“Um Grito Rompe o Silêncio” reeditado pela UF de Fânzeres e S. Pedro da Cova

Foto: Pedro Santos Ferreira

Foto: Pedro Santos Ferreira

O livro “Um Grito Rompe o Silêncio” de Serafim Gesta “Mazola” foi reeditado e lançado pela União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, a 12 de junho, no auditório da Junta de São Pedro da Cova.

A obra “Um Grito Rompe o Silêncio”, de 1981, do investigador Serafim Gesta foi reeditada e lançada pela União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, numa iniciativa inserida na comemoração dos 40 anos do processo revolucionário mineiro da freguesia.

O livro conta inúmeros relatos de vida de homens e mulheres que trabalham nas antigas minas de carvão de São Pedro da Cova, recolhidos pelo autor junto dos ex-mineiros. “Neste livro há relatos de casos de fome, de desespero, de mutilação para descansos forçados e de atos sórdidos dos capatazes que sujeitavam as mulheres mineiras a prostituírem-se”, explicou o autor do livro durante a apresentação.

A iniciativa contou com a presença de Silvestre Lacerda, diretor do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e amigo do autor, apresentou a reedição da obra e realçou a “necessidade de conhecimento” de Serafim Gesta. “O título dá voz os que não a têm e aos que têm dificuldades em registar por escrito os seus testemunhos dos trabalhos realizados nas minas”, disse o arquivista.

Já Daniel Vieira, presidente da União de Freguesias de São Pedro da Cova, destacou a “importância do conhecimento” e o contributo prestado pelo autor à freguesia. “Com a reedição deste livro procuramos dar a conhecer a vida dura e por vezes cruel dos mineiros”, referiu o autarca.

Após o lançamento da reedição do livro que reúne 130 depoimentos de homens e mulheres “Mazola” deixou ainda um pedido à plateia: “Não quero que me falem mais das minas, estou cheio das minas”.

No final, Serafim Gesta surpreendeu Daniel Vieira com a entrega de uma réplica da medalha de Mérito Industrial de Serafim Moreira – avô do autor – entregue em 1932, pelo presidente da República Óscar Carmona. A medalha foi cedida pela neta do autor, Raquel Gesta.

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