir nos que estão à sua volta e admite que ‘’ainda vou ao Hospital São João perguntar se estou apto para doar pelo menos mais uma vez’’.

Para o Presidente da Direção da Associação de Dadores de Sangue de Gondomar, Vítor Freitas, “o Miguel como muitas outras pessoas que praticam este ato são um exemplo”, o responsável explica que este ato é extremamente importante porque “o sangue não se fabrica e é preciso obtê-lo onde ele existe que é em cada pessoa e por mais progressos que a medicina tem vindo a ter, continua a ser necessário colher sangue para determinados tratamentos em que de outra forma não se consegue a cura do doente e estas ações são sempre muito importantes”, porque é o que possibilita que exista sempre sangue nos hospitais.

“É nesse contexto que nós já existimos há 25 anos e, aqui em Gondomar, temos feito anualmente, de forma interrupta colheitas de sangue”, é nessa linha que o Presidente referencia que o sangue não se destina unicamente aos hospitais ou aos doentes do Norte ou de Gondomar, mas sim de todo o país dado que as colheitas são canalizadas 0para o Instituto Português de Sangue.

Para ser dador de sangue é necessário ter uma idade mínima de 18 anos e, pode doar até ao dia que completar 66 anos, “os homens podem doar quatro vezes por ano, enquanto que as mulheres só podem doar três vezes”. No entanto, como explica Vítor existem exceções há regra ‘’se for uma primeira vez a doar sangue o limite de idade é aos 60 anos, outro requisito é ter 50 kg de peso mínimo, ser uma pessoa saudável que não tenha grandes complicações e tenha hábitos de vida saudáveis’’.

Estima-se que, diariamente, a nível nacional são “necessárias 1000 unidades de sangue” é nesse sentido que o responsável constata que “numa colheita que nós às vezes fazemos em agosto que ultrapassa as 130\150 pessoas num dia apenas, Gondomar contribui com mais de 10% das colheitas do País o que para nós este número é muito gratificante”.

Com a pandemia, Vítor admite que sentiram uma redução na quantidade de dádivas doadas, “mas ficou aquém do que nós esperávamos, porque estávamos a pensar que a queda fosse maior e ficamos muito felizes com a solidariedade das pessoas que mesmo com as limitações a nível de deslocações e cuidados, entenderam por bem continuar a exercer este ato generoso”. Vítor aproveita o momento para garantir à população que todos os cuidados são realizados para assegurar a segurança de todos os envolvidos nestas iniciativas e garante que “todos os interessados são sempre bem vindos” e acrescenta ainda que os gondomarenses “têm tido um comportamento exemplar a nível nacional porque a nossa Associação encontra-se nas 10 melhores e esperamos que as pessoas continuem sempre a vir e que tenham sempre a consciência
que é um dever cívico e que lá está se todos dermos, todos temos. É necessário que as pessoas percebam a importância desta causa.

Os gondomarenses também podem contar com a nossa Associação porque fazemos de tudo para que se um familiar ou amigo, ou até a própria pessoa, se necessitar de sangue a Associação de Dadores de Sangue de Gondomar trabalhou para que as dádivas não faltasse nos hospitais”. ▪

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