Valentim Loureiro: “Sei que há muita gente que não queria que esta candidatura avançasse, mas vamos até ao fim”

Entrevista Valentim Loureiro - junho 2017

Valentim Loureiro, 78 anos, volta a candidatar-se à Câmara Municipal de Gondomar / Foto: Pedro Santos Ferreira

Aos 78 anos, Valentim Loureiro regressa à vida autárquica, novamente como candidato à presidência da Câmara Municipal de Gondomar, cargo que ocupou durante duas décadas. Em entrevista exclusiva ao Vivacidade, o major promete levar a candidatura independente até ao fim, respeitando qualquer decisão dos gondomarenses.

Quando e como é que surgiu a sua intenção de candidatar-se novamente à presidência da Câmara Municipal de Gondomar?
Esta candidatura começou a ganhar forma no dia do funeral do de um amigo. Estive lá, juntamente com outras pessoas, que depois me convidaram para jantar ao Largo do Souto. Neste jantar, colocaram-me a possibilidade de ser candidato à Câmara de Gondomar nestas eleições autárquicas.

Confesso que não estava à espera, nem tinha colocado essa hipótese, contudo, as pessoas consideraram que o meu nome deveria voltar à carga. Procurei rebater, mas a insistência foi grande e os próprios funcionários do restaurante vieram pedir o meu regresso.

Honestamente não estava sensibilizado para a situação de Gondomar, mas acabou por existir novo encontro com um grupo de gondomarenses que voltou a insistir comigo. Eu não estava muito recetivo a regressar, mas a determinada altura lancei o desafio de ser criada uma Comissão de Candidatura que tratasse de selecionar as pessoas, listas e definir candidaturas às Juntas de Freguesia.

Quais são os membros dessa Comissão de Candidatura?
Foi composta por Leonel Viana, Joaquim Viana, Cristina Castro e Graciano Martinho, que ficou encarregue de tratar desses procedimentos. Pedi-lhes que me libertassem da tarefa de selecionar pessoas para este movimento independente. Não me queria meter nesse processo porque nunca o fiz nas minhas anteriores candidaturas. Além disso, sei que a constituição das listas de candidatos cria sempre problemas e insatisfações.

Foi o caso do Joaquim Viana?
Gerou-se um problema com o senhor Joaquim Viana, que considerou que iria ser o número dois da minha lista. A Comissão entendeu que não seria a melhor opção, mas volto a recordar que nunca me meti nesse assunto.

Ao deixar correr, um dos elementos da Comissão [Joaquim Viana] acabou por sair.

Para clarificar, nunca teve nenhum compromisso que Joaquim Viana seria o número dois da sua lista?
Não. O que se passou foi que o Joaquim Viana entendeu que seria o número dois, mas isso nunca foi dito. A única coisa que eu garanti ao senhor Joaquim Viana foi, caso aceitasse estar connosco, teria um lugar na lista até ao número 4 para a Câmara de Gondomar. Isto aconteceu numa fase muito embrionária deste processo, em que pensava que era eu que iria constituir a lista. Mais tarde, isso acabou por não acontecer. Eu mantive a minha palavra, não defini os candidatos e nunca me meti nesse processo.

Ainda no que diz respeito à lista de candidatos para a Câmara de Gondomar… endereçou algum convite a Nuno Coelho, presidente da Junta de Baguim do Monte?
Apercebi-me que o Nuno Coelho estava um pouco desconsiderado pelo PS Gondomar. Tivemos um almoço e disse-lhe que se ele estivesse partidariamente livre não teria problema que ele fosse o meu número dois, mas isto não pode ser considerado um convite, porque o senhor Nuno Coelho garantiu-me sempre que queria continuar no Partido Socialista.

Também foi público que teria sido convidado pelo PSD para encabeçar uma candidatura à Câmara de Gondomar. Confirma esta informação?
Fui convidado pelo presidente da Comissão Distrital do PSD [Bragança Fernandes], acompanhado pelo presidente da Comissão Política do PSD Gondomar [José Luís Oliveira].

Quando o Bragança Fernandes me convidou, disse-lhe que preferia que fosse o presidente do partido [Pedro Passos Coelho] a endereçar-me o convite, que estaria disponível para aceitar. No entanto, percebi que Passos Coelho ainda tinha reminiscências do Marques Mendes, que na altura impediu a minha candidatura pelo PSD.

Teve outros convites?
Posso confirmar que tive convites de outros partidos. Tive conversas com o Marinho e Pinto [Partido Democrático e Republicano] e com Gonçalo da Câmara Pereira [Partido Popular Monárquico].

Retomando a sua candidatura, nos últimos quatro anos acompanhou o decorrer do atual mandato?
Nos últimos quatro anos fiz questão de não andar por Gondomar. Se me viram em dois ou três eventos públicos foi a convite do atual presidente Marco Martins. Nunca andei a vigiar o decorrer deste mandato, faço questão de o dizer.

Contudo, o presidente Marco Martins evocou várias vezes a herança pesada que deixou na Câmara Municipal de Gondomar…
Naturalmente que foram ditas algumas coisas, mas eu nunca respondi. Não quero um confronto com Marco Martins, essa não é a minha maneira de fazer política.

Nunca sentiu vontade de responder?
Não, porque o presidente Marco Martins falava sobretudo para os gondomarenses e os gondomarenses sabem o que eu fiz por Gondomar. Por isso, não tinha necessidade de estar a desmentir. Todos sabem quem levava os miúdos a Lisboa de avião, quem construiu o melhor Pavilhão Multiusos do Norte do país, entre outras obras de referência.

A situação financeira herdada por este executivo também foi muito criticada ao longo deste mandato…
Antes de sair da Câmara de Gondomar tive o cuidado de mandar pagar a todos os fornecedores a que devíamos. De certeza que não existem problemas de tesouraria na Câmara de Gondomar, caso contrário o executivo não faria aquilo que tem feito.

Por exemplo, o problema da dívida do Município à EDP foi resolvido por mim. Esse documento está na Câmara de Gondomar e envolve um programa de liquidação da dívida a 20 anos. Sei que entretanto a Câmara de Gondomar encontrou outra medida e julgo que foi uma boa solução.

Se a Câmara estivesse tão endividada como anunciam, julgo que a Banca não financiaria o empréstimo para liquidar a dívida à EDP.

Que avaliação faz do atual mandato?
Não irei pronunciar-me sobre isso. Há coisas bem feitas e coisa mal feitas, mas não vou entrar por aí. O que me interessa avaliar são as necessidades de Gondomar e se terei ou não capacidade para sensibilizar o Governo e as instituições europeias para a solução dos nossos problemas.

Nos meus mandatos as principais obras foram feitas nas áreas da Educação, Saúde e Área Social. Foram obras sintonizadas com as necessidades da população.

O que pode prometer aos gondomarenses?
Aos gondomarenses só quero garantir que tenho força e energia suficiente para fazer um trabalho que os ajude a resolver os seus problemas. O povo está a desligar-se das estruturas partidárias porque está farto de promessas.

Já tem nomes definidos para a sua lista?
Os nomes que estão confirmados são: Cristina Castro, Leonel Viana, Jorge Ascenção e Fernanda Vieira, por esta ordem. O candidato à presidência da Assembleia Municipal de Gondomar será o Graciano Martinho.

Está definido se irão candidatar-se às Juntas de Freguesia?
Segundo sei, a Comissão de Candidatura decidiu concorrer a todas as Juntas e Uniões de Freguesias. Acho bem que se faça isso, porque é importante ter movimento junto das populações.

Qual é o objetivo desta candidatura?
Quem vai apontar o nosso caminho são os gondomarenses. Noto uma grande confiança neste movimento. Posso dizer que a minha campanha será à Marcelo Rebelo de Sousa. Sou suficientemente conhecido em Gondomar e deixarei a decisão a cargo dos gondomarenses. Aceitarei qualquer resultado.

O que espera desta campanha eleitoral, tendo em conta os restantes candidatos à Câmara de Gondomar?
Espero que seja sobretudo um confronto de ideias, com mútuo respeito entre todos os candidatos. Deixemos os gondomarenses decidir. Se os gondomarenses não quiserem o meu regresso, terei que aceitar isso sem azedume. Se tiver que regressar sem maioria absoluta, logo veremos a melhor solução.

Recordo que no meu primeiro mandato tive que fazer um acordo com a CDU e posso dizer que o acordo foi totalmente cumprido.

Poderá repetir esse cenário, após o ato eleitoral?
Para governar um Município com algum sossego é necessária uma maioria. Não tenho nenhum problema em fazer uma coligação com a CDU.

Vai levar esta candidatura até ao fim?
Sei que há muita gente que não queria que esta candidatura avançasse, mas vamos até ao fim.

Primeiros cinco nomes da lista estão definidos
1 – Valentim Loureiro
2 – Cristina Castro
3 – Leonel Viana
4 – Jorge Ascenção
5 – Fernanda Vieira 

Graciano Martinho será candidato à presidência da Assembleia Municipal de Gondomar
Graciano Martinho, presidente da direção da Associação Comercial e Industrial de Gondomar, será o candidato do Movimento Independente Valentim Loureiro à Assembleia Municipal de Gondomar.

Ao Vivacidade, o candidato admite que “Gondomar precisa de mais escolhas”. “O major está com capacidade para dar o seu melhor ao serviço dos gondomarenses, por isso sinto-me lisonjeado por fazer parte desta candidatura”, disse Graciano Martinho.

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3 comentários em “Valentim Loureiro: “Sei que há muita gente que não queria que esta candidatura avançasse, mas vamos até ao fim”
  1. Só vim aki deichar o meu currículo para todos saberem k eu sou “bué da bom”.
    Maz o currículo é tão enorme grande que neim cabe na caixa de cu-mentários!

  2. Não foi um presidente pacífico e teve erros. Mas comparar Valentim com Marco é como comparar o dia com a noite. E o Martins é uma escuridão que até assusta.

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