Vereador Arménio Martins acusa Marco Martins e Luís Filipe Araújo de “falta de palavra”

Arménio Martins, vereador do PS na Câmara de Gondomar / Foto de Ricardo Vieira Caldas

Arménio Martins, vereador do PS na Câmara de Gondomar / Foto de Ricardo Vieira Caldas

Esteve para ser o candidato à União de Freguesias de S. Cosme (Gondomar), Valbom e Jovim – disse ao Vivacidade – e queria ser o quinto lugar na lista de Marco Martins à Câmara de Gondomar. Arménio Martins sente-se enganado e “cortou relações pessoais” com o candidato do PS e com o Presidente da Concelhia, Luís Filipe Araújo. Ao Vivacidade, explica porquê.

“Neste momento não sou candidato em nenhuma lista, em nenhum lugar, em nenhum concelho”, começa por aclarar Arménio Martins, vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal de Gondomar. “Foi uma opção que tomei depois de alguns incidentes que aconteceram. Mas fui convidado para várias listas e inclusive para encabeçar uma lista para a Assembleia Municipal, acrescenta.

Questionado sobre a razão que o levou a desistir de se candidatar a algo responde vagamente que “como seres humanos, por vezes faltamos à palavra.” “E foi o caso”, adiciona.

Candidato a S. Cosme, Valbom e Jovim

No dia em que Marco Martins era escolhido, em Valbom, como candidato à Câmara de Gondomar, o vereador Arménio Martins foi, segundo o próprio, abordado por vários militantes para se candidatar à Junta de S. Cosme (Gondomar), Valbom e Jovim. “Não tinha interesse em ser candidato”, diz, mas chegou a imaginar estar no meio da “disputa entre Joaquim Viana e José Macedo”. “Iria-os fazer transpirar”, afirma. “Um dia, sou confrontado com a candidatura de Carlos Alberto [ex-candidato pelo Partido Socialista para estas eleições] e penso que o resultado das eleições, com ele, seria tão bom ou melhor do que se fosse eu o candidato. Por isso abracei logo a candidatura dele e estivemos os dois no terreno. Entretanto, mais tarde, sou convocado para uma reunião, na secção de S. Cosme, na qualidade de secretário coordenador. Estava eu, o secretário de Jovim, o de Valbom [António Braz], o presidente da concelhia [Luís Filipe Araújo] e o candidato à Câmara [Marco Martins]. Ali somos informados da desistência de Carlos Alberto que nos foi ocultada durante 15 dias. E deparo-me também novamente com a insistência por parte de todos para que fosse candidato a S. Cosme. Eu voltei a dizer que não estava minimamente interessado em ser candidato à junta”, explica o vereador.

Contudo, depois de muito refletir, Arménio Martins envia um email a Luís Filipe Araújo dizendo que estava disposto a fazer um serviço ao partido nos seguintes termos: “era candidato à junta Gondomar, Valbom e Jovim e o número cinco para a lista da Câmara. Ganhando a junta, nomearia duas pessoas. Uma ficaria da parte da manhã e outra da parte da tarde. Não se faria uma requisição sem a sua assinatura, não se faria um pagamento sem a sua assinatura e as representações da Junta seria o próprio que as faria.”

“Aconteceu porque teve que acontecer”

Arménio Martins, vereador do PS na Câmara de Gondomar / Foto de Ricardo Vieira Caldas

Arménio Martins, vereador do PS na Câmara de Gondomar / Foto de Ricardo Vieira Caldas

No mês de maio, com o Congresso Nacional do PS, em Santa Maria da Feira, Arménio Martins é, segundo o próprio, questionado novamente se aceitava ser o candidato. “Eu disse que já tinha enviado um email e que, naquelas condições, aceitava. Disseram-me então que era o candidato a S. Cosme, Valbom e Jovim e que era o quinto lugar. A partir daí, falharam comigo. A justificação que foi dada pelo Sr. Presidente da Concelhia foi que ‘aconteceu porque teve que acontecer’”, lamenta.

Ao Vivacidade, o vereador da Câmara de Gondomar conta que, a partir daí, “cortou relações pessoais com Marco Martins e Luís Filipe Araújo por causa da falta de palavra”. Arménio disse também perceber o porquê da desistência da candidatura de Fernanda Vieira pelo Partido Socialista. Foi tudo “a partir do momento em que a Fernanda Vieira passou a ser a porta voz da exigência da secção”, diz. “A melhor maneira era eliminá-la. Assim deixava de ter poder de reivindicar o meu quinto lugar”, acrescenta o autarca.

Secção de S. Cosme do PS exigiu que Arménio fosse o quinto da lista

Entretanto, a Secção de S. Cosme do Partido Socialista – que agrega Fânzeres e abrange um terço da população do concelho – aprovou uma moção por unanimidade em que “exigia ter um candidato a vereador que a representasse até ao quinto lugar da lista. E depois existia outro parágrafo em que me delegavam esse lugar. Enviamos isso ao presidente da concelhia”, conta o vereador.

“Tenho muita mágoa pelo facto de o PS estar dividido em Gondomar”

Apesar de tudo, o vereador não culpa o partido pelas decisões “contra” a sua pessoa. “Não estou magoado com o Partido Socialista. Ajudei a criar este partido”, refere. No entanto, o atual vereador da oposição acredita que o seu partido está dividido. “Tenho muita mágoa pelo facto de o PS estar dividido em Gondomar. Porque ando há muitos anos no partido e vi aquilo que se passou há quatro anos [com a candidatura de Isabel Santos]. Anteriormente, apesar do meu feitio e do da Isabel, o partido esteve todo, todo unido. Desafio os meus camaradas a dizerem alguém que tenha ficado chateado por não ter ficado nas listas. Aos que não ficaram, foi-lhes explicado tudo. E o único que ficou chateado foi o Carlos Brás que tinha passado para quarto”, explica.

Com a candidatura deste ano, o vereador diz não compreender algumas decisões. “Acho que o Marco Martins, por iniciativa própria ou por encomenda de alguém de cima, preocupou-se em meter-se com a Isabel Santos e com todos aqueles que são mais chegados a ela. Não sei se viu uma sombra na Isabel e decidiu passar para o ataque”, conclui Arménio Martins.

Marco Martins desmente acusações do vereador

Ao Vivacidade, o candidato à Câmara do Partido Socialista, diz não ter feito “qualquer promessa” a Arménio Martins confessando, porém, o convite formulado ao vereador. “Face à desistência do camarada Carlos Alberto, pelos motivos pessoais conhecidos, foi auscultado o Arménio Martins, enquanto coordenador, para assumir as suas responsabilidades, candidatando-se à União de Freguesias”, explica Marco Martins.

Contudo, segundo o candidato, a candidatura “não chegou a ser sujeita sequer a apreciação nos órgãos do Partido, porque o Arménio Martins colocava condições que não se podiam cumprir nem eram aceitáveis, entre as quais acumular a candidatura a presidente de Junta com um lugar na lista da vereação.” “Essas funções não podem ser acumuladas, pelo que não podemos enganar os eleitores!”, alerta o socialista. “Não foi feita qualquer promessa, mas antes um pedido por parte do camarada em questão, que aliás recusou, quando o convidei, após a escolha do candidato à União de Freguesias, integrar a lista da Vereação no lugar que lhe propus”, acrescenta Marco Martins.

Quanto a “relações cortadas” o mesmo responde: “Eu? Claro que não! Nem com ele nem com qualquer outro militante do PS.”

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