A esperança contra a austeridade

As eleições gregas vieram “agitar as águas paradas do pântano europeu”. A vitória do Syriza, que se propõem a romper com as políticas da Troika, desafia a ideia dominante de que não existe alternativa ao empobrecimento generalizado e austeridade infinita. Os últimos dias revelaram a hostilidade de instituições e governos europeus relativamente à própria possibilidade de uma política que devolva um mínimo de esperança e dignidade a milhões de pessoas sem emprego e sem direitos, obrigadas a viver na rua ou às escuras, sujeitas à fome e privadas de cuidados médicos. Parece evidente que estão em jogo questões decisivas que ultrapassam o quadro nacional da Grécia. Passos Coelho, sempre obediente à sua chefe Angela Merkel já se mostrou indisponível para qualquer esforço conjunto para reduzir o peso da dívida à escala europeia e encontrar soluções que permitam responder à catástrofe social em que vivemos. Orgulha-se mesmo, de ter aplicado com sucesso medidas que empobreceram muitos e enriqueceram poucos. Enquanto que a dívida pública aumentou, o défice derrapou e o desemprego atingiu dimensões inéditas. Quando nos garante que Portugal não é a Grécia espera que aceitemos com resignação o atual estado de coisas, como se fosse possível ignorar que acaba de se recusar na Grécia o que nos querem fazer engolir em Portugal. Neste momento, decisivo em que a resistência ganha novo alento por toda a Europa: Atenas, Londres, Paris, Amesterdão, Lisboa, Bruxelas, Roma, Copenhaga e Luxemburgo. Assistimos a manifestações de solidariedade com o povo grego e em repúdio pela arrogância e hostilidade reveladas pelas instituições europeias. É tempo de enviar um sinal claro de que estamos todos no mesmo barco e não aceitamos a miséria que nos querem impor. Com os resultados das eleições legislativas do passado dia 25 de janeiro fica demostrado que existem alternativas políticas à austeridade em doses mais ou menos duras. Também em Gondomar, iremos demostrar a nossa solidariedade com o povo grego. Assim, levaremos a cabo no próximo dia 6 de março uma sessão pública na Junta de Freguesia de Valbom de solidariedade com o povo grego. Queremos uma Europa das nações e dos cidadãos porque a nossa luta é internacional, aqui e agora, somos todos gregos!

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