À espera… do Diabo

1 – As últimas semanas têm sido um verdadeiro pesadelo para Passos Coelho. A expectativa de que a União Europeia aplicasse sanções a Portugal por défice excessivo não se concretizou. Confirma-se que Portugal foi o país da zona euro que mais cresceu no último trimestre. A ameaça de cortes nos fundos estruturais ficou definitivamente afastada. O emprego cresce e o desemprego continua a diminuir. A procura interna cresce e as exportações aumentaram 3% no último ano. O vice-presidente da Comissão Europeia, Pierre Moscovici, veio a Portugal anunciar que estamos no bom caminho, mostrou-se confiante de que vamos atingir as metas orçamentais saindo dos procedimentos por défices excessivos e afirmou que estamos a deixar a crise para trás.

Como se tudo isto não bastasse, Miguel Frasquilho veio afirmar, em entrevista, que a coligação das esquerdas não está a afastar os investidores e que no quarto trimestre atingiremos um crescimento do PIB na ordem dos 1,4%. Confesso que ao ler a entrevista não consegui deixar de imaginar Passos Coelho a exclamar um sonoro “até tu Brutus!”.

O registo desta evolução, depois de em 2016 se ter devolvido rendimentos aos portugueses, aumentado o salário mínimo e aumentado as prestações sociais, faz cair por terra a narrativa da direita construída com base sobre-austeridade como saída única para a crise, e deixa o PSD e o CDS sem discurso e sem visão de futuro. Confrontados com a evidência diante de que tinha sido possível fazer diferente, evitando o nível de empobrecimento a que o país foi exposto nos últimos quatro anos.

É evidente que a recuperação depois do estado de depauperamento a que a economia e os cidadãos foram levados é lenta e difícil, mas o Governo e os partidos que o suportam estão a mostrar todos os dias que isso é possível e que em política são sempre possíveis outras soluções.

Enquanto isto, a direita entrincheira-se na defesa do passado sem qualquer aceno de uma perspetiva de futuro. Enfim, lá continuam à espera… do Diabo.

2 – A eleição de Donald Trump para Presidente dos Estados Unidos da América, confirmou as piores expectativas e deixou sérios alertas à Europa.

O quadro é surpreendente e preocupante. Quando se avizinham o referendo à revisão constitucional em Itália e as eleições em França, na Alemanha, na Áustria, a grande equação é saber até que ponto as democracias europeias serão capazes de se unir e responder ao populismo, à xenofobia e aos movimentos nacionalistas com mais e melhor Europa? Se falharmos aí sim, será o diabo… (este será o tema do meu próximo artigo)

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