25 de Abril

Por Pedro Moura de Oliveira

Abril é um mês particular para todos os portugueses. Representa, de facto, o princípio da emancipação do país e a sua definitiva integração como membro da comunidade democrática internacional, readquirindo o respeito dos seus pares e a credibilidade e protagonismo devidos a uma nação tão antiga como quase milenar.

O 25 de Abril de 1974 não foi contudo, apenas mais uma revolução política. A revolução portuguesa significou o princípio do fim dos regimes totalitários na Europa, seguindo-se-lhe a Espanha, a Grécia e, mais tarde todos os países de leste. Aos portugueses, a revolução acabou com 48 inadvertidos anos de ditadura fascista, em que apenas alguns tinham direito ao desenvolvimento e modernidade, atirando o âmago da sociedade para o mais completo provincianismo obscurantista.

Por assim ser, isto é, por ter sido o momento do reerguer da esperança de todos os portugueses, o “25 de Abril” a todos pertence também, não podendo ser capturado pelos interesses estratégicos de quaisquer forças políticas sejam de que quadrante for. Esta tendência que temos quase que desde sempre observado, de a esquerda se fazer proprietária dos ideais de Abril como se fosse sua dileta filha ou herdeira, mais não corresponde a uma natural repercussão do obscurantismo e falta de educação democrática a que, por tanto tempo, estiveram votados os seus apaniguados. Mais de 40 anos após a sua verificação o “25 de Abril” continua a não ser entendido por muitos pretensos pensantes políticos do nosso país. Na verdade continuam tantos a invocar o acontecimento para legitimarem a forma enviesada e tendenciosa com que querem urdir certos resultados, privilegiando interesses pessoais ou corporativos sempre em desfavor dos estruturantes e multiplicadores anseios do todo comunitário.

Os portugueses, apesar da aprendizagem democrática em curso e de alguns impropérios acontecidos ao longo destes últimos 40 anos, têm contudo sabidamente gerido o seu destino comum granjeando o reconhecimento da comunidade internacional, sendo portanto tempo de a verdadeira cultura democrática se impor na consciência dos cidadãos, por forma a que a opinião política de cada um se baste em si própria e não inquine a prevalência das maiorias manifestadas.

Em mais este aniversário importa que saibamos melhor perceber a vertente comunitária/nacional da revolução, e que cada um tenha a suficiente capacidade de moldar os seus interesses individuais em prol da dignificação do país, porque somos todos Portugal. Viva o “25 de Abril”.

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