2015: Um ano de incertezas para a política portuguesa

1 – O novo ano entrou com um “abalo sísmico” à escala europeia: os atentados terroristas de Paris, que vitimaram um total de 17 pessoas. Por se tratar de ataques concebidos e executados por extremistas à ordem de muçulmanos fanáticos do designado estado islâmico, o mundo ocidental levou ao paroxismo a sua indignação política. Mas todos sabemos que dentro de algumas semanas o assunto sairá das agendas mediáticas, cairá no túmulo dos grandes temas que passam ao esquecimento, e tudo continuará como dantes. É ilusório pensar que esta Europa vai mudar os seus hábitos e tiques políticos por causa destes terríveis acontecimentos. Desiludam-se, pois, os que acreditam que, depois dos atentados de Paris, nada será como dantes…

2 – E porque vivemos num tempo de voragem mediática que torna tudo efémero, é preferível regressar ao quotidiano doméstico nacional, tentando antecipar o que, de facto, nos espera no corrente ano, dominado pelas incertezas das eleições legislativas do próximo outono. Segundo as sondagens que regularmente vão sendo publicadas, o PS continua em vantagem para ganhar as eleições, mas com uma diferença que parece muito longe da maioria absoluta. Por outro lado, a coligação governamental continua a resistir ao desgaste do poder, e há até quem admita que os partidos do centro-direita, caso concorram em coligação PSD/CDS como tudo indica, pode manter-se na governação.

3 – Na linguagem dos politólogos, tudo está em aberto, e tudo pode acontecer. O que seguramente não vai acontecer é o milagre da multiplicação do dinheiro. Que é como quem diz, não vale a pena pensar que, ganhe quem ganhar, a austeridade vai acabar, e o tempo das vacas gordas regressará. É por isso que para os portugueses não pode ser indiferente o Governo que sair das próximas eleições, pois haverá sempre profundas mudanças, independentemente de quem ganhe ou perca. De resto, pouco depois das legislativas, ou seja logo no princípio do próximo ano, haverá também eleições presidenciais. Enfim, razões mais que suficientes para podermos dizer que este será o ano de todas as dúvidas e incertezas…

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