A economia arranca?

Os números do terceiro trimestre de 2013 são francamente encorajadores para o nosso país. Não há certamente razões para euforia, mas podemos provavelmente respirar em 2013 melhor que em 2012 e em 2014, esperemos, melhor que em 2013.
Vejamos: o desemprego desce há nove meses e, pela primeira vez desde 2008, dois trimestres seguidos. E ao contrário do que se escreveu, nem a sazonalidade nem a emigração explicam os números mais recentes. Em primeiro lugar porque a sazonalidade funciona, em geral, contra o terceiro trimestre e a favor do segundo – quando o que aconteceu foi uma quebra do desemprego entre o segundo e o terceiro trimestres. Em segundo lugar porque houve um aumento no número de pessoas com emprego – cerca de mais 50 mil pessoas no terceiro trimestre face ao segundo. Não foi por isso por haver menos pessoas em Portugal (por via da emigração) que ocorreu a quebra da taxa de desemprego.
Ao mesmo tempo, com o crescimento em cadeia pelo segundo trimestre consecutivo, Portugal sai também oficialmente da recessão. Os dois dados estão, claro, relacionados e teremos, tudo indica, um ano mais positivo do que as previsões iniciais do próprio governo.
Isto são, portanto, boas noticias que terão um impacto real na vida dos portugueses – facilmente se perceberá a mudança naqueles 50000 que agora têm emprego e antes não tinham. Esperemos que Portugal continue nesta trajetória para que os esforços nos últimos anos tenham valido a pena. Portugal fez um ajustamento incrível ao virar-se para as exportações quando o consumo interno, alimentado anos a fio pela dívida, não podia continuar a ser o motor da economia. Esse ajustamento custou, particularmente na transição e nos setores não-transacionáveis, aos portugueses os esforços dos últimos anos. Alguns acenaram com o fantasma duma “espiral recessiva” que se iria alimentar a si mesma. Esse mito ficou desfeito pelos dados mais recentes e mostrou-se que Portugal tem um futuro em que não depende da dívida e da ação do estado.
Para completar o ciclo, agora, é necessário que se possa devolver aos portugueses o fruto do seu trabalho. Os próximos meses terão de ser marcados por reduções de impostos que deixem às famílias e empresas mais rendimento ao seu dispor. Afinal o motor da economia está aí: na atividade e no trabalho privados.

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