A antiga central de captação de água da Foz do Sousa

Neste périplo que temos vindo a cumprir por aqueles que nos são referenciados como os pontos mais críticos do concelho e que, com as presentes crónicas, pretendemos alertar e influenciar as entidades responsáveis para necessidade de se envolverem, de uma forma mais atuante, no colmatar das consequentes nefastas repercussões, deparamo-nos hoje com a degradante realidade em que se encontram as instalações da antiga Central de Captação de Água da Foz do Sousa.

Com efeito, tendo esta Central desempenhado durante praticamente 100 anos (construída em 1887 e desativada em 1985 com a construção e entrada em funcionamento da Estação de Tratamento de Água de Lever) um importante papel no fornecimento de água aos concelhos do Porto, Gondomar, Gaia e Matosinhos, a verdade é que se encontra hoje completamente esquecida pelo seu proprietário, a autarquia portuense, que tem votado as respetivas instalações a um, diríamos que quase criminoso abandono, considerando tratar-se, e desde 2009, de um imóvel de interesse público. O imóvel está já completamente degradado e em perigo de ruína, como se constata designadamente pelo estado deplorável do seu telhado, exigindo uma rápida e estruturante recuperação que potencie a sua devolução à comunidade em que está inserido.

Sabemos que a incumbência da sua recuperação pertence ao Município do Porto contudo, estando implantado no concelho de Gondomar, urge que os responsáveis municipais gondomarenses, no desempenho das suas competências de Proteção Civil, saúde pública e urbanismo, oficiem os seus homólogos portuenses no sentido:

– Da limpeza e desmatação dos terrenos adjacentes à Central, repletos de silvas e volumoso mato, bem como da proliferação de animais criadores de focos de insalubridade, essencialmente no verão, como enormes cobras e ratos, bem como maus cheiros, situação esta bastante crítica para a saúde dos moradores na zona;

– Da necessidade de abater uma árvore de enorme porte, a qual ameaça cair sobre algumas das habitações ali existentes, colocando claramente em risco a integridade física dos seus moradores bem como de quem por ali circule;

– Da absoluta urgência da vedação dos acessos ao interior do Posto de Transformação Elétrica da Central, local de fácil acesso e muito perigosa para as crianças que por ali se encontrem;

– Da inequívoca premência da vedação das infraestruturas da Central, as quais também são de fácil acesso e, por isso, bastante perigosas para crianças e adultos que, mais no verão, para lá se deslocam para pescar e mergulhar no rio;

Estes são os mais ingentes focos de intervenção do Município de Gondomar junto da Câmara do Porto, em prol da salvaguarda da integridade física, saúde e qualidade de vida dos seus munícipes ali residentes.

Estruturalmente no entanto, talvez se justificasse a tentativa de aquisição ao Município do Porto da citada infraestrutura (que considerando a inerente situação geográfica, lhe não despertará grandes iniciativas de recuperação e potencialização), para depois lhe garantir um destino ao serviço dos gondomarenses e das populações dos concelhos vizinhos, nomeadamente mediante a criação de um Museu da Água e/ou Posto de Turismo, ou mesmo a sua cedência condicionada a particulares e ali criar um hotel, que o concelho já há algum tempo tem vindo a exigir.

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