Universidade Sénior de Rio Tinto: 300 alunos voltaram a aprender

Reportagem Universidade Sénior Rio Tinto

O ano letivo 2015/2016 iniciou com 300 alunos inscritos / Foto: Pedro Santos Ferreira

A Universidade Sénior de Rio Tinto (USRT), projeto tutelado pela Junta de Freguesia de Rio Tinto, iniciou o 2.º ano letivo da história da instituição com 300 alunos matriculados nas diversas disciplinas. Ao Vivacidade, Nuno Fonseca, presidente do Conselho Executivo da USRT, admite que o projeto “ultrapassou as expectativas iniciais”.

O Centro Cultural de Rio Tinto – sede da USRT – regista diariamente uma afluência de alunos seniores com vontade de aprender mais. O projeto cultural foi inaugurado a 30 de outubro de 2014 com mais de 200 inscrições e várias disciplinas, como Inglês, Francês, Informática, Internet, entre outras, à disposição dos matriculados. Atualmente, o número de inscritos é superior às 300 matrículas.

Ao nosso jornal, Nuno Fonseca, presidente do Conselho Executivo da USRT, admite que a adesão das pessoas “ultrapassou as expectativas iniciais”. “As pessoas estão extremamente motivadas e tendo em conta que estamos apenas no segundo ano de atividade é positivo registar esta afluência de alunos”, afirma o mentor do projeto.

Para o presidente da Junta de Rio Tinto, a USRT destaca-se “pela essência cultural” empregue em todas as aulas e atividades realizadas. “Não queremos baixar a qualidade para atrair mais alunos porque não precisamos de confundir projetos. Este é para seniores muito ativos e na plenitude das suas capacidades que querem aprender mais. Tenho a certeza que vamos continuar a crescer mas não temos a ânsia de abarcar toda a gente porque isso poderia prejudicar o projeto”, refere o autarca.

“Esta era uma resposta que faltava a Rio Tinto”

Conceição Loureiro, diretora da USRT, mostra-se satisfeita com o crescimento da Universidade Sénior, uma “resposta que faltava a Rio Tinto”, refere a responsável pela Universidade.

“Pensamos em criar este projeto e o resultado confirma que esta era uma necessidade de Rio Tinto. No entanto, confesso que o sucesso desta iniciativa foi uma surpresa”, admite a diretora da Universidade.

A mudança da USRT da Escola Secundária de Rio Tinto para o Centro Cultural da freguesia foi, de acordo com Conceição Loureiro, “uma grande oportunidade para ter aulas durante a manhã e a tarde”.

Para a dirigente a mais valia da instituição reside no “combate ao isolamento e promoção do envelhecimento ativo”, com a vantagem de “apostar no conhecimento.

“Temos professores a dar aulas como nas universidades convencionais e existem regras rigorosas para docentes e alunos. Há muitas universidades que poderiam ser centros de convívio porque apostam mais nas atividades lúdicas. Aqui o principal é o conhecimento”, conclui a diretora da instituição.

Seniores têm vontade de ensinar e aprender

A troca de conhecimentos e partilha de experiências é vista por professores e alunos como um fator de motivação. Alcino Branco, médico reformado, dá aulas pelo 2.º ano consecutivo na USRT. O professor admite que a “possibilidade de ser prestável à sociedade, especialmente aos idosos”, levou-o a aceitar o desafio de dar aulas na disciplina de “Saúde, bem-estar e vida”.

Já José Braga, professor da disciplina “Pintura e artes decorativas” confessa que a experiência de regressar às salas de aula levou-o a “reaprender técnicas que já não usava há alguns anos”. Ao Vivacidade, o docente mostra-se surpreendido com os “talentos escondidos para a pintura e artes decorativas” da Universidade Sénior.

Por sua vez, Delfina Gil, 61 anos, regressou às aulas para aprender mais sobre escrita criativa, um sonho que vê agora concretizado. “Adoro escrever e quando vi as disciplinas não tive dúvidas do que queria seguir”, refere a aluna.

Bernardo Silva, 62 anos, frequenta o 1.º ano de Informática na USRT. O aluno admite que as aulas têm “ajudado a perceber melhor os computadores e a internet” sem ter necessidade de “ter vergonha de tirar dúvidas”.

, , , ,