União de Freguesias comemora 30 anos de concurso com lançamento de livro

>Na foto: Pedro Vieira e Maria José

A União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova encontra-se a comemorar os 30 anos do concurso do Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres. Um projeto que tem vindo a amadurecer e a ter reconhecimento além fronteiras Gondomarenses.

“Somos um país de Poetas”, refere Maria José ao justificar a importância que este concurso possui na comunidade portuguesa, dado que o mesmo atrai as atenções de pessoas que vivem em várias zonas do país. Numa nação onde Luís de Camões é o pai da poesia, não falta quem tenha este talento a correr nas veias. E, é com esse objetivo, ‘descobrir talentos’ que este concurso já perdura por tantos anos e já destacou vários amantes deste género literário.

Ao longo das últimas três décadas, foram vários os participantes que deliciaram os jurados de todas as edições com os seus trabalhos partilhados. Foram vários os participantes que fizeram esta iniciativa ser o que é hoje. Para todos os apaixonados deste género literário e de forma a homenagear este projeto, a União de Freguesias, juntamente com o editor Nunes Carneiro, da Elefantes Editora, lançaram uma Antologia.

Esta Antologia do Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres é composto por poemas de todos os vencedores destas 30 edições. No mês passado, o executivo da União de Freguesias, juntamente com o editor Nunes Carneiro, realizaram via online, na página da Biblioteca de Fânzeres, a apresentação pública da obra.

Maria José, integrante do Executivo da União de Freguesias e responsável pelo Pelouro da Cultura, revela ao nosso jornal que se encontra orgulhosa e feliz por este projeto. “É das iniciativas mais importantes que temos na Freguesia, porque também é dos concursos de poesia mais antigos do país e que ainda permanece vivo”, revela a responsável, afirmando que é “Um projeto que lhe dá muito prazer em organizar.”

A organizadora explica que a participação que têm sentido nos últimos anos “Deixa-nos estimulados para continuar com este prémio”. Maria José acrescenta que esta iniciativa tem levado o nome da vila a todos os cantos do país, “Já premiamos pessoas oriundas de várias cidades e isso deixa-nos de facto muito gratificados”. A responsável acrescenta ainda que, “Com o nosso concurso, consigo perceber que muitos deles saem daqui muito motivados para escrever mais”.

O intuito do executivo da Junta é continuar a motivar a população para a participação do prémio, independentemente da idade e do seu estatuto,“Já tivemos vencedores no concurso em que eram mais inexperientes, enquanto tivemos outros em que já tinham um percurso de escrita mais avançado”.

Os premiados dos últimos trinta anos são os seguintes: Alberto Marques, Alexandre Perafita, António Augusto Menano, Boaventura de Sousa San- tos, Estrela Babau, Fernando Hilário, Fernando Macias, Graça Pires, Hugo Santos, João Ricardo Lopes, Joaquim Manuel Pinto Serra, José Alberto Mar, José Carlos Barros, José Fernandes de Matos, José Manuel Teixeira, José Ricardo Nunes, Leandro Carvalho dos Santos, Lígia Silva, Luís Aguiar, Luís Bento, Maria Graciete Besse, Marta Druta, Maximina M. Girão Ribeiro, Paulo Assim, Rui Manuel Amaral. ▪

Nunes Carneiro-Elefante Editores

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Tenho colaborado com a Junta de Freguesia há vários anos. E, desde 2019, a Elefante Editores é a responsável pela edição do livro vencedor do Prémio Nacional de Poesia. Conversando, rapidamente chegámos à conclusão que seria importante assinalar os 30 anos desta iniciativa. Portanto, é a evolução natural desta relação em que conseguimos apoiar uma iniciativa integrada na excelente e consistente política cultural da Junta de Freguesia com um contributo modesto, mas que está na nossa área de competências: editar livros de poesia. Convém ainda sublinhar que este prémio existe há 30 anos, o que o torna num dos mais antigos no nosso país. Quanto ao processo de seleção dos poemas, foi uma tarefa que fiz com muito gosto, mas que não foi fácil, pois há muitos poemas de que gostei, mas que não foram incluídos. A ideia era escolher apenas um poema por cada livro premiado pelo que tive de fazer opções. No entanto, esta é uma antologia pessoal. Outra pessoa teria escolhido outros poemas. Além disso, este processo permitiu-me revisitar todos os livros e saborear a leitura de boa poesia.A colaboração nesta edição é um motivo de orgulho, porque acredito que é uma amostra muito significativa de boa poesia. As pessoas podem esperar desta antologia reler alguns bons poemas. E, sobretudo, se acompanham o prémio há vários anos, será interessante terem uma visão de conjunto sobre a importância que esta iniciativa teve, tem e terá na descoberta de autores de mérito. Quanto à apresentação do livro foi condicionada pela situação de pandemia e, ao contrário de outras alturas, não foi possível fazer uma sessão com os quotes nem com os leitores. Foi feita através de um directo no Facebook. Mas, temos a garantia de que, logo que seja permitido, faremos uma sessão aberta a leitores, a autores e a toda a população. Será, esperamos, uma outra forma de celebrarmos a poesia e de voltarmos a estar juntos. E esses momentos, com livros e com poesia, são sempre muito especiais. A poesia e os livros têm, certamente, um lugar muito especial. A leitura é uma das minhas tarefas preferidas e tem-me permitido descobrir uma imensidão de dimensões e de emoções que só uma obra literária consegue oferecer.

Joaquim Manuel Pinto Serra- Vive em Lisboa Prémios ganhos no concurso: 1998 - 9a Edição; em 2012 - 21a Edição; 2014 - 23a Edição e em 2017 - 26a Edição
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Fazer parte desta Antologia dos 30 Anos do Prémio Nacional de Poesia de Fânzeres foi para mim uma agradável surpresa, pois recordou-nos tantos anos de poesia, de boa poesia, num percurso ao longo do tempo, de entusiasmo e dedicação a esta iniciativa. Estarmos representados nela com quatro poemas é muito gratificante, enquanto poeta. Claro que considero importante este tipo de iniciativas, pois para além de uma oportunidade para quem concorre, tornou-se um marco importante na nossa poesia contemporânea. O impacto desta iniciativa foi importante para mim. Basta lembrar que o meu primeiro livro publicado em 1998 (Prémio Nacional de Poesia de Fânzeres nesse ano) foi o início da publicação das minhas obras (18 ao todo, entre poesia, romance, contos literatura juvenil e crónicas).
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