A Europa é já ali

Com o aproximar das eleições europeias espera-se o adensar do debate europeu ainda que já se adivinhe a nacionalização destas eleições.
É pena. A Europa e as suas instituições assumem hoje um papel importantíssimo no nosso dia-a-dia nacional e o debate de como nos devemos posicionar face a estas instituições é fundamental. Recorde-se que o Parlamento Europeu é a única instituição que é eleita diretamente pelos cidadãos, pelo que o debate e o esclarecimento se revelam ainda mais importantes.
O programa de assistência financeira, com a troika que conta dois elementos europeus, no entanto, deveria deixar-nos mais motivados para esse debate: como funcionou a Europa neste momento de dificuldade? Que ajuda obtivemos e que sacrifícios fizemos? Parece que alguns agentes políticos só querem fazer esse debate para concentrarem os ataques no atual Governo. Mais uma vez é pena porque ganharíamos todos em saber o que pensam os diferentes partidos sobre a Europa e sobre a sua ação neste e noutros momentos de dificuldade.
E apesar de tudo, não é exatamente assim. Do lado do PS, por exemplo, ouve-se uma importante proposta socialista. Mas socialista portuguesa. Só. Fala-se da “mutualização da dívida” – da passagem de parte da nossa dívida para a gestão europeia – como a grande solução para os problemas europeus. É uma proposta possível, ainda que não dependa de nós. Nem dos nossos eurodeputados, já agora. E pelos vistos também não está no horizonte do candidato socialista à Comissão Europeia, o senhor Schulz. Note-se a ironia: enquanto em Portugal António José Seguro fala desta como a sua única proposta para as eleições europeias, na dita Europa o candidato que o PS quer que seja o próximo chefe do executivo europeu diz o contrário: mutualização nem pensar.
Parece estranho, mas é assim. E não é novo: após todas as esperanças portuguesas estarem com o senhor Hollande, do PS francês e depois com o senhor Gabriel, do PS alemão, rapidamente se percebeu que nos seus respectivos governos os partidos socialistas trabalham como PS português jura que nunca trabalharia. Esquece o PS português que na Europa já se percebeu que o passado não é para repetir e que não devemos por isso voltar à irresponsabilidade na gestão da coisa pública que nos trouxe à bancarrota.
Também disso se deve falar até às eleições.
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